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quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

Economia seguirá crescendo, diz Lula.


A economia brasileira, “apesar do pessimismo”, vai crescer, disse o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante reunião da direção nacional da CUT, que completará 30 anos em agosto. “O emprego e a massa salarial vão continuar crescendo. A situação geral vai melhorar, apesar dos que torcem para não dar certo.”
Ele citou os atuais indicadores do desemprego no país, medidos pelo IBGE, que apontam os menores índices da série histórica. Comparou a taxa de dezembro (4,6%) com as da Europa, que têm se mantido elevadas. “Eu sinto orgulho”, disse Lula, ao se referir à situação do mercado de trabalho no país.
Esses foram os únicos comentários de Lula envolvendo mais diretamente o governo. Ele contou que está lendo o livro que inspirou o filme Lincoln, sobre o ex-presidente dos Estados Unidos, atualmente em cartaz. “Fiquei impressionado como em 1860 a imprensa batia nele, igualzinho fazia comigo”, comentou, arrancando risos.
Ele não fez referência às recentes polêmicas envolvendo comparações sobre dez anos de governo petista e oito de gestão tucana. Centrou seu discurso na importância histórica da CUT e nas relações do movimento sindical com o governo. “É preciso destacar o fato de no Brasil, com tão pouca experiência democrática, uma central comemorar 30 anos de existência. A CUT avançou quase sempre contrária à legislação vigente. Fomos fazendo as coisas sem pedir licença, arrancando pedacinho por pedacinho. Se tem uma coisa que sabermos fazer, é cobrar.”
O ex-presidente lembrou de um encontro que teve com o empresário Octavio Frias de Oliveira, do grupo Folha. “Ele disse: 'Lula, nunca vão deixar você chegar no andar de cima'. Nós chegamos e gostamos. E provamos que sabemos fazer melhor do que eles.”
Também citou um jantar com Celso Furtado, com a presença do então presidente da CUT Jair Meneguelli, hoje presidente do Conselho Nacional do Sesi. A conversa era sobre as alas “radicais” do PT. Segundo Lula, o economista recomendou: “Nunca destrate esses companheiros. Quanto mais radicais eles forem, mais eles mostram o caminho que você não deve seguir. Mas a radicalidade deles não permite que você vá para a direita”.
Com humor, ele disse acreditar que o movimento sindical terá relação melhor com Dilma do que com ele. “Mulher sempre trata melhor. Mesmo quando a mulher é dura, ela é mais flexível do que o homem.” Na quarta-feira que vem, as centrais farão uma marcha em Brasília, e no final serão recebidos pela presidenta no Palácio do Planalto.
Fonte: Rede Brasil Atual - http://www.redebrasilatual.com.br/temas/politica/2013/02/economia-seguira-crescendo-diz-lula-que-apanhou-igualzinho-a-lincoln

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Brasil vai ser 5ª economia do mundo antes de 2015, diz Mantega


O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça-feira, 27, que em menos de quatro anos o Brasil será a quinta maior economia do mundo, em termos de Produto Interno Bruto (PIB), superando a França. "O FMI prevê que o Brasil será a quinta economia em 2015, mas acredito que isso ocorrerá antes", disse.
Mantega ressaltou que a velocidade de crescimento do Brasil é o dobro da registrada pelos países europeus. "Portanto, é inexorável que nós passemos a França e no futuro, quem sabe, a Alemanha, se ela não tiver um desempenho melhor", disse. O ministro reafirmou que de 2003 a 2010, o crescimento do País ficou ao redor de 4% e que, em 2013, esse patamar será retomado, pois estima que o PIB deve avançar de 4% a 5%.
O ministro ressaltou que o Brasil está no caminho certo, pois tem um alto nível de geração de emprego, inflação sob controle, "está na vanguarda do crescimento" e deve apresentar condições econômicas melhores em 2012 do que neste ano. "O importante é que estaremos crescendo mais em 2012 do que em 2011", comentou. "O câmbio estará melhor e o crédito estará mais barato".
Questionado pela Agência Estado se os juros também estarão menores, Mantega afirmou que haverá redução do custo financeiro das operações relacionadas aos consumidores, mas não se manifestou sobre a Selic, atualmente em 11% ao ano. Na última quinta-feira, o diretor de Política Econômica do Banco Central, Carlos Hamilton Vasconcelos, afirmou que "se for necessário, vai haver aumento da taxa de juro. Não sei quando", referindo-se à eventualidade de o nível de atividade ficar muito aquecido e, em algum momento do futuro, aumentar bastante as pressões sobre a inflação.
O ministro da Fazenda, contudo, foi realista e manifestou que a renda per capita do Brasil precisa avançar para que o padrão de vida da população melhore e fique perto do que é registrado pelos países mais ricos do mundo. "Mas já estamos melhorando bem", comentou.
Fonte: Estadão - http://migre.me/d9DVT

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Empresários aprovam medidas do governo


Por Demarchi
Do iG
Para a maior parte dos executivos ouvidos no fim do ano, medidas do governo pecam mais pelo modo pelo qual são implantadas do que por seus efeitos.
Cristiane Barbieri - iG São Paulo
Economistas e o mercado financeiro, de modo geral, têm reclamado da mão intervencionista do governo Dilma. Seja ao não autorizar o aumento dos combustíveis que reflete no preço das ações da Petrobras, seja forçando os bancos a baixar juros ou a redução na conta de luz, por meio da MP 579, e na consequente queda das ações das elétricas.
As críticas, no entanto, não são unanimidade. Empresários ouvidos pelo iG no fim do ano  acreditam que elas são mais positivas do que negativas e estimularão a economia no longo prazo. “O governo fez um bom papel [em 2012], fez a parte dele", diz Marco Stefanini, presidente da empresa de tecnologia da informação Stefanini, que faturou quase R$ 2 bilhões em 2012 . "É a primeira vez que vejo um governo brasileiro trabalhando na redução de impostos e do Custo Brasil”. 
A área em que Stefanini atua foi beneficiada pela desoneração em folha, mas ele afirma que, em sua empresa, particularmente, não houve impacto positivo. Na desoneração em folha, em vez de a empresa recolher os 20% de INSS sobre o salário de seus empregados, é descontado 2% do faturamento. Como a receita de sua empresa é muito alta - quase R$ 2 bilhões - o benefício não foi percebido.
Na mesma linha, Reinaldo Garcia, presidente executivo da GE para a América Latina, as mudanças foram como uma moeda com um lado negativo – que diz respeito ao modo como foram implantadas – e outro positivo, de redução de custos. “O bom é que acredito que o lado negativo é passageiro e que as boas consequências de algumas das medidas adotadas serão duradouras e benéficas”, afirma Garcia.
Apesar de o PIB brasileiro ter crescido em torno de 1% em 2012, a GE cresceu dois dígitos no ano. Seu faturamento em 2011 no País tinha sido de US$ 3,7 bilhões e, em algumas áreas, como conversão de energia, a carteira de pedidos foi multiplicada por dez. "A área de infraestrutura em que trabalhamos é a bola da vez dos investimentos", diz Garcia.Também para Antonio Fay, presidente da Brasil Foods, as medidas terão efeito positivo no decorrer do próximo ano e elas deveriam se espalhar em todos os setores da economia. 
Nem todos os empresários, porém, têm a mesma percepção. "É sempre muito ruim ter um governo que intervém na economia", afirma Sergio Habib, presidente da JAC Motors. "Da mesma maneira que ele intervém para reduzir a conta de luz (e eu não tenho empresa de energia elétrica) e que fala que banco tem de reduzir taxa de juros porque está ganhando muito dinheiro (e eu não tenho banco), eles vão chegar para mim e falar que o carro está muito caro e que tem de taxar preço, vão falar para os hotéis no Rio que tem de baixar as tarifas, vão falar que a carne está muito cara e tem de baixar o preço da carne e daqui a pouco vão botar a polícia atrás de boi  no pasto."
Habib afirma que ficou assustado quando Dilma afirmou que os banqueiros estavam ganhando muito dinheiro no Brasil porque as medidas de controle podem chegar a quaisquer outras áreas. "É por isso que o investimento diminui: o espírito animal do empresário está todo escondidinho em casa", diz ele. "Como é que você vai investir quando chega alguém ameaçando que você tem de ganhar menos dinheiro?"
Por vender carros importados, a JAC teve estipulada uma cota de 25 mil carros para serem vendidos com imposto menor, em 2013. "Só vamos vender o que nossa competência permitir a partir de 2015", afirma. Para ele, porém, é importante ter regras definidas, como aconteceu com o InovarAuto e decididas em consenso. 
Fonte: Luiz Nassif Online - http://migre.me/cIJXk


quarta-feira, 28 de novembro de 2012

IBGE mostra queda da desigualdade e do analfabetismo nos últimos dez anos


Entre 2001 e 2011 o rendimento familiar per capita da parcela da população representada pelos 20% mais ricos caiu de 63,7% do total da riqueza nacional para 57,7%. No mesmo período, os 20% mais pobres apresentaram crescimento na renda familiar per capita, passando de 2,6% do total de riquezas do país em 2001 para 3,5% em 2011. Por seu lado, o analfabetismo entre os brasileiros com 15 anos ou mais também diminuiu nos últimos dez anos, passando de 12,1%, em 2001, para 8,6% em 2011. Os dados fazem parte da pesquisa Síntese de Indicadores Sociais 2012, divulgada hoje (28) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para Leonardo Athias, pesquisador da Divisão de Indicadores Sociais do instituto, a redução da desigualdade no período deve ser atribuída às políticas de redistribuição de renda no país, com valorização do salário mínimo, expansão do Bolsa Família e ganhos educacionais, que permitem ao trabalhador almejar postos mais altos.
“Nós tivemos um duplo fenômeno. Uma diminuição da desigualdade, por um lado alavancada pelas políticas de renda, valorização do salário mínimo e programas sociais, direcionados à base da pirâmide de rendimentos, além de ganhos educacionais, tornando a população um pouco mais homogênea e ela pode almejar postos mais altos.”
O pesquisador também destacou o crescimento econômico ao longo da década passada como indutor das melhorias sociais. Outro fator importante foi o controle da inflação, iniciado na década de 90 e mantido após 2000, responsável por preservar o salário das classes mais pobres, que não tinham proteção via aplicações no sistema financeiro. Ele ressalta, porém, que a desigualdade do país ainda é uma das maiores do mundo.
Outro índice mostrado na pesquisa do IBGE que demonstra a redução da desigualdade no país é o coeficiente de Gini, que vem apresentando uma redução constante a cada ano, desde a década de 90, quando atingiu o nível mais alto, de 0,602, chegando a 2011 com 0,508. Quanto menor o número, menos desigual é o país. Os extremos do coeficiente para o ano de 2011, segundo o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), foram de 0,586 para Angola e 0,250 para a Suécia.

Letras e números

Os índices de analfabetismo também vêm caindo no Brasil nos últimos dez anos, segundo o estudo do IBGE, mas ainda são altos na camada da população com mais de 60 anos. Essa parcela registra 24,8% de analfabetos, praticamente um quarto do total nessa faixa etária.
O relatório aponta ainda que entre os homens que não sabiam ler ou escrever no ano passado, 8,8% tinham 15 anos ou mais. Entre as pessoas de pele preta ou parda, 11,8% não sabiam ler nem escrever, enquanto entre as de cor branca, esse percentual cai para menos da metade: 5,3%. Na Região Nordeste, do total da população acima de 15 anos, 16,9% eram analfabetos. Na Região Norte, o índice chegou a 10,2%, e nas áreas rurais do país, a 21,2%.
Para o educador Mozart Neves Ramos, que foi reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e já ocupou a secretaria de Educação daquele estado, a queda nas taxas de analfabetismo precisa ser mais expressiva. “De fato, o analfabetismo pleno vem caindo, mas não na velocidade que o país precisa para alcançar a meta de chegar a 6,7% na faixa de 15 anos ou mais em 2015. Na proporção que vem caindo, na base de 0,3% a 0,4% nos últimos anos, a gente observa que o esforço tem sido grande, mas ainda é insuficiente.”
Membro do conselho de governança da organização civil Todos pela Educação, Mozart diz que é necessário haver um investimento maior em professores especializados em alfabetização, principalmente para ensinar o público adulto, que não tem a mesma facilidade de aprendizado de um estudante jovem.
“No percentual de 15 anos de idade para baixo, o Brasil vem atingindo resultados expressivos. As crianças de hoje estão muito mais alfabetizadas do que as de 20 ou 30 anos atrás. O problema é no grupo de 45 anos ou mais, nas regiões Norte e Nordeste, e nos grotões. É dificílimo pegar o homem do campo, que trabalha durante o dia, e fazer com que ele se desloque para a escola. É um grande desafio alfabetizar essas pessoas adultas. Qualquer que seja o método, é preciso ter um professor bem formado, mas é difícil recrutar bons alfabetizadores, porque o salário pago é muito baixo.”
Outro dado demonstrado na pesquisa do IBGE é a queda na inadequação da relação idade-série. Em 2001, 36,9% dos jovens de 15 a 17 anos estavam na série correspondente à faixa etária. Dez anos depois, em 2011, o percentual teve um forte crescimento, chegando a 51,6%. O avanço foi maior justamente entre a população de menor renda, que registrava apenas 13% de adequação idade-série em 2001 e praticamente triplicou em uma década, saltando para 36,8% em 2011.
Fonte: Rede Brasil Atual - http://virou.gr/U2BU0W

domingo, 12 de agosto de 2012

Entrevista de Guido Mantega ao Correio Brasiliense

Dep. Zarattini: O Ministro Guido Mantega explica a política econômica do Governo Dilma para enfrentar a crise econômica mundial e demonstra que o governo tem uma estratégia clara para manter o investimento, o consumo e o emprego dos brasileiros.

Ministro diz que pacotes de incentivos, a serem anunciados a partir desta semana, reforçarão a retomada do crescimento

Em meio à guerra travada entre o governo e os servidores federais, que reivindicam aumento de até 56% no ano que vem — pleito que, se atendido, custará R$ 92,2 bilhões anuais aos cofres públicos —, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, prega o bom-senso. Ele garante que o funcionalismo já foi agraciado com reajustes salariais expressivos no governo Lula e, na média, a maior parte das carreiras ganha mais do que trabalhadores da iniciativa privada que exercem funções semelhantes. Na avaliação dele, com o país ainda sentindo os efeitos da grave crise internacional, o governo tem por obrigação estabelecer prioridades. E, neste momento, são os investimentos em infraestrutura.
Isso não quer dizer, no entender de Mantega, que o Palácio do Planalto deixará de contemplar categorias nas quais se identifiquem distorções salariais, como é o caso dos professores universitários, que receberão aumento de até 45% nos próximos três anos. Ele ressalta, também, que não há nenhuma discriminação da presidente Dilma Rousseff em relação ao funcionalismo. Tanto que ela concedeu, neste ano, reajuste de 4,5% a boa parte dos servidores, mesmo com todas as restrições orçamentárias.

Para o ministro, a hora é de focar na retomada do crescimento econômico, que trará benefícios a todos, não apenas a um grupo específico. A seu ver, a virada da economia já começou e uma revolução silenciosa está se consolidando para sustentar o avanço consistente da atividade assim que o quadro internacional desanuviar.

Mantega garante que o repique da inflação em julho não muda os rumos da política monetária do país — leia-se, corte de juros —, avisa que o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal forçarão os bancos privados a reduzirem as taxas cobradas de consumidores e empresas e prevê que o Produto Interno Bruto (PIB) fechará o ano com um ritmo de expansão de 4%. "A taxa média de crescimento ideal para o Brasil, no entanto, é de 5% ao ano", diz. Veja, a seguir, os principais trechos da entrevista que o ministro concedeu ao Correio Braziliense.
Por que a economia brasileira parou de crescer?

O Brasil não parou, apenas desacelerou, em função, principalmente, do agravamento da crise internacional, que teve consequências nos mercados mundiais, que encolheram. Com o fechamento de importantes mercados, como os da Europa, e o baixo dinamismo dos Estados Unidos, grandes exportadores, como Alemanha e China, se desesperaram. Os países asiáticos em geral são essencialmente exportadores e não têm mercado interno capaz de absorver a própria produção, elevando o seu interesse em exportar para os mais diversos mercados do mundo. O Brasil, que tem um dos mercados mais dinâmicos e um dos que mais crescem no mundo, acabou sofrendo uma invasão de importados. Em 2011 e neste ano, assistimos a um avanço extraordinário das importações. É natural que houvesse esse grande interesse pelo Brasil.

Um exemplo da invasão de importados foi o setor automotivo?

Exato. O país se tornou, no período, o terceiro maior comprador de automóveis, superando a Alemanha e ficando atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Eu olhava esse avanço nos gráficos do comércio de carros, com a participação dos importados saindo de 10% para 15% e, depois, para 20%, até o ponto de nos levar a tomar a medida de elevação do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), para dar uma segurada. Não podíamos permitir isso, pois queremos consolidar a indústria brasileira como uma das maiores do mundo. E o problema não envolveu apenas carros, mas também os têxteis, os bens de capital, entre outros setores. Nossos concorrentes manipulam o seu câmbio, desvalorizando as suas moedas. Ainda lançaram mão de todo tipo de subsídios disfarçado para nos exportar a preç ;os de banana. A nossa indústria perdeu espaços em um mercado doméstico que vinha crescendo, com boa parte do crescimento sendo aproveitado pelos importados.

O governo não demorou para agir e proteger um setor estratégico como a indústria?

Agimos a todo momento. Ao mesmo tempo em que aumentamos o IPI sobre carros importados mudamos a nossa política cambial, deixando-a mais ativa, de modo a não permitir a valorização do real. Para isso, tivemos de controlar a entrada de capitais — não o produtivo, de investimentos, mas o financeiro e especulativo. Fizemos barreiras e aumentamos as reservas internacionais do país. Estamos hoje com uma situação cambial bem mais favorável. Se perceber, o dólar vale hoje 30% mais do que há um ano. Isso significa que melhoramos o custo brasileiro em 30% em relação à moeda norte-americana, desde mão de obra a tudo o mais, com as empresas voltando a ter mais competitividade. No campo monetário, promovemos a redução mais acentuada da taxa básica de juros (Selic), reduzimos o custo dos financiamentos. Em refor&c cedil;o, o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) reduziu suas taxas de crédito para a compra de máquinas e equipamentos. Todas as linhas tiveram redução, a partir da TJLP (Taxa de Juros de Longo Prazo). Barateamos muito o custo total do investimento. Com isso, para construir uma hidrelétrica, por exemplo, o custo é de 5,5% da TJLP mais 0,5% anual, com prazos e carências variáveis, de um a três anos.

Mas ainda estamos longe de ser um país competitivo para a produção.

Sempre há o que fazer para ampliar a competitividade do país e vamos avançar nessa direção. Já baixamos o custo da folha de pagamento de 15 setores industriais com uso mais intensivo de mão de obra, como têxtil, calçados, bens de capital, móveis, tecnologia da informação e autopeças. O custo da mão de obra vai cair sem prejudicar o trabalhador, diminuindo os encargos patronais. Outros setores também serão incorporados em breve nessa desoneração, conforme estudos em andamento no governo. Com a redução dos custos tributário, cambial, financeiro e de infraestrutura, acreditamos estar devolvendo a competitividade à indústria brasileira, para que tenha condições de enfrentar a atual adversidade da conjuntura. Os resultados positivos disso começaram a aparecer. Tem os de continuar reduzindo esses custos. Não tenho dúvidas de que, quando o cenário externo adverso mudar para melhor, nada vai segurar o crescimento do país, pois a indústria estará mais competitiva. O agronegócio, por sua vez, ainda não sofreu perdas e continua competitivo.

São muitas as críticas de que, para combater os efeitos da crise mundial, o governo tem se focado em medidas para o consumo em vez de investimento. Isso mudou?

É um equívoco dizer que o governo não tem priorizado o investimento. Nos últimos anos, fizemos uma série de desonerações tributárias que baratearam fortemente o custo de se investir no Brasil. O resultado disso foi que a taxa de investimento cresceu significativamente, passando da casa de 16% para quase 20% do PIB (Produto Interno Bruto). Enquanto isso, a participação do consumo no PIB perdeu um pouco de espaço, embora permaneça acima de 60%. Com a crise, de fato fizemos algumas medidas de estímulo ao consumo, como as reduções de IPI de linha branca, móveis e automóveis. Mas continuamos a priorizar os investimentos. Por exemplo: o IPI para material de construção está zerado desde 2009. O programa de Sustentação do Investimento (PSI) já liberou mais de R$ 200 bilhões desde 2009 e continua vigente em 2012, com taxas reduzidas para 5,5% ao ano para aquisição de máquinas e equipamentos. 

O Brasil nunca teve taxas de juros tão baixas para o investimento.Mas os empresários continuam muito desconfiados. Não se animam a retirar das gavetas os projetos de expansão da produção que foram engavetados. O que o governo fará para convencer os industriais de que vale a pena ampliar fábricas e contratar mais?

Nesta semana, o governo vai lançar a primeira fase de um grande programa de expansão dos investimentos em infraestrutura, que se somará aos investimentos em petróleo e gás, que estão entre os maiores do mundo, aos da indústria automotiva, entre outros. Só a Petrobras investirá mais de R$ 80 bilhões e a Vale, cerca de R$ 40 bilhões. Com essas medidas e o cenário de retomada da economia neste semestre, tenho certeza que os investimentos voltarão a se acelerar. Muitos empresários ficaram temerosos com a recaída lá fora, diante da incapacidade da Europa em resolver rapidamente seus problemas. Mas vão perceber que o Brasil está em um momento muito bom, fazendo uma reforma estrutural. Isso ficará claro a partir do ano que vem. Veremos um país novo, com uma política monetária favorável , ancorada em um ajuste fiscal sólido. Estamos vivendo um revolução silenciosa que beneficiará a todos.

Mas há limitações para as ações do governo. Fala-se em mais desonerações ao setor produtivo em um momento em que o ritmo de crescimento das receitas está em queda e há forte pressão dos servidores públicos por aumentos. Como conciliar isso?

A prioridade do governo neste momento é estimular o crescimento da economia por meio dos investimentos, que darão a dinâmica do PIB. Sabemos que há limitações orçamentárias. Por isso, vamos estabelecer prioridades. Além da ampliação do processo de desoneração da folha de salários de setores intensivos de mão de obra, vamos fazer uma nova rodada de concessões de rodovias, ferrovias, portos e aeroportos. Será um conjunto de medidas que só favorecerá o crescimento econômico. Vemos hoje um país que está multiplicando a riqueza. Nunca os empresários ganharam tanto. Desde 207, temos o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), que não deixa de ser uma política industrial.

E os servidores? Como o governo resistirá às fortes pressões por aumentos de salários?

É preciso que todos entendam que há limitações orçamentárias e a prioridade do governo neste momento é incentivar os investimentos produtivos. Mas isso não quer dizer que não daremos aumentos. Foi feita uma proposta (de correção de até 45%) aos professores de universidades federais, pois a educação é considerada prioritária pela presidente Dilma. Vamos olhar outras carreiras. Mas é importante deixar claro que, na média, o funcionalismo tem salários muito maiores do que os pagos na iniciativa privada.

A maior queixa dos servidores é de que a residente Dilma lhes dispensa um tratamento diferente do dado pelo ex-presidente Lula. Realmente, há diferenças entre os dois governos em relação ao funcionalismo?

Não vejo grandes diferenças. É preciso olhar para trás e ver o que ocorreu. Em 2003, como ministro do Planejamento do recém-empossado governo Lula, tive que fazer um grande ajuste fiscal. Promovemos um corte expressivo nos gastos, entre R$ 30 bilhões e R$ 40 bilhões. Com isso, conseguimos dar reajuste de apenas R$ 60 para cada um dos servidores, o que provocou grande gritaria. Em 2004, também o aumento para ao funcionalismo foi pequeno. De 2006 para cá, com a economia crescendo mais, assim como a arrecadação, foi possível conciliar três coisas: dar bons reajustes aos servidores, ampliar os investimentos e fazer um sólido ajuste fiscal, que derrubou a dívida pública. Esse é o modelo ideal. Agora, não vivemos o mesmo quadro. Portanto, temos de definir prioridades. Não se pode esquecer, ainda, que a presidente Dilma deu reajuste de 4,5% a boa parte do funcionalismo. Isso precisa ficar claro.

Com os estímulos aos investimentos e os reajustes, mesmo que seletivos, aos servidores, será possível o governo cumprir a meta cheia de superavit primário, de 3,1% do PIB, neste ano e nos próximos, mesmo com o ritmo mais fraco de crescimento das receitas?

Temos cumprido rigorosamente as metas fiscais estabelecidas, mesmo em um quadro de desaceleração das receitas. Basta ver o resultado até junho. A política fiscal sólida que o governo tem praticado nos últimos anos viabiliza a nova matriz macroeconômica do país, com juros reais estruturalmente mais baixos e taxa de câmbio mais competitiva, cujos efeitos revolucionários na economia brasileira serão sentidos ao longo do tempo.

A presidente Dilma está apostando tudo nos pacotes que serão divulgados nos próximos dias. O senhor acredita que o país conseguirá retomar o crescimento de forma consistente sem pressionar a inflação?

Sem dúvidas. E uma boa taxa anual de expansão da economia do país é de 5%, na média. Isso quer dizer que num ano pode ser 3%; noutro, 6%, de modo que a média de 5% seja obtida. Não precisamos buscar 5% todo ano. Isso, lembrando que nossos parceiros comerciais vivem gerando alguma crise vez por outra. Não existe capitalismo sem crise. Acredito que, com o aumento dos investimentos, o crescimento continuará sustentado. Nossa capacidade produtiva já vem subindo e se refletindo positivamente no chamado PIB potencial. Em 2009, o crescimento ficou perto de zero (-0,3%) e, desta vez, não ficou negativo (2,7% em 2011). Acredito que estamos superando as dificuldades geradas pelo contexto externo. Depois de um primeiro semestre fraco, estou focado na retomada neste semestre e em como a economia vai entrar no próximo ano. Meus cálculos são de que chega remos ao fim deste ano ao ritmo de 4% e assim começaremos 2013, mantendo ações conjunturais e estruturais. O importante também é que continuaremos prontos para minimizar os impactos da crise, mesmo que ela se prolongue.


Na semana passada, o senhor deu um novo puxão de orelha nos maiores banqueiros do país. Mas, apesar disso, o crédito permanece restrito. Está se confirmando a teoria da Febraban, de que não adianta dar estímulos ao crédito "se não se pode obrigar o cavalo beber água, mesmo estando à beira de um rio"?

Os bancos têm de oferecer mais crédito e eles ainda não estão fazendo isso. Melhoraram só um pouquinho. É algo que pode melhorar muito no Brasil. Quem está fazendo de verdade esse trabalho, baixando as suas taxas e ofertando empréstimos e financiamentos, são o BNDES, o Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal. As instituições privadas estão expandindo pouco o crédito. Houve só alguma melhora no crédito automotivo. A Caixa e o BB ganharam mercados, mas isso não é suficiente para atender a demanda. O crescimento e a recuperação da economia seriam bem mais fortes se os bancos privados acompanhassem as instituições públicas. As empresas estão tomando crédito para, pelo menos, amortizar os empréstimos já contratados, um movimento natural em qualquer lugar do mundo. E olha que as empresas brasileiras já trabalham menos endividadas que a média global. Até acredito que os bancos podem ter uma dificuldade operacional em ampliar o crédito, de modo a suportar ao aumento das operações e dos clientes, mas eles precisam fazer isso.

Além do crédito restrito, os juros cobrados pelos bancos continuam muito altos.

Os spreads bancários (diferença entre o que os bancos pagam aos investidores e o que cobram dos devedores) não são justificáveis, são muito altos. A queda dos spreads até agora equivale a pouco mais que o repasse das reduções dos juros básicos (Selic) e do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Se os bancos privados olhassem o balanço divulgado recentemente pela Caixa, veriam que reduzir juros é um bom negócio. Não dá prejuízo, mas lucro, além de diminuir a inadimplência do consumidor. Em encontro que tive há pouco com os bancos privados, senti que eles tendem a melhorar as taxas, mas lá pelo fim do ano.

Não foram apenas os bancos que se recolheram. Os consumidores, já bastante endividados, também botaram o pé no freio na tomada de crédito.

De fato, os consumidores brasileiros se intimidaram no primeiro semestre, em razão da crise internacional. Mas a Serasa já mostrou que isso está mudando. A demanda por crédito entre as pessoas físicas subiu 8% em julho ante junho. Em resumo: o apetite do consumidor está voltando e precisa haver uma correspondência por parte dos bancos. Crédito é vital para a retomada da economia. A equação é simples: a expansão do consumo reflete o tamanho da renda do trabalhador e da classe média somado ao tamanho do crédito. Se os bancos se negam a expandir o crédito, a retomada perde a metade do seu impulso.

Banco do Brasil e Caixa são fortes o suficiente para impulsionar o mercado de crédito e estimular a concorrência a emprestar?

Com o BNDES, os bancos públicos representam hoje cerca de 50% do crédito. Com as recentes expansões, estão compensando a falta de apetite que as instituições privadas estão demonstrando. Portanto, seria importante que elas dessem sua contribuição para uma recuperação mais rápida da economia brasileira, reduzindo os spreads altíssimos que ainda praticam e liberando crédito com menos parcimônia. Em 2009, os bancos públicos aceleraram o crédito e ganharam mercado, levando as instituições privadas a serem mais agressivas no momento seguinte. Nesse afã de recuperar mercado, em 2010, até exageraram um pouco na oferta de crédito, como ocorreu, por exemplo, no financiamento de veículos. Na ocasião, até fiz um alerta, perguntando se não estavam exagerando. Agora, est& atilde;o na defensiva, mesmo com o menor risco de inadimplência.

O senhor estimula a oferta maior de crédito, mas a inflação oficial de julho deu um forte salto, para 0,43%. Isso não preocupa o governo? Pode mudar a política de corte de juros.

A inflação deste ano, no acumulado até junho, veio em um ritmo menor do que em 2011. Tenho elementos para dizer que há uma margem para suportar pequenas altas pontuais, como a do mês passado. Não acreditamos também que ela vá se repetir nos próximos meses. Quanto ao corte de juros básicos, a pergunta tem de ser feita ao Banco Central.

Os juros estão no menor patamar da história, mas nem isso está ajudando a impulsionar a atividade econômica. Por quê?

É importante lembrar, em primeiro lugar, que a redução da taxa de juros tem defasagem. O impacto não é imediato, leva de seis as nove meses para surtir efeito. Além disso, a crise europeia tem retardado essa reação, mas é inevitável que ela ocorra. Os investidores estão reticentes de forma geral e não especificamente com o Brasil. Aliás, já há sinais de que os investidores começam a distinguir favoravelmente o Brasil, que tem grandes perspectivas e oportunidades de longo prazo.

Mas o Brasil deixou de ser a estrela, o queridinho dos investidores estrangeiros. Por que a desilusão?

Houve desilusão dos especuladores, daqueles que faziam arbitragem, aproveitando-se das altas taxas de juros da economia brasileira. Os investidores estrangeiros de longo prazo continuam interessados no Brasil, tanto que o Investimento Estrangeiro Direto (IED) em 12 meses segue na casa dos US$ 60 bilhões, um nível bastante elevado.

Quando será a hora da virada da economia brasileira?

Creio que a retomada da economia brasileira já começa a ocorrer de forma consistente, refletindo todas as ações que temos tomado desde o ano passado e cujo impacto é defasado no tempo. Esse segundo semestre será bem melhor que o primeiro. Creio que isso é um consenso, não só uma opinião do governo.

Como o senhor avalia a atual fase da crise europeia? O pior já passou?

Apesar de alguns sinais mais favoráveis dados recentemente por autoridades europeias, a crise na região ainda não está resolvida. Ainda é preciso avançar em políticas que promovam a retomada do crescimento, especialmente nos países da periferia da região. Ainda há muita incerteza em relação à economia europeia e é necessário que as autoridades do continente sejam mais ágeis na busca e implementação de soluções para a crise.

Fonte: Correio Braziliense - 12/08/2012 - Autor(es): VICENTE NUNES e SÍLVIO RIBAS


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Brasileiros são os mais confiantes na economia, diz pesquisa


 Os brasileiros são o povo mais otimista do mundo quanto aos rumos econômicos de seu país. A conclusão é de uma pesquisa encomendada pela Confederação Sindical Internacional (CSI), com sede em Bruxelas, que filia centrais dos cinco continentes e representa aproximadamente 175 milhões de trabalhadores.
A CSI perguntou a 13 mil pessoas em 13 países se estavam satisfeitas com a condução da economia por seus governos. Foram escolhidas nove nações pertencentes ao mundo desenvolvido (EUA, Reino Unido, Canadá, Japão, Bélgica, França, Bulgária, Alemanha e Grécia) e quatro emergentes (Brasil, África do Sul, Indonésia e México).
Para 69% dos brasileiros, o país está indo na direção certa – a média internacional mostrou que apenas 38% da população está satisfeita com os rumos de seus países. Na Grécia, que sofre com os efeitos da crise, tão somente 9% aprovam a política econômica de Atenas, que lá se traduz por um termo bastante utilizado pela mídia mundial: pacotes de austeridade.
Segundo o levantamento, 46% da população brasileira acredita que as futuras gerações viverão melhor que a atual, opinião não compartilhada pelos demais cidadãos, sobretudo na Europa. A exceção é a Indonésia, onde 59% aposta que a situação ficará muito melhor nos dias vindouros.
“O Brasil tem mostrado ao mundo que quando os governos se concentram em políticas de criação de emprego e proteção social, eles podem manter o apoio da população”, analisa Sharan Burrow, secretária-geral da CSI.‬ “Muitos países europeus e do G20 traíram os eleitores. Os governos precisam ouvir o povo ou correrão um risco crescente de instabilidade política e econômica.”
Sharan Burrow está no Rio de Janeiro participando de um encontro sindical preparatório para a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) e logo em seguida viajará para Los Cabos, México, onde apresentará o estudo da CSI durante a Cúpula do G20, que reunirá as 20 maiores economias do mundo na segunda (18) e terça-feira (19).
Outras conclusões da pesquisa – que refletem diretamente as políticas econômicas adotadas recentemente nos Estados Unidos e Europa – apontam que 70% dos entrevistados acreditam que os bancos possuem grande influência na tomada de decisões políticas. Ademais, 87% pensam que as instituições financeiras deveriam pagar um preço maior pela crise global.
“A ortodoxia está sendo amplamente rechaçada pelo povo”, conclui a secretária-geral da CSI. “Opiniões antiausteridade estão crescendo em tantos países que poderão provocar uma remodelação do pensamento econômico global.”
Fonte: http://virou.gr/LgjNqx - Linha Direta. 

terça-feira, 13 de março de 2012

É preciso mudar - Amir Khair

11/03/2012

 
A divulgação do medíocre crescimento de 2011 veio confirmar que algo esteve errado na condução da política econômica. Parece que o governo não esperava esse péssimo resultado. Há menos de um mês, o ministro da Fazenda ainda falava em estimativa de crescimento de 3%. Deu o que a maioria das análises apontava: 2,7%. Crescimento menor do que nos Estados Unidos (2,8%), que se defrontam com problemas econômicos mais complicados do que nós.

1. Justificativas. Algumas análises procuram a justificativa para esse fracasso na ineficiência e no excesso de despesas do governo federal, que tem de operar com carga tributária e Selic elevadas, pois, como tem déficit nas suas contas, precisa ficar à mercê do mercado para comprar seus títulos, que precisam ser bem remunerados. Assim, encontra-se uma justificativa para o BC ofertar ao mercado uma Selic bem acima do nível internacional. O paradoxo dessas análises é que isso acaba elevando a despesa do governo, via aumento dos juros. É um tiro no pé.

O argumento da ineficiência administrativa tem justificativa, pois há desvios de recursos, a cessão de cargos importantes a políticos despreparados e/ou que visam desviar recursos a seus partidos.

Mas a causa estrutural, que gera a ineficiência administrativa, reside no cipoal legislativo a que tem de se submeter o setor público (União, Estados e municípios), independentemente de quem está no poder. Administrar no setor público é mais complexo burocraticamente do que no setor privado devido ao conjunto de leis, decretos e normas para controle do recurso público.

Mas a gastança maior não está na ineficiência da gestão, mas no uso indevido do recurso público e, como venho denunciando há anos, a pior e mais maléfica gastança é no pagamento de juros devido a elevada e injustificada Selic. Já foi pior: o pico ocorreu na gestão Armínio Fraga, quando atingiu incríveis 45% em março de 1999; com FHC a média bateu em 21,5%; com Lula ficou em 14,8% e no ano passado foi 11,7%. Dilma Rousseff quer 9% neste ano, que ainda é alto.

Mas, na questão do crescimento econômico, o que importa não é a Selic, mas a taxa de juro ao tomador, praticada pelos bancos. Essa é a taxa de juro da economia, e não a Selic. É ela que regula o crescimento econômico.

Na minha avaliação, a economia patinou em 2011 e não cresce mais não é por causa do investimento insuficiente ou nas despesas consideradas por alguns como elevada no governo federal, mas sim pela prática abusiva e tolerada pelo governo na taxa de juro ao tomador (pessoa ou empresa). A gravidade do problema invade até as instituições oficiais de crédito, como o Banco do Brasil e a Caixa, que quase não se distinguem dos bancos privados, evidenciando o pouco caso do governo com a questão.

O que brecou o crescimento foram exclusivamente as medidas macroprudenciais implantadas no início de 2011, para reduzir o consumo e combater a inflação, cuja origem era fundamentalmente externa, por conta dos preços elevados das commodities, que geraram inflação em todos os países.

O governo errou ao usar essas medidas, que encareceram instantaneamente o crédito, arrefecendo o consumo. A produção encolheu, pois as perspectivas de consumo não eram as desejadas. E, com o encolhimento da produção, caiu o investimento das empresas, responsáveis por 80% a 90% do investimento no País. Pesa pouco o investimento do governo federal; o que vale focar é o investimento das empresas, que só deslancham ante perspectiva de crescimento do consumo.

O governo viu com atraso o impacto das medidas macroprudenciais, talvez influenciado pelo mercado financeiro, que pôs em dúvida a eficácia dessas medidas. Quando as retirou, o estrago já estava feito. Daí o pífio crescimento em 2011, com repercussões para o primeiro trimestre deste ano.

2. Mudança. O governo, em resposta ao mau desempenho econômico de 2011, anunciou que vai adotar medidas fortes para ativar a economia. Entre elas, nova injeção de R$ 30 bilhões para o BNDES, à custa de aumento do endividamento atrelado à Selic. Isso já deveria ter acabado faz tempo. Vai elevar o déficit fiscal, aumentar a dívida bruta e transferir recursos do contribuinte para as grandes empresas.

Acho que existem medidas mais eficazes para ativar a economia sem endividar ainda mais o governo federal. Entre elas, vale destacar a queda da taxa de juro ao tomador. Essa, como venho afirmando em vários artigos, é de longe a maior anomalia macroeconômica suportada pelo País. Ela subtrai poder aquisitivo do consumidor que compra no crediário. É o principal freio ao crescimento. Na série histórica, desde 2000, há vários meses em que a Selic é menor que em outros países, mas não há um mês (!) sequer que algum país tenha ultrapassado nossa monumental taxa de juro ao consumo. Nessa série histórica, os países emergentes praticam em média a taxa de 10% ao ano e os países desenvolvidos 3%. Aqui, em janeiro, emplacou 45%! Esse é o freio.

Para viabilizar a queda dessa taxa de juro, é preciso ampliar a concorrência bancária com três medidas: a) reduzir as taxas de juros do BB e da Caixa; b) estabelecer política diferenciada de depósito compulsório dos bancos no BC - quanto mais baixa a taxa de juro, menor o porcentual de compulsório - e; c) acabar no BC com a injustificada remuneração pela Selic das sobras de caixa diários dos bancos. O efeito dessas medidas é a elevação do poder aquisitivo nas compras pelo crediário e o alívio no capital de giro para a micro, pequena e média empresa.

Outra medida é elevar a base monetária, injetando dinheiro na economia. O déficit fiscal do governo federal é coberto pela emissão monetária e de títulos, sendo a maior parte em títulos, que são onerados pela Selic. O que se propõe é a inversão de papéis, com emissão monetária prevalecendo. Isso alivia a dívida, reduz os juros e desvaloriza o câmbio, contribuindo para enfrentar a derrama de dólares, euros, ienes e libras dos países desenvolvidos.

Uma outra medida é manter o ritmo de queda de 0,75 ponto porcentual na Selic até se situar no nível de 6%, praticado pelos emergentes. A economia de recursos via elevação da base monetária e redução da Selic pode ser usada para aliviar o peso tributário sobre o consumo, o que contribui para a redução da inflação e eleva o poder competitivo das empresas.

Essas são apenas algumas medidas de rápida implementação, que poderão substituir a política conta-gotas de estímulo a alguns setores via empréstimos do BNDES e reduções tópicas do IPI e INSS. É preciso mudar a política econômica e, como principal medida, reduzir o juro, para não repetir o mau resultado de 2011.

MESTRE EM FINANÇAS PÚBLICAS PELA FGV E CONSULTOR



quinta-feira, 29 de dezembro de 2011

Brasil é a sexta economia do mundo: duas formas de ver o mesmo fato.

Na imprensa de hoje aparecem dois artigos que se referem ao fato do anúncio da economia brasileira ter assumido a sexta colocação no mundo pelo tamanho do PIB. O primeiro, é do veterano jornalista do Estadão Alberto Tamer. O segundo do secretário de redação da Folha, Vinicius Mota. Lendo os dois dá prá entender claramente como certa imprensa torce e distorce a realidade e busca manipular a opinião pública. Tamer foi objetivo e mostrou o que disse Guido Mantega sobre o fato e seus limites. Já o secretário da Folha...só quer nos deprimir.

Brasil cresce com realismo

29 de dezembro de 2011

ALBERTO TAMER - O Estado de S.Paulo

Apesar do recuo nos últimos meses, a economia brasileira encerra o ano bem, muito bem mesmo. Cresceu menos, vai ficar só em torno de 3%, porque tinha crescido muito em 2010, mas termina o ano inteira, como registram os indicadores econômicos divulgados ontem pelo Banco Central. São todos positivos, mesmo com a inflação batendo no teto da meta, mas sob controle.

É a sexta no mundo. O PIB brasileiro passou o do Reino Unido e pode alcançar a França, não porque cresceu muito, mas porque eles estagnaram a caminho de uma recessão que todos os institutos de pesquisa e até o Fundo Monetário Internacional (FMI) admitem como inevitável. O Brasil avança 3%, eles recuam 0,6%. Deve passar a França em 2012, deixando para trás os dois países mais desenvolvidos da Europa, depois da Alemanha. Esse fato é importante e não pode ser subestimado. Não é apenas simbólico. É a constatação de uma nova realidade, reconhecida pelo FMI, que deve se confirmar em 2012 porque as medidas de incentivo à demanda já estão sendo aplicadas há mais de um ano no Brasil - que decidiu crescer por dentro. Está explorando e fortalecendo o próprio mercado. As medidas deram certo - em 2008, o consumidor reagiu rapidamente, e não há razão para não acreditar que não darão certo agora. A verdade é que nós acertamos, e eles erraram. Não só isso, continuam errando. Isso já havia ocorrido em 2008 e repete-se agora, agravado pelo peso de uma dívida soberana média na Europa de 100% em contraste com a nossa de 36,6%. A deles, incluindo a dos Estados Unidos, aumenta e a nossa recua. Era de 42% em 2009.

Ajuda e muito. Não é um resultado apenas simbólico. Isso melhora ainda mais a imagem do Brasil, no cenário internacional, facilita a atração de capital externo, que foge dos países em crise e estão vindo para o Brasil. No ano que termina foram US$ 62 bilhões só de investimentos diretos. Mais significativo ainda é que a tendência na Europa, no Japão, nas chamadas economias centrais, é de que a economia continue desacelerando em 2012, enquanto no Brasil, na pior das hipóteses, voltará a crescer 3%. Se as medidas de incentivos forem ampliadas e intensificadas, como o governo anuncia agora, pode chegar a 4%. O próprio FMI admite que a União Europeia não terá um ano, mais uma década perdida. Vamos subir mais algumas escalas na lista das maiores economias mundiais, atrás dos Estados Unidos, China, Japão, Alemanha e França, que gatinha. É isso. É um fato.

Sem festa. O governo e os economistas brasileiros receberam o resultado com realismo, sem festa nem oba-oba. Ninguém saiu em Brasília dizendo "Isto sim é que é país". Ou dizendo que o Brasil não é mais o país do carnaval. E ao que se saiba, não há ainda em formação, no Rio, nenhum bloco do "Somos o Sexto"a desfilar ao lado do bloco do Lula. O ministro Guido Mantega foi sóbrio. Louvou o avanço, disse que subimos também porque eles desceram, é inevitável que passemos a França - a diferença agora é de US$ 300 milhões - porque o país está se retraindo e caminhando para a recessão. Mas, com extremo realismo, Mantega afirmou que as diferenças econômicas e sociais entre eles e o Brasil são enormes. O Reino Unido tem um PIB per capita de US$ 39,6 mil e o Brasil apenas US$ 13 mil; o nosso cresceu mais, 3,8%, o deles apenas 1,1%. Mas "necessitamos ainda de fortes investimentos sociais e econômicos para consolidar um padrão de vida próximo dos europeus". E com ainda mais realismo: "Isso deve acontecer em 10 ou 20 anos". Temos a obrigação de continuar crescendo mais do que os outros para criar emprego e aumentar a renda da população. A boa notícia é que o governo admite que há sérios desafios. Vai subir na escala da economia mundial, mas é preciso mais. Não é porque eles estão mal que sozinhos estaremos melhor.

Feliz 2012! Aos leitores que me acompanharam neste ano e aos que acompanham a coluna nos 18 anos de existência que completará em 2012, um ano-novo em que os sonhos e as esperanças se realizem. Temos de confiar.

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Inflação ajuda Brasil a superar PIB britânico

 
VINICIUS MOTA

SECRETÁRIO DE REDAÇÃO

O Brasil vai se tornar a sexta maior economia mundial por três motivos, em ordem de importância: inflação, alta da produção doméstica e valorização do real.

De cada US$ 100 adicionados ao valor do PIB nos últimos dez anos, US$ 68 decorrem da soma do primeiro e do terceiro fator -variação de preços internos e câmbio. A alta física do produto responde pelos US$ 32 restantes.

No mesmo período, a trajetória do Reino Unido, a ser ultrapassado pelo Brasil, foi bem diferente. A elevação da produção física foi responsável por 67% da alta do valor do PIB em dólares. Inflação e variação cambial explicam 33% do resultado.

De 2001 a 2011 -tomando a projeção do FMI para este ano-, o PIB brasileiro em dólares (PIB "nominal", no jargão) aumentou 355% (multiplicou-se por 4,5). Já o PIB real, sem os efeitos dos preços e do câmbio, cresceu 46%.

Daí se conclui que, não fossem a inflação mais alta e os ganhos do real diante do dólar, o Brasil iria demorar muito mais tempo para ultrapassar a economia britânica.

O objetivo de medir o PIB é chegar a uma cifra que expresse o volume produzido por um país em certo período. Simplificando, o desafio é exprimir a quantidade de carros, edifícios, geladeiras etc. fabricados num ano.

O resultado pode ser comparado aos de períodos anteriores e então se sabe se o PIB, o volume da produção, caiu ou cresceu -e quanto.

Convém expressar o PIB numa unidade de conta comum, dinheiro corrente, desde que se tome cuidado com os efeitos da inflação.

Suponha o leitor que o faturamento da indústria aeronáutica, num exemplo meramente ilustrativo, subiu de R$ 100 bilhões para R$ 110 bilhões de um ano para o seguinte. Este último valor, acusando alta de 10%, vai compor o PIB nominal brasileiro.

Mas digamos que a quantidade de aviões produzidos tenha ficado igual nesse período -e tudo o que houve foi alta de preços. Então a contribuição do setor aeronáutico para a variação real do PIB terá sido zero.

No Brasil, que apresenta inflação mais alta se comparado a países desenvolvidos, a discrepância entre crescimento nominal do PIB e sua alta real costuma ser grande.

Em 2009, o PIB real brasileiro caiu 0,3%, enquanto o nominal cresceu 6,8%. Em 2010, o real aumentou 7,5%, contra 16,4% do nominal.

Quando a tarefa é expressar em dólares esse PIB nominal -a fim de comparar o desempenho de várias nações-, surge a dificuldade adicional da taxa de câmbio.

Tome-se de novo o exemplo dos aviões, agora supondo que R$ 1 valia US$ 1 no primeiro ano e US$ 1,10 no segundo. Como foi visto, o PIB nominal em reais daquele setor aumentou de R$ 100 bilhões para R$ 110 bilhões só em virtude da inflação.

Coloque-se na conta o efeito da valorização do real, e o resultado será o PIB nominal em dólares passando de US$ 100 bilhões para US$ 121 bilhões de um ano para outro, alta de 21%. Isso a despeito de a variação real da produção de aviões ter sido nula.

Esse duplo efeito, da inflação e do câmbio, foi acentuado nos últimos anos. O IBGE mostra que a inflação embutida no cálculo do PIB -chamada de "deflator implícito"- teve alta de 138% entre 2001 e 2010. No mesmo período, tomando-se a cotação média anual, o real valorizou-se 25% em relação ao dólar.

Em outros períodos da história, inflação e desvalorização cambial caminhavam juntas, uma alimentando a outra. Se a inflação elevava o PIB nominal, a desvalorização o podava na hora de convertê-lo em dólares.

Esse padrão se alterou na década passada, porque o Brasil passou a acumular superávits expressivos no comércio e nas finanças internacionais -em razão sobretudo da alta na cotação de produtos, como minério de ferro e comida, que o país exporta em abundância.

Esse fato inverteu as regras do jogo, alimentou a valorização do real e ajudou a conter a inflação -mas não a ponto de impedir que, pelo efeito da alta moderada dos preços, o poder de compra internacional do Brasil aumentasse substancialmente.



domingo, 13 de novembro de 2011

Boa Notícia: Monopólio do cimento pode ser punido.

A Secretaria do Direito Econômico do Ministério da Fazenda concluiu uma investigação da atuação de seis empresas de cimento que organizaram um cartel para elevar os preços. As empresas deverão ser multadas pelo CADE. O cimento é um dos principais fatores de aumento dos custos na construção civil.

SDE recomenda condenação de cimenteiras por cartel

10 de novembro de 2011

SÃO PAULO/BRASÍLIA - A Secretaria de Direito Econômico (SDE) recomendou nesta quinta-feira a condenação de seis empresas do setor cimenteiro por formação de cartel, num processo que pode ter causado prejuízo de até 1,5 bilhão de reais por ano, segundo o órgão.

As empresas envolvidas são a suíça Holcim, a portuguesa Cimpor e as brasileiras Votorantim, Camargo Corrêa, Itabira Agro Industrial e Companhia de Cimentos Itambé. A decisão da SDE foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira.

"(As empresas) faziam acordos para preços, aumento de preços, divisão de mercado, participação coordenada não só na indústria de cimento, mas na indústria de concreto", disse a jornalistas o secretário de direito econômico, Vinícius de Carvalho.

Juntas, as empresas citadas têm cerca de 90 por cento do mercado de cimento e concreto do país.

De acordo com Carvalho, há indícios de que a aquisição de indústrias de cimento e de concreteiras e a troca de ativos tenham sido parte da ação coordenada do cartel, para impedir a entrada de empresas independentes no mercado.

Entre 2009 e 2010, a Companhia Siderúrgica Nacional tentou comprar a Cimpor, mas acabou desistindo da operação depois que Camargo Corrêa e Votorantim compraram participações na empresa portuguesa.

Além das empresas, a SDE inclui na recomendação de condenação a Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Concretagem (Abesc), a Associação Brasileira de Cimento Portland (ABCP) e o Sindicato Nacional da Indústria do Cimento (SNIC). Seis pessoas físicas também estão incluídas.

As associações seriam usadas para a troca e coordenação de informações sobre o mercado, disse o secretário.

Representantes do Snic, Holcim, Votorantim e Camargo Corrêa não comentaram o assunto de imediato. A ABCP não se pronunciou e representante da Abesc não estava disponível para falar sobre o assunto.

O Brasil é o quinto maior produtor de cimento do mundo, atrás de China, Índia, Estados Unidos e Turquia. O número de produtores brasileiros caiu de 19 na década de 1990 para cerca de 10 no ano passado.

PERDAS

"O faturamento total da indústria em 2008 foi de 15 bilhões, se a gente pensar que o cartel aumentava em 10 por cento os preços, a gente tem 1,5 bilhão de prejuízo por ano para a sociedade brasileira", disse Carvalho. O secretário afirmou que o esquema de cartel foi comprovado em 2007, mas não comentou quando ele teria sido iniciado.

O caso será encaminhado para o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) em cerca de 15 dias para ser avaliado pelo órgão. Em seu despacho, Carvalho recomendou a "aplicação de multa por infração à ordem econômica", que pode chegar a 30 por cento do faturamento bruto das empresas no ano anterior à instauração do processo. Ele evitou comentar sobre valores.

"(Mas), dado o fato de que é um setor que tende a essa conduta cartelizadora, a gente pode sugerir que o Cade faça a cisão de algumas empresas", disse ele.

Em nota a SDE afirmou que "considera necessária penas de cisão de ativos nos mercados de cimento e concreto para que a concorrência seja estabelecida", mas o secretário não comentou sobre em quais empresas uma divisão de ativos seria necessária.

A investigação, que confirmou a existência do cartel em 2007, foi iniciada em 2006, após a denúncia de um ex-funcionário da Votorantim sem envolvimento no caso. Carvalho disse que uma nova investigação poderá ser aberta caso haja indícios de que a prática segue em andamento.

No caso, a SDE decidiu arquivar o processo contra a Lafarge, que acertou acordo com o Cade, e contra a Cimentos Liz "por insuficiência de provas de sua participação na conduta investigada".

(Por Hugo Bachega, em Brasília; e Alberto Alerigi Jr., em São Paulo)