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terça-feira, 5 de abril de 2011
Pelo reajuste da Tabela do Imposto de Renda de 5,5%!
Pelo reajuste da Tabela do Imposto de Renda de 5,5%!
Leiam a matéria abaixo da Folha de São Paulo:
Base já fala em correção maior de tabela do IR
Petista propõe que reajuste seja de 5,5%
MARIA CLARA CABRAL
DE BRASÍLIA
Aliado da presidente Dilma Rousseff, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) apresentou uma proposta de reajuste da tabela do Imposto de Renda de 5,5% para este ano.
A emenda do petista é um exemplo da dificuldade que o governo pode ter para aprovar na Câmara a medida provisória reajustando a tabela em 4,5% até 2014.
Petista propõe que reajuste seja de 5,5%
MARIA CLARA CABRAL
DE BRASÍLIA
Aliado da presidente Dilma Rousseff, o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) apresentou uma proposta de reajuste da tabela do Imposto de Renda de 5,5% para este ano.
A emenda do petista é um exemplo da dificuldade que o governo pode ter para aprovar na Câmara a medida provisória reajustando a tabela em 4,5% até 2014.
O risco inflacionário é a principal alegação do deputado, por isso ele também quer suprimir as previsões para os próximos anos. Zarattini diz ainda que a inflação de 2010 foi maior do que os 4,5%.
"[A medida provisória] foi um equívoco do Ministério da Fazenda. Temos que ter uma política tributária no mínimo neutra", afirmou.
Para ter sua emenda aprovada, o deputado pode contar com o apoio da oposição. A proposta do DEM é de correção da tabela pelo INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor), que daria em um índice de 6,47%.
Já o PSDB propõe 5,9%. Uma das possibilidades é que eles se unam em torno do um índice comum.
A hipótese preocupa o líder do governo na Câmara, Cândido Vaccarezza (PT-SP). "O embate no IR será maior do que no mínimo", afirmou.
Em fevereiro, o governo conseguiu aprovar o projeto de reajuste do salário mínimo com relativa facilidade.
O prazo para apresentação de emendas à medida provisória do Imposto de Renda acabou ontem. No final do dia, cerca de 50 já haviam sido apresentadas. O texto passa a trancar a pauta do plenário no meio de maio.
segunda-feira, 4 de abril de 2011
Trailer do Documentário "Trabalho Interno"
domingo, 3 de abril de 2011
Medida Provisória do Imposto de Renda precisa ser reavaliada!
A Presidenta Dilma editou uma Medida Provisória para reajustar a tabela de descontos do IR da pessoa física com equívocos que me parecem graves. Além de reajustar a tabela em 4,5% que é menor que a inflação de 2010 - 5,9%, já prevê os valores da tabela para 2012, 2013 e 2014. Todos reajustados em 4,5%.
Ora, como poderemos saber qual será a inflação para os anos futuros. Se ela for maior que 4,5% perde o contribuinte. Se for menor perde a receita do Governo. Aliás, o próprio BC está prevendo uma inflação para 2011 de 5,6%.
Apresentei emendas reajustando a tabela em 5,5% para 2011 e suprimindo as previsões para os próximos anos.
Greves na construção civil revelam um novo momento na luta dos trabalhadores. Diminuição do desemprego permite uma nova correlação de forças e movimentos devem ganhar nova força!
Uma importante reunião do Novo Rumo para o PT
Hoje pela manhã fizemos uma plenária estadual da corrente Novo Rumpo para o PT em SP. Mais de 400 companheiros e companheiras estiveram na sede do Sind. dos Engenheiros para discutir a conjuntura nacional. Participaram da reunião o Ministro da Saúde Alexandre Padilha, a Dep. Fed. Luci Chonaski (SC) e o dirigente do PT do RJ, Neiva Moreira (que anunciou que a partir de agora o seu grupo carioca e o Sen Lindenberg vão dialogar de forma prioritária com o NR).
A reunião foi muito boa e pudemos avaliar as principais questões da conjuntura como o início do Governo Dilma, política econômica e as eleições de 2012. Na minha intervençaõ destaquei os seguintes pontos:
1-O Novo Rumo se afirma como uma tendência estadual com presença em todas as Macro Regiões e tem perspectiva de ampliar nacionalmente com contatos com outras forças de diversos estados.
2- Temos que nos preparar para disputar as eleições de 2012 e afirmar o PT para ampliarmos o número de Prefeitos e Vereadores em todo o país. Temos que aproximar o tamanho das nossas bancadas da nossa influência política. Em muitas cidades o PT ganha para os cargos majoritários e não elege sequer um Vereador.
3-Se a Reforma Política é prioritária, não podemos deixar de debater a política econômica e a questão cambial que prejudica a nossa industria.
4- Precisamos debater a questão tributária. O PT não pode ter a marca de partido que quer aumentar impostos. Não concordo com a proposta de volta da CPMF. Os trabalhadores querem usufruir do aumento de renda e não pagar mais impostos.
No final da reunião o Ver. Donato, Presidente do Diretório Municipal de S.Paulo, convocou a todos para participarem do Congresso Municipal nos dias 15 e 16 de abril, onde vamos iniciar o debate sobre a política do PT para as eleições municipais.
Em defesa do BC - Paulo Nogueira Batista Jr.
Para a Helena
Permita-me leitor(a) começar com algumas observações de caráter estritamente pessoal. Não sei se você acompanha meus artigos e comentários. Se o faz, haverá de ter se espantado com o título acima. Da minha parte, a direção do Banco Central tem sido alvo de críticas constantes, não raro severas, nos últimos 15 anos, no mínimo.
Mudei? Dizem os meus detratores que sim. Brasileiro, alertava Nelson Rodrigues, não pode viajar ? já a caminho do aeroporto começa a se descaracterizar. Em 2007, quando fui indicado para integrar a diretoria do FMI, alguns amigos fizeram apostas: quanto tempo levaria para que eu começasse a defender um aumento do superávit primário? Os mais otimistas previam dois anos.
Bem. Passaram-se quatro anos e posso dizer, sem vacilar: não mudei. No fundamental, continuo exatamente igual. Nem sei se isso é realmente positivo. A coerência é a virtude dos que não têm imaginação, dizia Oscar Wilde.
Enfim, o fato é que continuo avesso à sabedoria econômica convencional. E continuo crítico do próprio Fundo ? todo santo dia luto aqui no FMI para tentar tornar a instituição um pouco menos desequilibrada, um pouco mais arejada e representativa. Tanto que ? sem exagero ? estou sendo caçado a pauladas, feito ratazana prenhe, como diria Nelson Rodrigues (outra vez essa figura fatal!). O que os meus adversários não sabem é que, sendo 50% cearense, este brasileiro agüenta muita coisa ? e reage mal a tentativas de intimidação.
Mas estou me desviando do tema. Eis o que queria dizer: quem mudou, para melhor, foi o Banco Central. O processo começou no segundo mandato do presidente Lula e se intensificou com a nomeação do economista Alexandre Tombini para a presidência do Banco Central.
Na última semana, aconteceu o seguinte: alguns destacados integrantes da famigerada turma da bufunfa fizeram muitos reparos, às vezes enfáticos, à política do Banco Central. Bom sinal, bom sinal! Alguns avaliam que o Banco Central desistiu de enfrentar com firmeza a inflação. Outros, mais exaltados, vêem uma perigosa tendência à "heterodoxia" na condução da política monetária.
O motivo dessas críticas é o reconhecimento pelo Banco Central de que não será possível reduzir a inflação para o centro da meta (4,5%) já em 2011, mas apenas em 2012. Analistas de mercado concluem, decepcionados, que o aumento da taxa de juro será muito menor do que o esperado ? e talvez nem ocorra.
Espero que a conclusão deles esteja certa. O lamento, entretanto, não tem o menor cabimento. A inflação é um fenômeno mundial, como lembrou Alexandre Tombini. Grande parte dos países, sobretudo as economias emergentes e em desenvolvimento enfrentam pressões inflacionárias, em muitos casos piores do que as que se observam no Brasil. O Banco Central já aumentou bastante a taxa básica de juro no passado recente e tomou diversas medidas de restrição ao crédito. Em paralelo, o Ministério da Fazenda está executando o ajuste fiscal anunciado e baixou várias medidas de tributação da entrada de capitais externos, inclusive na semana passada.
A opção por um choque de juros seria aplaudida pelos que querem convergência rápida para o centro da meta de inflação, mas traria custos imensos. Por exemplo: aumentaria o componente financeiro do déficit público, que já está bastante pressionado pela alta recente da taxa básica de juro. Aumentaria o custo de carregamento das reservas internacionais. E, além de desajustar as contas do governo, um choque de juros provocaria provavelmente valorização adicional do real.
Ora, a moeda brasileira já está muito sobrevalorizada. É uma das mais fortes do planeta! Isso prejudica as contas externas e solapa a competitividade internacional da indústria e diversos outros setores da economia. Com um aumento adicional do diferencial de juros entre o Brasil e o resto do mundo, ficaria difícil, talvez impossível, conter a alta do real.
Por esses e outros motivos, a política de juros tem que ser conduzida com moderação e em coordenação com as políticas de crédito e fiscal. É o que parece estar acontecendo.
PS: Este artigo é dedicado à minha primeira neta que, embora nada tenha a ver com o Banco Central, acaba de nascer e merece ser homenageada.
PAULO NOGUEIRA BATISTA JR. é economista e diretor-executivo pelo Brasil e mais oito países no Fundo Monetário Internacional, mas expressa os seus pontos de vista em caráter pessoal.
segunda-feira, 28 de março de 2011
Por que os preços em São Paulo estão cada vez mais altos?
Uma série de fatores faz a capital ser cara demais, da economia aquecida ao aumento da renda e a busca por status de luxo
Até o jornal americano The New York Times reparou, em reportagem publicada na semana passada, o que faz São Paulo ser São Paulo - os prédios, os congestionamentos, a chuva, a vida noturna e, mais recentemente, os "preços exorbitantes". Seja para um turista estrangeiro ou para um morador de qualquer bairro da capital paulista, a cidade está cara demais. É o preço do café, do táxi, da tarifa do ônibus, dos eletrônicos, do jantar, do apartamento... Um problema com muitas razões e poucas soluções.
São Paulo é atualmente a cidade mais cara das Américas, de acordo com a Pesquisa Global Mercer do Custo de Vida. Frequentar uma academia de ginástica na capital paulista sai pelo dobro do preço cobrado em Londres, enquanto jantar em um restaurante estrelado por aqui é mais salgado que um similar em Paris. Tradicionalmente, a carga tributária é sempre uma das principais vilãs - o peso dos impostos sobre cada contribuinte subiu de R$ 1.732,89, em 2002, para R$ 2.268,75 no ano passado. Além disso, há uma série de outros fatores, do aquecimento da economia ao aumento da renda da população e a entrada de uma nova massa de consumidores no mercado.
Ainda há em São Paulo um custo particular, o "custo paulistano": cobra-se mais para conferir um aspecto de luxo ao produto ou ao lugar. "É um custo de status. Você pode colocar um preço alto, cobrar R$ 500 por um ingresso de show, R$ 25 pelo cinema, R$ 200 por um jantar, e vai ter gente para pagar essa conta, porque o mercado está aquecido e porque o paulistano paga aquilo quase como símbolo de ostentação", diz o economista Gustavo Fabron, que trabalha com tendências de mercado para empresas estrangeiras que abrem filiais em São Paulo. "Essas indulgências custam até 250% a mais do que em outras capitais brasileiras e fazem os preços aqui ficarem absurdos."
Veja a ilustração no Infográfico
*Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110321/not_imp694838,0.php
Culpados até que provem o contrário - uma triste página da justiça brasileira
Como é possível em pleno século XXI ainda vermos casos como esses descritos abaixo. Pessoas comuns presas por uma polícia e uma justiça que pouco se importam com a vida! Defender os direitos humanos é protestar contra essa situação, onde inocentes ou aqueles que já cumpriram suas penas continuam mofando nas prisões. Será que essa política dos tucanos de encarceramento do povo pobre é solução contra a violência? Ou será mais um reprodutor de violência? Está mais do que na hora de protestarmos contra esses absurdos.
Culpados até que provem o contrário
Como uma pessoa sem antecedente criminal acaba presa com base em um só - e controverso - depoimento; para especialista, Lei de Drogas criou excessos
27 de março de 2011 | 0h 00
Bruno Paes Manso - O Estado de S.Paulo
Vestido todo de branco, Wagner Lopes de Oliveira foi batizado há nove anos nas águas de uma piscina da Assembleia de Deus, de onde saiu praticante fiel. Seis anos depois, quando o sogro sofreu um derrame, foi ele quem se ofereceu para dar comida e trocar as fraldas do doente até que morresse. Há dois anos, foi a vez do pai. Para ajudar nos cuidados do derrame, voltou a morar com a mãe, levando a mulher e a filha de 3 anos.
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| Hélvio Romero/AE |
Família Souza. Jovem foi presa ao ir à delegacia; para parentes, o comparecimento ao DP e o fato de ter a casa inundada no mesmo dia já serviriam como prova para que não fosse detida.
O trabalhador admirado pelo patrão, respeitado pelos vizinhos em Cocaia do Alto, bairro onde mora na cidade de Cotia, em São Paulo, sete anos atuando como soldador na mesma empresa, 29 anos e nenhuma passagem pela polícia, foi parado em uma blitz no Natal do ano passado. Desprevenido, ingressava na primeira etapa do processo industrial paulista de colocar gente na prisão.
Atualmente, há 170.916 presos no sistema penitenciário estadual. Considerando os familiares dos detentos, pode-se dizer que mais de 1 milhão em São Paulo gravitam em torno da rotina penitenciária. Se ninguém duvida da importância das prisões, que segundo analistas ajudam a explicar a queda nos índices criminais do Estado, o problema ocorre quando se perde o controle dos efeitos colaterais produzidos pelo sistema, resultados de um processo cheio de defeitos e com grande potencial para injustiças.
Preso há três meses, acusado de tráfico, com perspectivas de continuar o restante do ano no Centro de Detenção Provisória de Itapecerica da Serra, Wagner foi parar atrás das grades a partir de um único depoimento que o incrimina. No Natal, depois de participar de um churrasco na casa da irmã, ele se ofereceu para dar carona a quatro amigos. Deixou dois em casa e parou na praça do bairro. Três meninas - uma delas havia sido inquilina na casa dos fundos da família - pediram carona. Iam para uma festa. No caminho, foram parados em uma blitze da Polícia Militar.
Uma das meninas tinha 17 pedras de crack e 5,8 gramas de cocaína na bolsa. Na delegacia, manteve-se calada. A filha da antiga inquilina da família afirmou que Wagner é que era o fornecedor. A outra disse que o traficante era o Bola. Foi o suficiente para que se decretasse a prisão em flagrante. "Não cruzaram ligações para saber se havia telefonemas das acusadas para o Wagner. Não foram investigar a existência do tal de Bola. Não houve nenhum tipo de investigação e mesmo assim ele permanece preso", diz o advogado Thiago Gomes Anastácio, que atua no caso pelo Instituto de Defesa do Direito de Defesa (IDDD).
A irmã de Wagner, Jaqueline Aparecida de Oliveira, desesperada com as condições do caçula de nove irmãos, foi conversar com a menina que acusou Wagner, antiga conhecida da família. Ela e a mãe choraram e pediram desculpas pelas mentiras, disseram que foram ameaçadas, em conversa gravada, a qual o Estado teve acesso. "Eu precisava provar que ele era inocente e por isso gravei. Tenho pena delas. E realmente não entendo como ainda não conseguimos tirá-lo da cadeia", diz Jaqueline.
O pai, doente, sabendo da prisão de Wagner, morreu. Além de Wagner não ter ido ao enterro, a família ainda não teve coragem de contar a ele sobre o ocorrido, na cela em que divide hoje com 42 presos.
Se fosse condenado, como é primário, trabalhava e não participava de quadrilha, provavelmente Wagner ficaria menos de dois anos na prisão. Pena que poderia cumprir em liberdade, depois de meses encarcerado.
Lei de Drogas. Ex-secretário Nacional de Justiça, Pedro Abramovay, professor da Fundação Getúlio Vargas no Rio, afirma que a nova Lei de Drogas, de agosto de 2006, tem contribuído para o rápido crescimento da população carcerária nacional. Em estudo ainda inédito, feito com Carolina Dzimidas Haber, da Universidade Federal do Rio (UFRJ), Abramovay aponta o rápido crescimento da quantidade de traficantes presos.
Entre 2007 e 2010, houve um aumento no Brasil da população carcerária de 73.661 pessoas - o que demandaria a construção de um presídio de 500 lugares por semana. Desse total, 40.997 foram acusados de tráfico. A prisão por roubo, crime que mais preocupa por ser violento, diminuiu 3% no mesmo período. "A nova Lei de Drogas, em tese, acabou com a prisão para o usuário. Mas, como não estabelece a diferença entre usuários e traficantes, na prática, estamos vendo um aumento no rigor e na detenção daqueles que são pegos com pequenas quantidades. Quem acaba definindo a diferença são os próprios policiais", diz.
Grande parte dos que são presos é de pequenos traficantes. Em pesquisa encomendada pelo Ministério da Justiça, os dados mostram que, entre 2006 e 2008, 66% dos que foram presos acusados de tráfico no Brasil eram primários e 86% não estavam com armas; 50% das sentenças envolviam quantidades de maconha de até 104 gramas, total que muitos consumidores paulistanos estocam para fumar por poucos meses. "O governo tem uma política clara de combate às drogas. Trata com rigor ainda maior de pena traficantes que pertencem ao crime organizado. Mas o governo tem todo um conjunto de políticas de prevenção e de tratamento de drogados que não podem ser ignoradas. Repressão e prevenção nem sempre são antagônicas", disse ao Estado o ministro da Justiça, José Eduardo Martins Cardozo.
Na falta de competência para fazer investigações, a pobreza reforça as suspeitas das autoridades para determinar a prisão. No dia 20 de janeiro, Rose Meire Rodrigues de Souza, de 20 anos, mãe de uma criança de 5, foi chamada por amigos para ir à delegacia da comunidade onde mora, na zona leste de São Paulo, para levar os documentos do primo que, cinco horas antes, havia sido preso em um assalto. Na delegacia, foi reconhecida pela vítima, que afirmou ser ela a responsável por dar cobertura aos criminosos. Foi para a Penitenciária Feminina de Sant"Ana, onde está até hoje. "Como ela pode ter assaltado se precisou limpar a casa e tirar os móveis por causa da enchente que inundou tudo aqui naquele dia?", questiona a mãe, Francisca Rodrigues da Silva. "Se ela tivesse participado, o que iria fazer na delegacia?" Perguntas que, mesmo sem respostas, mantêm a Justiça convicta da necessidade de manter Rose Meire presa indefinidamente.
Testemunha
MARCOS FAVERO
PATRÃO DE WAGNER LOPES DE OLIVEIRA
PATRÃO DE WAGNER LOPES DE OLIVEIRA
"Ele trabalha como soldador na minha empresa de peças para tratores e veículos de grande porte das 8 às 17 horas. Isso há sete anos. Ele ganha R$ 900 por mês. Ponho a minha mão no fogo pela inocência dele."
*Fonte: http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110327/not_imp697777,0.php
segunda-feira, 21 de março de 2011
A grande mídia e o soldado Manning
O soldado Manning, hoje está preso, sem julgamento e podendo inclusive ser condenado à prisão perpétua ou até a pena de morte, pela acusação de “conluio com o inimigo”, por causa de ter sido apontado como colaborador do Wikileaks.
Por que será que a grande mídia ignora, o caso do soldado Bradley Manning, que está enclausurado numa prisão nos EUA? É estranho os grandes meios de comunicação, não citar nem uma linha sobre o soldado que hoje está tendo seus direitos humanos violados.
Interlúdio para uma visita
Filme de espionagem de Hitchcock ambientado na Cinelândia, onde Obama falaria, remete a outro 'espião', o soldado Bradley Manning, que o presidente deixou mofando numa cela ao vir para o Brasil
Sérgio Augusto - O Estado de S.Paulo
Quando se anunciou que Obama faria um discurso público na Cinelândia algumas viúvas de Leonel Brizola se enciumaram, pois consideram a praça um santuário trabalhista, daí o apelido de Brizolândia, do qual, aliás, só eles parecem se lembrar. Ora, Cinelândia já é um apelido (seu verdadeiro nome é Praça Floriano) e o evento mais marcante de sua história não foi, com todo respeito, aquele comício de Brizola, em 1982, mas a passeata dos 100 mil contra a ditadura militar, que lá teve início, em junho de 1968. Ciúme bobo, portanto, e sem fundamento desde que a segurança do presidente americano trocou a praça pelo Teatro Municipal.
Quando se anunciou que Obama discursaria para os cariocas num palanque armado na Cinelândia, a primeira coisa de que me lembrei foram os furtivos encontros que dois conterrâneos do presidente americano tiveram nos bancos daquela praça e numa das mesinhas do Bar Amarelinho, 65 anos atrás. Furtivos porque os dois, Alicia Huberman e T. R. Devlin, eram espiões a serviço do governo americano e não podiam dar sopa por aí. Por que na Cinelândia? Por ser uma praça movimentada e porque naquele majestoso prédio que há dois séculos abriga a Biblioteca Nacional ficava a Embaixada dos Estados Unidos e, dentro dela, o escritório do Office of Strategic Services (OSS), embrião da CIA, no Brasil.
Quem então coordenava as operações do OSS no Rio era um sujeito de avuncular catadura chamado Paul Prescott. Se o presidente Harry Truman viesse ao Brasil naquela época (estamos em abril/maio de 1946), caberia a Prescott cuidar de sua segurança. Mas, como é sabido, Truman só visitou o Rio em 1947, trazido pela Conferência para a Manutenção da Paz e Segurança Continental, justo no mesmo mês, setembro, em que, não por acaso, o OSS virou CIA. Prescott já saíra de cena. Não uso essa expressão metaforicamente, pois Prescott era, como Alicia e Devlin, um personagem de cinema, interpretado por Louis Calhern.
Ingrid Bergman encarnava Alicia e Cary Grant, Devlin. Atrás da câmera, Hitchcock, na ponta dos cascos: Interlúdio (Notorious) talvez seja o mais charmoso filme sobre a nascente Guerra Fria, só oficialmente reconhecida em abril de 1947, ou seja, um ano depois da chegada de Alicia e Devlin ao Rio e cinco meses antes da viagem de Truman, mas já nos seus prolegômenos quando Prescott apertou o cerco a uma quadrilha de espiões alemães envolvida em contrabando de urânio.
Não bastasse a confluência de Truman com Obama e a Cinelândia, Interlúdio começava com a condenação de John Huberman, pai de Alicia, por espionagem em favor dos nazistas. Huberman nos remete a outro espião, só que real e entre aspas: Bradley Manning, que Obama deixou mofando numa solitária da Marinha americana, em Quantico (Virgínia), ao embarcar para o Brasil.
O soldado Manning está preso há quase um ano por seu envolvimento com o WikiLeaks. Analista do setor de inteligência do Exército americano, teria repassado a Julian Assange todos aqueles documentos classificados sobre as guerras no Iraque e no Afeganistão vazados para a imprensa. Sobre ele pesam 22 acusações, e uma delas ("colaborar com o inimigo") pode até condená-lo à pena de morte. Huberman, o assumido espião de Interlúdio, embora a soldo de um inimigo concreto dos Estados Unidos, escapou da cadeira elétrica.
Tratado como um Lex Luthor da espionagem, com direito a apenas uma hora fora da solitária e obrigado a enfiar-se, despido, numa bata antissuicídio, antes de dormir, Manning transformou-se no mais ruidoso caso de violação dos direitos humanos nos Estados Unidos dos últimos tempos. O tratamento a ele dispensado é "degradante", protestou a Anistia Internacional. No dia 11, durante uma palestra sobre mídias sociais para uma pequena plateia, no Massachusetts Institute of Technology, o porta-voz do Departamento de Estado P. J. Crowley expressou com três adjetivos o que acha da forma como o militar vem sendo tratado na prisão: "ridícula, contraprodutiva e idiota". Dois dias depois, demitiu-se (ou foi instado a demitir-se) do cargo.
Pressionado a pronunciar-se sobre o episódio, Obama justificou o confinamento de Manning. "Fui informado pelo Pentágono que ele está recebendo o tratamento apropriado", lavou as mãos o presidente, no melhor estilo Bush. "Será que Obama perguntou a Lloyd Blankfein (do Goldman Sachs) sobre a ocorrência de fraudes no sistema financeiro e, ao ouvi-lo dizer não, desistiu de mandar prendê-lo?", gozou o comentarista político Glenn Greenwald, o mais persistente observador da campanha de difamação movida contra o WikiLeaks, pela mídia e pela Casa Branca.
Quando o general Eric Shinseki manifestou-se contrário ao plano de Donald Rumsfeld e Paul Wolfowitz para ocupação do Iraque, Bush o puniu exemplarmente, escandalizando os democratas, que acusaram o governo republicano de intolerante e fechado ao debate de ideias. Idêntica reação tiveram os democratas quando Bush demitiu seu conselheiro econômico, Lawrence Lindsey, por ele ter dito em público que a guerra no Iraque poderia custar US$100 bilhões ao bolso do contribuinte. Por que os democratas não questionaram a demissão de Crowley? Sorte deles os republicanos se lixarem para o que possa estar acontecendo com Manning.
Inimigo dos EUA ele, Manning, decididamente, não é. Se de fato vazou os documentos que revelam ações criminosas de tropas americanas no Iraque e no Afeganistão, quem deveria estar atrás das grades é o pequeno núcleo do governo que as planejou ou para elas fez vista grossa. "O verdadeiro inimigo ajudado por Manning foi o povo americano", protestou o reverendo William E. Alberts, no site da Counterpunch. Indignado com a prisão do suposto informante do WikiLeaks, o reverendo o indicou, esta semana, ao Nobel da Paz. Se Obama levou o galardão mesmo tendo mantido as duas guerras do Bush e aumentado a escalada militar no Afeganistão, por que não Manning?
*Fonte: Estadão http://migre.me/45wBU
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