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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Sabesp não investiu 37% do previsto em obras pré-crise

Avaliação consta de documento interno da empresa sobre anos 2008-2013 

Foto: Transparência São Paulo

 Novo sistema de abastecimento atrasou três anos; companhia afirma que teve um 'bom desempenho' A Sabesp não investiu 37% do que tinha previsto para a realização de obras no período entre 2008 e 2013.

A avaliação consta de um documento interno da empresa finalizado em dezembro do ano passado, antes da mais grave crise de fornecimento de água que a Grande São Paulo já enfrentou. O sistema Cantareira, responsável pelo abastecimento de 9 milhões de pessoas, estava com 25% da sua capacidade na última sexta-feira (30) --se não fosse o uso de uma reserva de emergência chamada "volume morto", o nível estaria em 6,5%.

 O documento interno ao qual a Folha teve acesso é o Plano Metropolitano de Água III, assinado por um grupo de trabalho que envolve ao menos duas diretorias da Sabesp. Os autores, após elencar benefícios de obras realizadas, criticam os resultados obtidos no período. A não execução de investimentos "resultou em um considerado descompasso entre o previsto' e o realizado' nesse programa", diz o texto.

 Um atraso destacado pelos analistas é a construção do sistema São Lourenço, que trará água do interior do Estado até a Grande São Paulo. "O fato mais relevante a ser considerado é a postergação do início da implantação do Sistema Produtor São Lourenço de 2011 para 2014", escrevem os autores.

 A obra, prevista para 2011, foi lançada só em abril deste ano pelo governador Geraldo Alckmin (PSDB), durante a crise hídrica. O investimento estimado é de R$ 2,2 bilhões. Em outro ponto do relatório, os analistas também afirmam que, entre 2008 e 2013, ficaram praticamente pela metade obras que tornam mais confiável a integração entre os diferentes reservatórios que abastecem as cidades da Grande São Paulo Essa integração é importante em uma seca como a atual, em que outras represas estão sendo usadas para fornecer água a áreas antes atendidas pelo Cantareira.

 OUTRO LADO 

 A Sabesp informou, por meio nota, que considera bom seu desempenho durante o período 2008-2013. Na interpretação da empresa, o relatório evidencia que os "benefícios e resultados alcançados atingiram bom desempenho, tendo em vista o horizonte de planejamento de longo prazo". A Sabesp confirma que o sistema São Lourenço será entregue no fim de 2017. A empresa diz que, como as tubulações vão passar por área de preservação ambiental, o traçado teve de ser refeito para minimizar impactos, o que atrasou o cronograma.


 Fonte: Folha de S.Paulo

terça-feira, 6 de agosto de 2013

PT quer CPI na Câmara dos Deputados para investigar corrupção no metrô de São Paulo

São Paulo – O deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) pediu ontem (5) ao líder do partido na Câmara dos Deputados, José Guimarães, que encabece um pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Casa para investigar a prática de cartel denunciada pela empresa Siemens através da delação premiada. O cartel teria promovido um esquema de corrupção que envolve o governo do estado de São Paulo, liderado pelo PSDB, desde a gestão Mário Covas, passando pelas gestões José Serra e Geraldo Alckmin.
A bancada do PT discute hoje (6) quem deve ser o autor do pedido de instalação da CPI. Teixeira se prontificou a apresentar o pedido. Diante da dificuldade de instalação da comissão para investigar o mesmo tema na Assembleia Legislativa de São Paulo, o deputado afirma que, na Câmara, as resistências devem ser vencidas sem dificuldades, já que a sociedade, além de órgãos públicos, pedem esclarecimentos sobre as denúncias.
“Não vai ter como esconder porque já tem procedimento do Ministério Público Estadual e na Polícia Federal. Há uma mobilização da sociedade, dos jovens que pedem esclarecimento do fato. Não terá como segurar este escândalo sem que seja investigado.”
Segundo ele, a investigação deve ser a mais abrangente possível. “Tudo deve ser investigado por todos estes órgãos, para que tenhamos o maior esclarecimento possível e que se recuperem os recursos desviados. Fala-se em R$ 517 milhões. Esse dinheiro daria para construir inúmeras escolas, creches, e até mesmo aumentar o tamanho do metrô.”
Ainda segundo Teixeira, que falou à Rede Brasil Atual, o PSDB tenta desqualificar o caso dando a ele motivação exclusivamente política. “O PSDB está tentando transformar debate numa briga com o Cade, com o governo federal. O que precisa ser feito é ir a fundo na investigação, e não se deixar colocar panos quentes e engavetar denúncias.” O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) é vinculado ao Ministério da Justiça.

Dificuldades da Assembleia

No âmbito estadual, o PT quer a abertura de uma CPI na Assembleia para investigar a responsabilidade ou omissão de agentes públicos e políticos do PSDB relacionados às denúncias de formação de cartel entre empresas para obras e manutenção de equipamentos do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM).
O cartel seria formado pelas empresas Alstom, Bombardier, CAF, Siemens, TTrans e Mitsui, envolvendo superfaturamento nos preços, pagamento de propinas e fraudes em licitações e contratos desde 1997, período de hegemonia do PSDB no Palácio dos Bandeirantes.
A instalação da CPI tem duas barreiras difíceis de transpor. A regimental, que depende do Colégio de Líderes para ser superada, e a política. Com 26 assinaturas já coletadas, o PT teria de conseguir o apoio de mais seis deputados entre os 68 que Alckmin tem a seu favor. A aposta é que as assinaturas que faltariam para viabilizar a CPI sejam de deputados que se sintam constrangidos em não apoiar uma iniciativa cuja demanda tem a ver com as recentes manifestações de rua por transparência e contra a corrupção, um risco alto em ano pré-eleitoral.
O deputado Olímpio Gomes, o Major Olímpio, é um dos 26 que apoiam a CPI, embora seu partido (PDT) seja da base do governador. “O caso é uma das grandes roubalheiras da história e eu não compactuo com ladrão”, justifica. “Está mais do que escancarado que esse cartel se formou desde o governo Covas, passou por Alckmin, Serra, e Alckmin de novo. E não é a oposição que denuncia. Foi a Siemens que veio a público.”

sexta-feira, 26 de julho de 2013

É fato: corrupção tucana no Metrô de SP está escancarada


Há 20 anos, desde Mário Covas e mantido pelos governos de José Serra e Geraldo Alckmin, o esquema envolve volumosas cifras pagas em propinas por aproximadamente 11 transnacionais, além do desvio de dinheiro público das obras do Metrô e da Companhia Paulista de Transportes Metropolitano (CPTM).

A Siemens, que também fazia parte do esquema, revelou que as empresas venciam concorrências com preços superfaturados para a manutenção e a aquisição de trens e para a realização das obras de expansão de linhas férreas tanto da CPTM, quanto do Metrô.

Segundo investigações concluídas na Europa, a teia criminosa também vinculada a paraísos fiscais, teria onerado minimamente, até o momento, 50 milhões de dólares dos cofres públicos paulistas.

Ademais, informações recentes de um inquérito realizado na França apontam que parte da verba movimentada nas fraudes seria para manter a base sólida do esquema no Brasil, formada pelos governadores tucanos, funcionários de alto escalão do governo, autoridades ligadas ao PSBD e diversas empresas de fachada montadas para atuar na trama.

Dessa forma, o financiamento de campanhas eleitorais aos governadores do PSDB foi constante desde o início da fraude na tentativa de manter a homogeneidade do esquema ilícito.

“Não dá para manter uma armação dessas sem uma base, um alicerce que garanta a continuação das falcatruas. Por isso José Serra e Alckmin, que se alteram no poder nos últimos anos, estão intimamente bancados e ligados a essa tramoia”, acusa Simão Pedro, secretário municipal de Serviços.

Um dos executivos da Siemens, que prestou depoimentos ao Ministério Público paulista, confirma as acusações de Simão. “Durante muitos anos, a Siemens vem subordinando políticos, na sua maioria do PSDB e diretores da CPTM”, relata.

Agora, diante de provas contundentes, sobre o que seria um dos maiores crimes de corrupção da história envolvendo o transporte público no Brasil, políticos da oposição, autoridades no assunto e parte dos próprios metroviários questionam no momento a forma como a justiça brasileira vem tratando o caso.

Para eles, o episódio ganhou apenas mais um capítulo com a delação da Siemens ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE), pois a situação já é investigada e denunciada com vigor desde 2008 por países europeus. Porém, no Brasil, algo parece amarrar o andamento dos 15 processos abertos pelo Ministério Público, só em São Paulo.

Há 20 anos, desde Mário Covas e mantido pelos governos de José Serra e Geraldo Alckmin, o esquema envolve volumosas cifras pagas em propinas por aproximadamente 11 transnacionais. Foto: Goveno SP

Nomes

A transnacional francesa Alstom, a canadense Bombardier, a espanhola CAF e a japonesa Mitsui são algumas das que fazem parte do esquema delatado pela Siemens. Após ganhar uma licitação, essas empresas geralmente subcontratavam uma outra para simular os serviços, e por meio da mesma realizar o pagamento da propina.

Em 2002, no governo de Geraldo Alckmin, a alemã Siemens venceu a disputa para manutenção preventiva de trens da CPTM. Para isso, subcontratou à época a MGE Transportes. A Siemens teria pagado a MGE R$ 2,8 milhões em quatro anos. Desse montante, ao menos R$ 2,1 milhões foram distribuídos a políticos do PSDB e diretores da CPTM.

Diversos nomes foram citados na delação da transnacional alemã que fariam parte da lista de pagamento de propinas das diversas empresas de fachada. São eles: Carlos Freyze David e Décio Tambelli, respectivamente ex-presidente e ex-diretor do Metrô de São Paulo; Luiz Lavorente, ex-diretor de Operações da CPTM; além de Nelson Scaglioni, ex-gerente de manutenção do Metrô paulista. Scaglioni, por exemplo, seria o responsável por controlar “várias licitações como os lucrativos contratos de reforma dos motores de tração do metrô, em que a MGE teria total controle” diz trecho do documento da delação.

No mais, outro ponto do depoimento do executivo da Siemens que vazou à imprensa cita Lavorente como o responsável por receber o dinheiro da propina e fazer o repasse aos políticos do PSDB e partidos aliados.

Silêncio no Tribunal

Se as provas estão às claras, a pergunta que paira no ar é por que a justiça brasileira, sendo previamente avisada por órgãos da justiça internacional europeia sobre casos parecidos que pipocavam, em outros lugares do mundo, envolvendo a Alstom, por exemplo, não tomou as devidas providências e permitiu que novos contratos fossem realizados com o governo paulista.

Em 2010, dois anos após as investigações terem se iniciado também no Brasil, José Serra estabeleceu um contrato de R$ 800 milhões com a Alstom para supostamente resolver o problema da superlotação dos trens do metrô. A alternativa era aumentar a malha ferroviária e modernizar o sistema do metrô nas linhas 1, 2 e 3.

Uma das exigências da Alstom, entretanto, era que os trens da composição fossem reformados pela mesma para que se adequassem ao novo sistema. “O orçamento apresentado pela transnacional francesa ficou mais caro do que se fossem comprar novos trens, mesmo assim Alckmin aceitou e bancou”, diz Paulo Pasim, secretário-geral do Sindicato dos Metroviários de São Paulo.

Com o término da implantação do sistema previsto para 2011, até o momento a empresa não viabilizou o prometido. “A Alstom não tinha as mínimas condições técnicas para realizar o projeto e ganhar a licitação, tanto é que estamos em 2013 e a empresa não conseguiu fazer o que foi prometido”, afirma Pasim.

Diante dos fatos, a reportagem do Brasil de Fato tentou contato com diversos promotores de Justiça para apurar sobre o andamento das investigações já instauradas contra a Alstom. O responsável pela investigação sobre a empresa francesa, o promotor Silvio Marques do Ministério Público Estadual, não quis prestar declarações.

Outros dois promotores foram procurados pela reportagem, Marcelo Mendroni, que investiga as irregularidades da linha 5 do Metrô, e Roberto Bordini. Ambos também preferiram não comentar sobre o assunto. Por fim, o promotor Saad Mazum, que investiga a improbidade administrativa do caso não foi encontrado até o fechamento dessa edição.

“O único lugar que o processo de investigação não foi levado adiante foi no Brasil. Nos outros países o desfecho foi mais rápido”, lamenta Pasim. Na Inglaterra, França e Suíça, as investigações concluíram que a Alstom realizava pagamento de propina para ganhar licitações.

Também foi confirmado que os executivos da transnacional francesa estavam envolvidos em lavagem de dinheiro e fraude na contabilidade da empresa. O deputado federal Ivan Valente (PSOL) também reclama da demora e do silêncio da justiça brasileira frente aos crimes. Ele aponta que desde 2009 vem realizando uma série de denúncias contra as relações de irregularidades envolvendo o PSDB, a Alstom e a Siemens em licitações de obras públicas.

“Até agora esperamos resposta do promotor do processo Silvio Marques, mas sem sucesso”, reclama.

Para Valente, é necessário, diante dessas novas denúncias, cobrar com rigor a Justiça para que todos os envolvidos sejam punidos verdadeiramente. “Não cabe ao Cade ou ao Ministério Público conceder delação premiada a Siemens ou fazer acordo e aplicar multa às transnacionais envolvidas num caso de corrupção milionário como esse. Todos têm que pagar, inclusive Serra e Alckmin”, cobra.

Por que a Siemens delatou?

Ao expor à Justiça os detalhes do cartel formado por diversas transnacionais para avançar sobre licitações públicas envolvendo o metrô de São Paulo e os trens da Companhia Paulista de Transportes Metropolitano (CPTM), a alemã Siemens ficará livre de possíveis processos referentes ao caso.

Para o deputado federal Ivan Valente, não resta dúvida de que a Siemens agiu muito mais em busca de uma situação favorável a ela do que por um sentimento de honestidade ou arrependimento por fazer parte das irregularidades.

“A atitude da Siemens é a tentativa de limpar a barra dela caso a situação viesse a público de outra forma, ainda mais nesse clima anticorrupção que vivemos nas ruas”, pensa o deputado.

Ademais, a Siemens teria a intenção de formar um clima favorável para ganhar futuras licitações públicas no âmbito do transporte público na esteira dos grandes eventos esportivos, Copa do Mundo e Olimpíadas. Não por acaso, as empresas denunciadas pela Siemens: Alstom, Bombardier, CAF e a Mitsu apresentaram projeto para as obras do trem-bala entre São Paulo e Rio de Janeiro, que será licitado em agosto. “Por isso, de olho nos diversos negócios futuros no Brasil, a Siemens não queria se comprometer”, conclui Valente.


quinta-feira, 25 de julho de 2013

Rillo apresenta pedido de investigação contra Alckmin


O deputado estadual João Paulo Rillo apresentou nessa quarta-feira, dia 24, representação ao procurador-geral de Justiça de São Paulo, Márcio Fernando Elias Rosa, para apurar indícios de improbidade do governador Geraldo Alckmin em relação às denúncias de desvios de recursos públicos do Metrô e da CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos). 

O objetivo da representação é “apuração de possível improbidade administrativa por omissão na conduta do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, face ao acordo de leniência da multinacional alemã Siemens junto às autoridades brasileiras, representadas pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), e diante de reportagens publicadas veiculadas nesta última sexta-feira, 19 de julho de 2013, pela revista Istoé, do Brasil, e portal Deutsche Welle, grupo de mídia da Alemanha, que apontam para uma ação ininterrupta, por quase 20 anos, de 1995 até os dias atuais – durante sucessivos governos do PSDB no Estado de São Paulo - de pagamentos de supostas propinas pela multinacional alemã Siemens, originárias de desvio de dinheiro das obras do Metrô e dos trens metropolitanos (...)”.

Rillo e o deputado Enio Tatto já haviam alertado o Ministério Público e o governador sobre os desvios na Linha 5 do metrô, em 2011. O então presidente do Metrô foi afastado do cargo pela Justiça e, mesmo após o Ministério Público apontar um prejuízo de mais de R$ 300 milhões, Alckmin retomou as obras da Linha 5 apesar das denúncias de acertos entre as empresas concorrentes da licitação. O escândalo teve recentemente mais um capítulo com o acordo de leniência feito entre a Siemens e o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica). A empresa alemã confirmou o esquema de propinas e apresentou planilhas de pagamento e nomes. 

O documento apresentado por Rillo ao procurador foi instruído com cópias de dezenas de matérias publicadas em diferentes veículos de comunicação, no Brasil e no exterior, com informações sobre o esquema.


quarta-feira, 5 de junho de 2013

Estado de São Paulo recusa verbas federais para alfabetização de adultos

São Paulo – Depois de dez anos de estudo para realizar o sonho de aprender a ler e a escrever, Terezinha Brandolim, de 82 anos, se viu sem alternativa no começo deste ano: a escola em que estudava, no município paulista de Ribeirão Preto, fechou as duas turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) na qual estudavam pessoas de todos os níveis de escolaridade.
Com a impossibilidade de a mãe continuar os estudos, sua filha, Maria Zulmira de Souza, convidou-a para ficar em São Paulo, onde mora. “Mas todas as escolas aqui perto estavam fechando seus cursos de alfabetização”, conta. Ela, então, contratou uma professora particular, que dá aulas para "dona Tetê" três vezes por semana. “Resolvi fazer esse esforço porque deixei muito tempo na mão do governo, que dizia dar conta, mas não funcionava.”
Dona Tetê faz parte do conjunto de 1,7 milhão de paulistas adultos que não sabem ler nem escrever, total equivalente à população de Curitiba. Ainda assim, São Paulo, segundo o Ministério da Educação (MEC), foi o único estado do país a não aceitar recurso do governo federal para alfabetização de adultos pelo Programa Brasil Alfabetizado neste ano. A verba, que varia segundo o número de alfabetizandos e alfabetizadores, poderia ser usada para pagamento de professores e coordenadores, além da aquisição de materiais pedagógicos para as aulas.
Com adesão das demais 25 secretarias de Educação (mais o Distrito Federal), o programa do MEC atende hoje 959 prefeituras. O objetivo é chegar ao final de 2013 em 3.359 municípios e 1,5 milhão de pessoas.
A Secretaria de Educação de São Paulo informou que o estado possui seu próprio programa na área, o Alfabetiza São Paulo, que atende a 25 mil alunos em 38 municípios, entre eles a capital paulista e Ribeirão Preto.
A verba para o projeto neste ano é de R$ 8.879.916. O montante não está discriminado no Orçamento do estado por, segundo a secretaria, estar incluído no Programa de Inclusão de Jovens e Adultos na Educação Básica, que atende a todas as etapas do ensino. O dinheiro, no entanto vai para ONGs, e não para as prefeituras.
As ONGs, segundo nota da secretaria, fazem uma “uma ação complementar ao trabalho que já deve ser realizado pelas administrações municipais”.
A secretaria reforçou que a alfabetização faz parte dos anos iniciais do ensino fundamental, de responsabilidade dos municípios, que ficaram livres para aderir ao programa federal. Apesar do programa estadual, 40 prefeituras paulistas aceitaram o apoio, com o qual 11.954 pessoas devem estudar neste ano. O ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab (PSD) não aderiu ao Brasil Alfabetizado no ano passado, o que possibilitaria sua implementação em 2013.
O especialista em Educação de Jovens e Adultos da ONG Ação Educativa, Roberto Catelli, questiona o programa. “O Alfabetiza São Paulo não dá conta da demanda. Está longe de dar, por isso, o estado não deveria deixar de aceitar ajuda”, avalia. “Um programa não inviabiliza o outro, pelo contrário.”
Ribeirão Preto, onde mora dona Tetê, participa dos dois programas. “O estado defende que o percentual de analfabetos é baixo, mas em número absolutos é muito alto. Só na cidade de São Paulo são 300 mil, segundo dados do Censo de 2010, quase a população da cidade mineira de Uberaba”, afirma.
Catelli lembra também que o Brasil Alfabetizado, do governo federal, peca na falta de avaliação dos resultados alcançados e por não propor meios de os alunos continuarem estudando depois de alfabetizados. “Temos dados que provam que menos de 10% continuam na escola”, afirma.

Esforço reconhecido

Segundo Maria Zulmira, filha de dona Tetê, ela avançou muito de janeiro, quando começou a ter aulas particulares, até agora. “A gente sai na rua e eu tento ler as placas”, conta Tetê. “Qual aquela que você leu que me deixou emocionada?”, pergunta Maria Zulmira. “Imperatriz”, respondeu a mãe, orgulhosa.
“Fui em muitas escolas municipais e estaduais, mas era muito difícil”, conta dona Tetê. “Quando eu estava na escola, as professoras davam mais atenção para quem estava sabendo mais. Ela dava exercício que nem para criança e depois, no mesmo instante, dava aqueles problemas grandes, com contas muito fortes. Eu não fazia nem as pequenas quanto mais as grandes... Aí eu só copiava... cheguei até a chorar na escola.”
Dona Tetê, natural do município de Monte Azul Paulista, a 420 quilômetros de São Paulo, não pôde seguir seus estudos na infância por ter de ajudar os pais, dois colonos agricultores, nos períodos de colheita. “Sempre tive vontade de voltar a estudar. Mesmo depois de casada tive que trabalhar muito. Meu marido e meus filhos tentaram ajudar, mas a gente ficava só um pouco no estudo e depois tinha que voltar para a roça”, conta.
“Aprender a ler é tudo, muda tudo. Eu fico em casa de noite sozinha, sentada no sofá, olhando a televisão. Só tem a TV e eu não gosto muito. Mas, se eu soubesse ler, eu pegava um livro ou escrevia algo”, diz. “Quando eu aprender, quero fazer a leitura da igreja para todo mundo ouvir”, planeja. Outra vontade é retornar para Ribeirão Preto, para estar mais perto da família e dos amigos.
“Eu já chorei muito pela falta da leitura. Chegam as correspondências em casa e eu tenho que dar para os outros lerem. Quando meu marido morreu, há 30 anos, tive que buscar trabalho sem saber ler. Eu só fazia limpeza e trabalhava na roça. Faz falta, muita falta.”
Para Maria Zulmira, alfabetizar a mãe virou um desafio pessoal. “Eu faço questão de contar a história da minha mãe porque eu imagino que essa deva ser a história de muitas outras pessoas. Deve haver tanta gente adormecida que nem minha mãe. Quantos artistas e escritores poderiam ter sido produzidos neste país? Quantas pessoas poderiam ter tido a oportunidade de realizar seus sonhos?”

terça-feira, 28 de maio de 2013

Deputados cobram combate ao crime organizado em São Paulo


Os deputados petistas Assis do Couto (PR), Cândido Vaccarezza (SP) e Nelson Pellegrino (BA), autores da proposta de audiência pública, na Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado, querem também explicações do secretário do governo Geraldo Alckmin (PSDB) sobre o crescente índice de criminalidade em São Paulo.

Nelson Pellegrino disse que foi um equívoco o governo de São Paulo não ter combatido o PCC logo no início da sua formação, na década de 1990. “Foi um erro. Eles deixaram essa organização criminosa, criada supostamente para defender os direitos de pessoas encarceradas, se fortalecer, e hoje os maiores criminosos do Brasil comandam o crime dentro e fora dos presídios”, criticou.

O parlamentar disse ainda que vai defender que o governo de São Paulo aceite a parceria com o governo federal no combate ao crime organizado no estado. “É outro equívoco do governo do PSDB não aceitar essa parceria que funcionou tão bem no Rio de Janeiro. Por isso, vamos insistir nessa ação conjunta pela segurança da população de São Paulo”, afirmou.

O deputado Assis do Couto fez coro às palavras de Pellegrino na defesa de um combate mais efetivo ao PCC. “Esse não é um problema só do estado de São Paulo. O PCC comanda o crime organizado e espalha o terror e a violência por todo o País. Os estados de Santa Catarina e do Paraná foram alvos recentes dessa organização criminosa”, citou.

Sobre o aumento da criminalidade em São Paulo, os deputados petistas citaram dados da própria Secretaria de Segurança do governo Alckmin. Pelas estatísticas, o número de homicídios dolosos – em que há intenção de matar – subiu 16,85% na capital paulista em janeiro de 2013, em comparação a janeiro de 2012. Ao todo, foram 416 casos de assassinatos contra 356 em janeiro do ano passado. O aumento do número de vítimas foi de 17,8% (de 386 para 455). Os latrocínios também subiram (61,9%), assim como os roubos (9,29%).


quinta-feira, 18 de abril de 2013

Tucanos de SP esbanjam em publicidade


Sem maior estardalhaço, o jornal Estadão divulgou na semana passada os gastos em publicidade dos governadores tucanos José Serra e Geraldo Alckmin. Segundo reportagem de Fernando Gallo, feita com base na Lei de Acesso à Informação, de 2003 a 2012 o governo paulista gastou R$ 2,44 bilhões com propaganda. Enquanto a administração direta desembolsou R$ 1,2 bilhão, as cinco principais empresas estatais de São Paulo gastaram R$ 1,24 bilhão – em valores atualizados pela inflação.
“Somados, os gastos com publicidade do governo paulista nesses dez anos somaram, portanto, R$ 2,44 bilhões. No período, o Estado foi governado por Geraldo Alckmin e José Serra, ambos do PSDB. Com o valor gasto em propaganda, seria possível construir mais da metade da segunda fase da linha 5 do metrô, que vai ligar o Largo Treze à Chácara Klabin, ou custear o Instituto do Câncer por sete anos. O valor gasto com publicidade também equivale a 33 vezes o orçamento da Secretaria dos Direitos da Pessoa com Deficiência”.
O Estadão ainda observa que o pico dos gastos ocorreu em 2009, quando Serra e Alckmin já se preparavam para enfrentar as eleições para a presidência e o governo estadual, respectivamente. Neste ano, estatais como Sabesp, Metrô, CPTM, CDHU e Dersa gastaram um total de R$ 340,6 milhões. “O valor é quase igual aos R$ 345,9 milhões que as cinco estatais gastaram em todos os seis anos anteriores, no período 2003-2008 – em 2008, por exemplo, elas despenderam R$ 110 milhões; em 2007, R$ 48 milhões”.
“Em 2009, quando o PSDB articulava a candidatura do então governador Serra a presidente, Metrô e CPTM fizeram fortes campanhas de marketing sobre a expansão de linhas e a compra de novos trens. A Dersa investiu na publicidade do Rodoanel e da Nova Marginal. A Sabesp criou campanhas sobre o projeto Tietê e o uso responsável da água”. O jornalão da famiglia Mesquita, que sempre dá apoio explícito aos tucanos, só não diz que parte desta propaganda foi falsa. Ele também não revela quem recebeu a grana de publicidade! Quanto será que o Estadão embolsou?

quinta-feira, 14 de março de 2013

Por decreto, Alckmin reduz investimentos no Estado


A redução de recursos no Orçamento do Estado é uma prática constante do governo tucano, realizada por meio de decretos assinados pelo próprio governador. Muitas vezes o que é elencado como prioridade da administração, no decorrer do ano, com os cortes orçamentários, apresenta-se apenas como uma “jogada de marketing”.

Em 2012, a redução de recursos alcançou o valor de R$ 5,5 bilhões e as suplementações chegaram a R$ 6,7 bilhões. As ações orçamentárias foram sofreram corte de 45%.

Entre as principais ações orçamentárias reduzidas estão os repasses para investimentos do metrô e para a Dersa, que refletiram diretamente na baixa execução das obras para a Copa do Mundo de Futebol na zona leste da Capital, da rodovia Nova Tamoios e o atraso de dois anos no trecho norte do Rodoanel.

Esta redução na área de transportes e mobilidade urbana é exemplo de como o governo tucano estabelece em discurso uma prioridade e depois em ações nada é realizado.

No caso do metrô, o governo paulista deixou de repassar R$ 1,2 milhão e para a Dersa de R$ 1,1 bilhão. Isto ajuda explicar o porquê a Dersa deixou de realizar investimentos de R$ 1,17 bilhão e o metrô de R$ 2,7 bilhões.

O caos cotidiano nas linhas da CPTM também pode ser reflexo direto da falta de repasse de investimentos para a companhia, que totalizaram R$ 165 milhões.

A linha 10 – Luz-Rio Grande da Serra teve corte (R$ 95 milhões). Para a linha 11 - Expresso Leste deixaram de ser aplicados chega mais de R$ 215 milhões e para a linha 12 – Brás – Calmon Viana, o corte orçamentário chegou a R$ 62 milhões.

Cortes significativos também foram registrados nas áreas de saúde, habitação, segurança pública e saneamento.

Governador tem margem de remanejamento

O governador Geraldo Alckmin tem a margem de remanejamento no orçamento de no mínimo 17%, isto significa que ele pode transferir recursos previstos no orçamento de uma área para outra na administração pública. Essa transferência é feita por meio de decretos.

Os decretos são publicados periodicamente no Diário Oficial do Estado e têm a assinatura do governador e de seus secretários. Por isso, acompanhar esta movimentação dá o real sentido de quais são as prioridades do governo do Estado.


Fonte: Linha Direta PT - http://migre.me/dFSnY

sexta-feira, 8 de março de 2013

Apenas uma em cada cinco cidades paulistas tem delegacias da Mulher


Apesar de ter registrado nada menos que 150.975 ocorrências de violência contra a mulher em 2012, os municípios paulistas carecem de atendimento especializado. Hoje, há apenas 125 Delegacias de Defesa da Mulher espalhadas por 645 cidades, o equivalente a uma para cada cinco municípios.

Os dados foram levantados pela Procuradoria Especial da Mulher no Estado, comandada pela deputada Telma de Souza (PT), e serão apresentados neste sábado (9/3), a partir das 9 horas, na Câmara Municipal de Limeira (Rua Pedro Zaccaria, nº 70).

Telma será uma das participantes de um colóquio que tem como tema a violência contra a mulher. Participarão, ainda, a deputada federal Aline Correa (PP/SP), a conselheira municipal de Saúde de Limeira, Ana Helena Fleury Bonini, e as médicas ginecologistas Soraia Dragone e Fátima Lotufo. A programação é organizada pela vereadora Érika Monteiro (PT), em alusão ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março.

Elevação

Os quase 151 mil casos de violência contra a mulher registrados nas delegacias paulistas em 2012 representam 413,6 novos casos a cada dia. Considerando os 13.119 casos já registrados em janeiro de 2013 (os únicos deste ano à disposição), é possível constatar que a quantidade de ocorrências diárias subiu: foram 423,1, dez a mais que a média diária do ano passado.

A maioria das ocorrências de 2012 foram de ameaça, 68.075. Enquanto isso, os homicídios dolosos (quando há a intenção de matar) somam 80 casos. As estatísticas foram levantadas pela Procuradoria Especial da Mulher em São Paulo, com base em dados da Secretaria de Segurança Pública do Estado.

“As mulheres são a maioria da população paulista e, diariamente, são vítimas de vários tipos de violência, inclusive a doméstica, uma das mais covardes. Apesar dos índices alarmantes, a rede de atendimento especializado à população feminina é deficiente no estado mais rico do País”, resume Telma.


Fonte: Linha Direta - http://migre.me/dAxcJ

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Segunda fase da linha 4 do Metrô de São Paulo sai em 2014, no período eleitoral


A conclusão da segunda fase da linha 4 do Metrô de São Paulo (Amarela) está prevista para junho a setembro de 2014 com 11 anos de atraso, segundo o cronograma do governo do Estado. A obra será entregue em pleno período eleitoral, quando o governador Geraldo Alckmin deve disputar candidatura pelo PSDB para tentar a reeleição. A segunda fase compreende a conclusão das estações Higienópolis-Mackenzie, Oscar Freire, Fradique Coutinho, São Paulo-Morumbi e Vila Sônia e a ampliação do numero de trens em circulação, dos atuais 14 para 29.
Os novos prazos de conclusão, informados pelo serviço do Metrô de atendimento à comunidade, preveem que as estações Higienópolis, Oscar Freire, Fradique e Morumbi serão entregues em junho de 2014 e a estação terminal Vila Sônia, em setembro.
De acordo com declarações feitas pelo secretário dos Transportes do Estado de São Paulo, Jurandir Fernandes (PSDB), no ano passado, a previsão de entregar as obras no segundo semestre, durante o período eleitoral, seria mera coincidência. A assessoria de imprensa da Secretaria dos Transportes mantém a previsão de conclusão no segundo semestre do ano que vem, mas não confirma o cronograma informado pelo Metrô.
O primeiro trecho da linha 4 (Butantã-Luz), hoje com seis estações, começou a funcionar em maio de 2010 com horário reduzido e, um ano depois, com horário normal. A linha possui uma terceira fase prevista, com a expansão até Taboão da Serra. A linha 4, administrada pelo Consórcio ViaQuatro, é a primeira privatizada pelo governo de São Paulo. A estimativa de custo total da linha é de R$ 3,8 bilhões, sendo 70% custeado pelo governo do estado e o restante pela CCR, empresa que controla o Consórcio ViaQuatro. A previsão é de que seja operada pelo consórcio por 30 anos, a contar do término das obras.
Prevista inicialmente para ser entregue em 2003, a conclusão da segunda fase da linha 4 é uma das mais lentas da expansão do Metrô de São Paulo. É considerado um dos sistemas de trens metropolitanos com expansão mais atrasada entre as grandes cidades do mundo pela Comunidade de Metrôs (CoMet), um sistema de avaliação comparativa entre sistemas ferroviários que conta com 14 membros, entre eles o Metrô de São Paulo, de Santiago, de Nova York e de Pequim.
Em funcionamento desde 1974, o metrô de São Paulo tem atualmente 74,3 quilômetros de rede e 68 estações. A capital do Chile, Santiago, tem 103 quilômetros de linhas e 108 estações de metrô, e 60 quilômetros foram construídos nos últimos dez anos.
A falta de investimentos na expansão do metrô de São Paulo faz com que o sistema detenha o título de mais superlotado do mundo, com mais de 11,5 milhões de passageiros por quilômetro de linha, segundo  a CoMet. A comunidade afirma que o ideal é dez quilômetros de linha para cada 2 milhões de usuários. Por esse cálculo, a região metropolitana de São Paulo, com perto de 20 milhões de habitantes, deveria ter pelos menos 100 quilômetros de linha de metrô.
A conclusão das estações previstas na fase 2 da linha 4 não deverá diminuir o atual volume de pessoas que usam a linha 4 atualmente, segundo a Secretaria de Transportes. O fluxo deve aumentar dos atuais 750 mil passageiros para 970 mil. Usada como ligação para acesso à região central por moradores da zona sul que utilizam a linha 5 (Capão Redondo – Largo 13), a expectativa é que somente com a interligação direta da linha 5 ao restante do sistema metroviário haja o reflexo para desafogar estações como a Luz, República e Faria Lima, atualmente com grandes filas em horários de pico nos pontos de acesso às plataformas de embarque.
Fonte: Rede Brasil Atual - http://migre.me/dqQ4k

quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Governo Alckmin ignora discussão pública sobre futuro das cidades


São Paulo – Sem qualquer apoio do governo do estado, ocorre na próxima sexta-feira (18), em São Paulo, a primeira reunião preparatória para a etapa estadual da 5ª Conferência Nacional das Cidades - discussão pública que irá debater os problemas comuns aos municípios brasileiros e propor políticas setoriais para sua resolução. 
A etapa nacional será em Brasília entre os dias 20 e 24 de novembro, com representantes da sociedade e do poder público de todos os estados do país. "As conferências são formatadas para que a sociedade traga suas propostas", definiu àRBA uma fonte do Ministério das Cidades ligada à organização da 5ª Conferência. "É uma maneira de abrir os olhos das administrações municipais, estaduais e federal para as exigências da população."
Normalmente, são os governos, por sua capacidade de articulação, que devem convocar as conferências, em todos os níveis: as discussões municipais costumam ser chamadas pelas prefeituras; as estaduais, pelos governos de estado; e a nacional, pelo federal. 
Contudo, em São Paulo, com a omissão do governo do estado, são as entidades da sociedade  que estão convocando a etapa estadual. Como o Palácio dos Bandeirantes perdeu o prazo – vencido em 10 de outubro – para publicar a convocatória no Diário Oficial, ONGs, sindicatos e movimentos sociais tomaram para si essa tarefa – o que ocorreu em 29 de outubro com uma nota no Diário Oficial do Poder Legislativo.
"Agora estamos num processo de diálogo com o governo, o Ministério das Cidades e as entidades para ver se a administração estadual vai assumir a realização da conferência", explica Nelso Saule Jr., coordenador geral do Instituto Pólis. "Se não, a conferência ficará prejudicada." 
As conferências setoriais – saúde, educação, meio ambiente etc. – ocorriam esparsamente no Brasil desde 1941, mas foram intensificadas a partir de 2003, no primeiro governo Lula. Nestes últimos 10 anos, foram realizadas 89 conferências, envolvendo 40 temas.
Atualmente, funcionam de maneira piramidal: as discussões municipais são compiladas e levadas às conferências estaduais, cujos debates são repassados à etapa nacional, que sistematiza as propostas da sociedade civil, elege prioridades e as apresenta aos governos de todo o país como subsídio para a elaboração de políticas públicas. Em cada uma das etapas são eleitos delegados para a etapa seguinte.
"Em São Paulo existem 645 municípios. É impossível que a sociedade civil, sozinha, organize uma conferência sem o governo do estado", continua Saule Jr. "É preciso ter estrutura para dialogar com as administrações municipais." 
cronograma da 5º Conferência Nacional das Cidades determina que as etapas municipais deverão ocorrer entre os dias 1° de março e 1° de junho. Já as estaduais devem ser realizadas entre 1° de julho e 28 de setembro. "Participei da organização de duas conferências e ainda não tinha visto isso acontecer", comenta a fonte do Ministério das Cidades sobre o caso paulista, ao frisar que não existe nenhuma ilegalidade na ausência governamental. "Sem o governo, a conferência fica meio com a perna quebrada."

Temática

A temática principal da 5ª Conferência será justamente a participação da sociedade na definição de políticas públicas para o desenvolvimento urbano – que compreende as áreas de mobilidade, habitação, transporte, saneamento básico, planejamento etc. 
"A própria conferência é um dos meios de garantir a participação social, mas há outros: desde grupos que levam suas reivindicações diretamente ao poder público e conselhos de desenvolvimento urbano até audiências públicas e contato com parlamentares", diz a representante do Ministério das Cidades. "Não é que tenha havido um déficit de participação nas políticas públicas, mas não é tanto quanto desejável. O setor do desenvolvimento urbano tem tradição de participação popular, mas pode ser mais."
O coordenador do Instituto Pólis concorda. "Só se pode realmente pensar numa mudança de prioridades de políticas para enfrentar os problemas sociais em moradia, acesso a serviços e infraestrutura das cidades numa perspectiva democrática, para que as comunidades possam interferir nos rumos do governo", indica. "Sem governança participativa é muito difícil pensar políticas que venham a mudar a realidade das cidades." 
Em São Paulo, uma das demandas que certamente serão apresentadas ao governo é a criação de um Conselho Estadual das Cidades, onde representantes da sociedade serão eleitos para discutir permanentemente com o poder público a adoção de políticas de desenvolvimento urbano.
Em suas quatro edições anteriores, a Conferência das Cidades serviu para recolher as propostas da sociedade para a formulação de "planos nacionais" nas áreas de habitação social, mobilidade, saneamento básico e resíduos sólidos, por exemplo, que já viraram lei. 
Além da participação, Saule Jr. aponta outro assunto que deve determinar o rumo das discussões na 5ª Conferência: a elaboração de um sistema nacional de desenvolvimento urbano que dê conta de criar mecanismos para planejar as áreas metropolitanas e as aglomerações urbanas regionais. "Os entes federativos que mais têm responsabilidade nesta questão são os governos estaduais."
Procurada pela RBA, a Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Regional do Estado de São Paulo não retornou os questionamentos da reportagem até o fechamento do texto.
Fonte: Rede Brasil Atual - http://migre.me/cRfot

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Fracasso do tucanato torna-se ostensivo. Fatos estão na mídia


A agenda da série de fracassos do governo tucano paulista nas áreas da segurança pública, transportes e educação é cada vez mais ostensiva. Esta tudo na própria mídia. Por mais que ela tente minimizar e dar pouco destaque às tragédias representadas pela administração do tucanato. São fatos.

O ano muda e nada de se resolve. Os apagões tucanos continuam nas áreas de segurança pública, educação, transportes de massa.... Estamos em 2013 e parece tudo igual a 2012, a 2011... Aos últimos 20 anos em que o PSDB está à frente do governo do Estado. Geraldo Alckmin, por exemplo, é governador pela 3ª vez.

A 1ª chacina do ano no Estado, registrada na noite da última 6ª feira, deixou sete mortos e dois feridos em um bar no Campo Limpo, Zona Sul da Capital. Os 14 encapuzados que estavam em três carros e fizeram a matança desceram gritando "polícia, polícia". Entre as vítimas, Laércio de Souza Grimas, o DJ Lah, do grupo de rap Conexão do Morro. Parceiro de Mano Brown, ele desenvolvia um trabalho social junto a crianças carentes. As letras das composições do DJ Lah falam do cotidiano de violência da periferia de São Paulo.

Alckmin: "Tudo vai ser investigado com rigor e profundidade..."

Na manhã do sábado, a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP) informou que, entre as vítimas da chacina, estava uma pessoa que teria testemunhado outro crime na região, o assassinato do servente Paulo Batista do Nascimento, cometido por PMs há dois meses. Ela teria participado da gravação de imagens que foram exibidas pelo “Fantástico”. A divulgação das imagens levou à prisão de cinco PMs.

No fim da tarde do sábado, a SSP-SP voltou atrás. Divulgou nota informando não haver indícios de que DJ Lah teria mesmo participado das gravações. Mas o delegado geral da Polícia Civil, Luiz Maurício Souza Blazeck, afirmou não descartar a ligação entre a chacina e a morte do servente, uma vez que os crimes envolvem a mesma comunidade.

Já o governador Geraldo Alckmin se repetiu - sua fala exibida agora, poderia ser tanto a fala deste sábado, quanto a de qualquer outro dia desde 03 de junho pp quando recrudesceu a escalada da violência no Estado. "Tudo vai ser investigado com profundidade e rigor até prendermos os criminosos. A polícia está trabalhando com vários indícios", prometeu, de novo, o governador.

Fim dos BOs que escondem execuções sumárias

Desde as vésperas do 2º semestre de 2012, São Paulo enfrenta a intensificação da criminalidade. De janeiro ao fim de novembro do ano passado, a capital somava 1.327 homicídios, 24,13% a mais do que o registrado em todo o ano de 2011 (1.069). No Estado, em 2011, 4.403 pessoas foram vítimas de homicídio. Em 2012, sem contar dezembro, foram 4.644, uma alta de 5,47%.

No mês passado, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, recomendou a extinção de termos como “autos de resistência” e “resistência seguida de morte” nos boletins de ocorrência referentes a mortes em confrontos com a polícia. O Conselho suspeita que o uso desses termos em boletins de ocorrência (BOs) escondem, ou camuflam execuções sumárias feitas pela polícia.

O Estado de São Paulo registrou, de janeiro a setembro de 2012, um total de 372 mortos em supostos confrontos com a polícia. No mesmo período, 96 PMs morreram. Balanço divulgado pelo Estadão neste domingo (ontem) mostra que no ano passado a PM matou uma pessoa a cada 16 horas, mais do que em 2006, quando ocorreram os ataques do Primeiro Comando da Capital (PCC), o confronto em que a organização criminosa derrotou a polícia e parou o Estado por dois dias naquele ano.


Fonte: Linha Direta PT - http://migre.me/cHJPL

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Comissão aprova contas de Alckmin de 2011; PT aponta irregularidades


A Comissão de Fiscalização e Controle da Assembleia Legislativa de São Paulo aprovou ontem (19) as contas anuais do governador Geraldo Alckmin relativas a 2011, de acordo com o relatório do deputado Roberto Massafera (PSDB).

A bancada do PT apresentou voto em separado, rejeitando as contas do Executivo. O deputado Isac Reis,de Carapicuíba, cidade da região Oeste da Grande São Paulo, leu o substitutivo de sua bancada. Segundo o texto da oposição, há inúmeras irregularidades que podem ser levantadas a partir de documentos dos órgãos técnicos do Tribunal de Contas.

“Em 2011, o governo Alckmin continuou arrecadando muito, mas os investimentos não seguiram a mesma trajetória de crescimento”, diz o texto da bancada petista. “As operações de crédito previstas não se realizaram, mas o crescimento das receitas tributárias foi expressivo no período. Mesmo assim, o governo estadual reduziu os investimentos públicos, afetando todas as regiões administrativas do estado”, continua o parecer da oposição. 

De acordo com o documento lido pelo deputado Isac Reis, as contas do governo estadual de 2011 revelam que ele “ampliou os gastos com o custeio da máquina e deixou de aplicar recursos expressivos na saúde, decisões políticas na ‘contramão’ do que seria recomendado para o enfrentamento da crise internacional que se aprofundou”.

O substitutivo do PT diz também que as irregularidades “maculam” as contas apresentadas pelo governo Alckmin. “O maior problema – acrescentou Isac Reis em sua leitura – envolve a questão da Educação, onde não foi aplicado o percentual constitucional mínimo do Orçamento”.

Na área de transportes, o texto destaca o não cumprimento de metas de investimentos no metrô e na CPTM para a modernização das linhas como uma das causas das panes sofridas pelo sistema metro-ferroviário na Região Metropolitana de São Paulo.

Na terça-feira (18), a bancada de Alckmin aprovou com facilidade na Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento o Orçamento do Executivo para 2013, também com a rejeição e voto em separado, também vencido, apresentado pelo PT.


Fonte: Linha Direta - http://migre.me/ctdSV

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Jardim Pantanal, alagado em 2010, teme enchentes, e Alckmin não conhece solução


O verão ainda nem começou e o clima é de tensão nos arredores do bairro Jardim Pantanal, na zona leste de São Paulo, que ficou famoso em 2010 por passar quase dois meses alagado pelas águas do rio Tietê. As primeiras chuvas de dezembro já causaram alagamentos nas ruas da vizinha Vila Itaim. Os moradores da Chácara das Três Meninas, também nos arredores, afirmaram que alagamentos são constantes no verão e já começam a preparar os pequenos barracos em que vivem para as cheias.
As comunidades estão na várzea do Tietê, que é de responsabilidade do governo do estado, criador, em 1995, de um programa para o desassoreamento do rio. Por isso, a RBA questionou o governador Geraldo Alckmin (PSDB) sobre o problema durante uma coletiva de imprensa na manhã de hoje (10), marcada exatamente para apresentar ações estaduais para a contenção de enchentes. Mas o governador não soube responder, e terceirizou a questão a dois assessores. 
Na Chácara Três Meninas a situação é crítica: famílias vivem apertadas em um ou dois cômodos, improvisados com restos de madeira, telhas e, em alguns casos, tijolos. Os mais precários foram construídos nas margens do rio, a 15 metros da água. Os moradores mais antigos estão a até dois quarteirões do Tietê, mas, ainda assim, convivem com inundações, mal cheiro e os muitos ratos que dividem a várzea do rio com as pessoas.
Não é difícil reconhecer quem mora no bairro: os moradores geralmente têm feridas nas mãos, nos pés e nas pernas, resultado do contato constante com a água poluída do rio. É assim com Maria Auxiliadora Silva, que mora em uma casa de dois cômodos, construída em um quintal onde vivem mais 13 crianças e oito adultos.
“Ninguém aqui tem mais nada por conta das enchentes. Minha cama são dois cavaletes com um colchão. Não vou comprar outra para perder na próxima chuva. Isso aqui vira uma piscina”, conta, mostrando a marca d’água na parede do seu quarto, de pelo menos um metro e meio, resultado das chuvas do último verão. Ela conta que, nesta época, usa a cama superior do beliche de seu filho para guardar roupas e eletrodomésticos para evitar que eles se estraguem com as cheias.
Uma das estratégias de quem tem mais recursos é ter uma segunda casa em vista para alugar caso as enchentes sejam muito grandes. É o que faz um dos moradores, que se apresentou como “Cabelo”. “Já há três anos temos enchentes aqui, por isso já fui ver uma casa para alugar, caso precise. Sempre ficamos com medo”, conta.
O líder comunitário Cristovão de Oliveira, que mora há 30 anos na região, diz que já procurou diversas vezes a prefeitura e o governo do estado para pleitear programas de habitação para os moradores do bairro, mas nunca obteve uma resposta. Ele conta que, naquela região, o governo estadual não desassoreou o rio, apesar de o governador ter afirmado hoje que todo o Tietê passou por esse processo e voltou à sua profundidade original.
“Esse pessoal está dentro da chamada mancha de inundação e deve sair dentro dos próximos quatro anos”, afirmou. “Temos um projeto em negociação com a prefeitura para a construção de um polder [que funciona semelhante a um dique]. Isso resolveria o problema tanto do transbordamento do rio como de acumulação de água da chuva. Estamos aguardando a negociação da prefeitura e assim que ela aprovar devemos licitar a obra.”O superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica do governo estadual, Alceu Segamarchi Junior – um dos indicados por Alckmin – afirmou que o governo tem um projeto para, nos próximos quatro anos, transferir as cerca de 7.500 pessoas que vivem na várzea do Tietê para apartamentos de programas de habitação. A área será transformada no Parque Várzea do Tietê.

Silêncio

“Governador, na zona leste tem toda uma região próxima ao Jardim Pantanal que sofre com inundações. Este ano mesmo algumas ruas já foram alagadas. Existe alguma obra do governo do estado prevista exclusivamente para essa região?”, foi a pergunta feita pela RBA ao governador. A resposta foi o silêncio. O secretário de Saneamento e Recursos Hídricos e o superintendente do Departamento de Águas e Energia Elétrica cochicharam no ouvido de Alckmin e ele respondeu: “Olha, o doutor Alceu e o Giribone vão poder detalhar mais tecnicamente isso para você”.
Pela resposta do Secretário de Saneamento e Recursos Hídricos do Estado de São Paulo, Edson de Oliveira Giriboni, “o Jardim Pantanal não teve problema com o rio Tietê, é um assunto localizado lá”. “Toda aquela região faz parte do Parque Várzea do Tietê, que é um convênio assinado pelo governador no ano passado, de US$ 200 milhões, que vai minimizar muito as enchentes naquela região.”


Vila Itaim

Ao menos três ruas da Vila Itaim, região do Jardim Pantanal, em São Miguel Paulista, já foram alagadas com um temporal no começo deste mês. 
“A água fechou a rua. Aqui sempre enche e a gente fica preocupado. E se perdermos tudo?”, teme o morador João Batista. Sua vizinha da rua de trás, que também sofreu com a enchente deste mês, concorda. “Se chover estamos perdidos. Acumula muita água, em um nível alto”.
De acordo com o superintendente Segamarchi, trata-se de um problema de microdrenagem. “Não tem boca de lobo nas ruas ou estão entupidas, aí chove, acumula água da chuva e enche. Não tem nada a ver com o nível do rio.”
Fonte: Rede Brasil Atual - http://migre.me/cku2U

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Metrô: fila até catraca é de 15 minutos


Como não se bastassem as panes quase que diárias, os usuários do metrô em São Paulo têm ainda muitas outras reclamações.

Os passageiros que embarcam na estação Jabaquara da linha 1-Azul do metrô (zona sul), por exemplo, entre as 6 horas e às 8 horas da manhã estão demorando até 15 minutos para conseguir percorrer 50 metros e chegar até as catracas.

A fila se forma com a chegada dos ônibus no terminal Jabaquara.

Pelo menos 60 linhas de coletivos passam pelos terminais urbano e rodoviário do Jabaquara. 

Segundo Horácio Augusto Figueira, professor de engenharia civil da Uninove, a quantidade de pessoas é muito maior do que a estação pode suportar. "É uma estação que não foi dimensionada para isso. Não imaginavam esse fluxo quando ela foi inaugurada", disse.

De acordo com o metrô, 16 mil pessoas embarcam na estação todos os dias entre as 7 horas e às 8 horas.

Passageiros também reclamam de frio e calor nos vagões do metrô

Calor ou frio demais e falta de ventilação nos vagões do Metrô são a segunda maior queixa do ano feita pelo serviço SMS-Denúncia, que recebe reclamações dos passageiros por meio de torpedos, as mensagens de texto enviadas por celular.

No ano passado, as queixas em relação à temperatura nos vagões de trem não estavam entre as três primeiras.

Segundo o Metrô, o comércio irregular figura no topo das reclamações.

Em terceiro, vem o comportamento inadequado (colocar pés no banco, fumar nas estações, bagunça, gritaria, sentar no chão dos trens).


Fonte: Linha Direta - http://virou.gr/VawJNy

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Alckmin só investiu 45% da verba de segurança pública


Faltando pouco mais de 30 dias para fechar um dos anos mais violentos em São Paulo desde o final da década de 1990, o governo Geraldo Alckmin aplicou apenas 44,6% do previsto no Orçamento para investimentos na área de segurança pública.


Dados do sistema de acompanhamento da execução orçamentária (Siafem) mostram que a Secretaria da Segurança Pública empenhou (comprometeu) até a semana passada R$ 195,2 milhões dos R$ 437,9 milhões do Orçamento.

Se for considerar o valor liquidado (que efetivamente deixou os cofres), foram despendidos apenas R$ 36 milhões, ou 8,2% do planejado.

Essa verba não inclui despesas com custeio da pasta (como folha de pagamento), mas apenas investimentos como compra de veículos, construção de prédios ou aquisição de equipamentos de informação e inteligência.

A Polícia Civil foi a que menos gastou, empenhando apenas 15% do que havia orçado. Nesse período, a Polícia Militar empenhou 67,5%.

Os números foram obtidos com a Liderança do PT na Assembleia Legislativa. O governo afirma que o índice vai subir até o final do ano, com a conclusão de licitações.

Sucateamento da polícia

Para a presidente da Associação dos Delegados de SP, Marilda Pinheiro, a falta de investimentos acabou sucateando a Polícia Civil.

A Polícia Civil é considerada a "polícia de inteligência", que deve esclarecer crimes.

A inteligência policial e a investigação são consideradas pela maioria dos especialistas como fundamentais para frear a violência, que neste ano já vitimou ao menos 3.834 pessoas e 96 PMs.

A gestão de Antonio Ferreira Pinto, que foi demitido na semana passada, recebeu críticas por ter supostamente priorizado a PM e o enfrentamento com o crime organizado em detrimento da Polícia Civil e do trabalho de investigação. O ex-secretário nega.


Fonte: Linha  Direta - http://virou.gr/Tow0rM