quarta-feira, 15 de junho de 2011

Discurso da Posse do Dep Carlos Zarattini na Presidência da Frente Parlamentar da Defesa Nacional

A Frente Parlamentar da Defesa Nacional surge a partir da decisão do Governo Lula de implantar a Estratégia Nacional da Defesa e tem como objetivo apoiar sua implantação.

Para isso é importante aproximar a sociedade brasileira do tema da Defesa, levando a idéia do desenvolvimento tecnológico dual, civil e militar.

A sociedade brasileira tem uma tradição pacifista mas, quando se trata da defesa dos valores democráticos da Nação e da soberania nacional, o assunto da Defesa está sempre presente na consciência de nosso povo. Assim foi no passado quando o Brasil foi o único país sul americano a participar com a gloriosa FEB da luta contra o nazi-facismo na Itália. E também hoje no presente, desde as camadas mais ricas e, principalmente, no povo mais humilde está arraigada a defesa da soberania nacional no nosso território, em especial da Amazônia e mais recentemente do Pré-Sal.

O nosso próprio desenvolvimento econômico e social nos impõe a discussão do assunto DEFESA e a adoção de medidas que protejam nosso patrimônio natural e nossas conquistas econômicas e sociais.

Estamos falando de um Brasil que retomou o crescimento econômico com distribuição de renda. Um país que deverá ser a quinta economia do mundo baseada no mercado interno como motor de expansão. O que impõe a necessidade de garantirmos alimentos, produtos de consumo, moradia e infra-estrutura para todos os brasileiros.

Falamos de um país de extensa fronteira com dez países, com uma imensa Região Amazônica, rica em biodiversidade e em produtos minerais. De um extenso litoral, cujas profundezas escondem as riquezas do petróleo e do pré-sal.

Esse Brasil, grande e desenvolvido, sempre foi o sonho daqueles que, através da história, lutaram por um país que fosse uma Nação autônoma e independente, protagonista no cenário mundial da paz e harmonia entre os povos.

Sempre foi o sonho daqules que rejeitaram um papel subalterno e dependente. Daqueles que se rebelaram em tantos movimentos pela independência, pela República, pela igualdade social, contra a miséria e a ignorância.

Esse Brasil que estamos construindo, superando conflitos do passado e as dificuldades que surgem a todo momento, não pode prescindir de um Sistema Nacional de Defesa cujas Forças Armadas estejam preparadas para exercer seu poder dissuasório. Impedindo a concentração de Forças hostis nas fronteiras terrestres, nos limites das águas brasileiras e no uso de nosso espaço aéreo.

A discussão e o aprofundamento da Estratégia Nacional de Defesa que queremos implantar exige o fortalecimento de três setores estratégicos: o espacial, o cibernético e o nuclear.

Para tanto temos que garantir a pesquisa e o desenvolvimento científico no Brasil, mas também temos que adotar decididamente o poder de compras do Estado Brasileiro para nos garantir a transferência de tecnologia de alta complexidade, acelerando nosso desenvolvimento e colocando as Forças Armadas em condições de se equiparar com as mais modernas do mundo.

Nesse aspecto, é importante destacar a necessidade de conceituarmos a Empresa Estratégica de Defesa que seja a Base Industrial de Defesa no Brasil. Empresas com base de produção no país, controladas por brasileiros, especialmente aquelas cujos produtos sejam de baixa e média tecnologia.

Com a Estratégia Nacional de Defesa (END), o Brasil tem a melhor oportunidade para recuperar o exercício do Ciclo Completo do Conhecimento, abandonado em meados da década de 1980, quando o Estado perdeu sua capacidade de financiamento. O Ciclo Completo significa desenvolver projetos inovadores, tanto para aplicações Civis como na área da Defesa. Os dois primeiros componentes dessa cadeia de Conhecimento, não por acaso os mais importantes, chegam com os equipamentos e serviços importados na forma de “caixas pretas”, e devem ser “abertos” por gente e competências locais. Quando a Defesa está na raiz do progresso tecnológico, cabe ao Estado organizar e guiar o processo de absorção do conhecimento.

Por todas essas razões, existe uma natural dificuldade para absorção do conhecimento dominado por nações poderosas: ali está a sua fonte de poder e de dominação em produtos estratégicos de alto valor agregado. Portanto, é vital que o Poder de Compra do Estado seja investido corretamente.



A Frente Parlamentar da Defesa Nacional quer apoiar e garantir o avanço de projetos centrais para ampliar a nossa capacidade dissuasória.

O Programa de Submarinos da Marinha, cujo centro é o Programa Nuclear da Marinha, que vai nos garantir equipamentos fundamentais para a proteção do nosso Oceano e de suas riquezas. E que também, nos possibilitou o conhecimento tecnológico para o domínio do ciclo de enriquecimento nuclear que será estratégico para a defesa, mas também para a nossa capacidade energética.

O Programa de Aquisição dos Caças FX2 que vai garantir ao Brasil mais um salto no conhecimento e na capacidade da industria aeroespacial, assim como foi a integração entre os objetivos de defesa e o desenvolvimento da Embraer, hoje uma das principais industrias aeronaúticas do mundo.

O Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON) que garantirá tecnologia de informação e ocupação das áreas de fronteira, fundamental para impedir não apenas a integridade territorial do Brasil, mas também para combater o narcotráfico, a criminalidade de modo geral e inclusive a preservação do meio ambiente nacional em áreas tão importantes como a Amazônia e o Pantanal.

Por fim, a Frente Parlamentar da Defesa Nacional pretende apoiar as ações políticas, legislativas e orçamentárias necessárias para garantir as condições para a implantação da Estratégia Nacional de Defesa dentro de um cenário de ampla democracia, centrado no desenvolvimento do nosso povo brasileiro.



Assistam Alguns Videos de Minha Festa!

 Depoimento do Dep. Estadual Rui Falcão na Festa de Aniversário do Dep. Zarattini 

 Depoimento do Vereador Zé Américo na Festa de Aniversário do Dep. Zarattini

Festa de Aniversário do Deputado Carlos Zarattini (2011)


Depoimento do Vereador Donato na Festa de Aniversário do Dep. Zarattini


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terça-feira, 14 de junho de 2011

Rio X São Paulo: cariocas na frente

Na semana passada tive a oportunidade de falar no Grande Expediente da Câmara dos Deputados e mostrar o quanto São Paulo está atrasada na preparação da Copa do Mundo pela ineficiência do nosso Prefeito e do nosso Governador. Aliás a trinca, Alckimin, Serra e Kassab governam o Estado há 11 anos e a Prefeitura há 7 anos!

Já perdemos a Copa das Confederações, que antecede a Copa do Mundo e o Centro de Imprensa. E corremos o risco de perder o jogo de abertura. São Paulo está no atraso não apenas em relação à Copa. Estamos paralisados e perdendo o empuxo que toma conta do país. Na nossa cidade enfrentamos uma piora da qualidade de vida e uma vida cada vez mais cara. Enquanto isso a Prefeitura está com R$ 7 bilhões parados no caixa e o Estado demora sete anos para construir três quilômetros de metrô até o Jardim Ângela.

Estou copiando abaixo um excelente artigo do publicitário Nizan Guanaes que demonstra o espírito reinante no Rio de Janeiro. Leia e compare com o que acontece em São Paulo onde, ainda por cima, ficamos horas sem eletricidade e sem internet por falha das operadoras.


NIZAN GUANAES Minha alma canta

O Rio está em sua fase pós-maravilhosa, com o metro quadrado nas nuvens e uma longa lista de projetos

BRASÍLIA tirou o Rio de sua zona de conforto. E a cidade maravilhosa, numa longa crise, virou uma bela e mal adormecida.

Com a virada que o Brasil deu nessas duas últimas décadas, eu aposto já há alguns anos na virada do Rio, cidade e Estado.

O termo virada é inadequado, já que o Rio está virando o Rio de sempre. A cidade global que sempre foi.

Rosto mundial do Brasil. Restaurado, o Rio manda flechas de cupido para seduzir a todos.

Minha mulher e eu alugamos um apartamento no Arpoador. Estou abrindo uma agência na cidade.

Quando Donata e eu pisamos pela primeira vez na nossa casa carioca, fomos até a varanda. Donata me diz: "Bem-vindo ao Rio de Janeiro, amor", e começa a chorar emocionada.

O Rio é isso, o reencontro da gente com a gente mesmo. O orgulho de um Brasil orgulhoso. Revisitado. A descoberta das enormes reservas exportáveis de petróleo na camada do pré-sal e a realização dos dois eventos mais globalizados do planeta -a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016- garantem um fluxo de investimentos, interesses e exposição à cidade que já a transformou.

O Rio está em sua fase pós-maravilhosa, com o metro quadrado nas nuvens e uma longa lista de projetos subindo do chão.

Ergue-se em cima dessa sólida base de eventos econômicos e esportivos uma rede de serviços que só uma cidade com o capital humano e o encantamento que é natural ao Rio de Janeiro pode desenvolver.

É só olhar a zona portuária do Rio e os projetos que ela inspira para começar a sentir o potencial de crescimento da cidade. A revitalização dos centros históricos das cidades brasileiras está apenas começando, e o Rio, por ancestralidade e centralidade, deve guiar o país nessa área.

É com esse espírito que estou abrindo uma empresa no Rio de Janeiro neste mês. E não vai ser filial de São Paulo, claro que não!, porque a vocação do Rio de Janeiro será sempre a de matriz.

Não larguei a Bahia por São Paulo. Larguei pelo Rio de Janeiro, para onde fui trabalhar nos anos 1980, na Artplan de Roberto Medina, o inventor do Rock in Rio. Saí da cidade trazido para São Paulo por outro mestre, Washington Olivetto. Minhas agências em São Paulo estão cheias de expatriados cariocas que, forçados pelo mercado, exportaram o talento que sua cidade inspirou. Volto agora para o Rio pelo melhor dos motivos: obrigado pelas novas circunstâncias econômicas. E humanas.

Gosto do fato de o homem mais rico do Brasil ser carioca e devolver e promover sua cidade de maneira veemente.

Gosto do governador e do prefeito trabalharem como se fossem dois CEOs com espírito público e entusiasmo e eficácia de iniciativa privada. E gosto mais ainda que ninguém fale hoje do milagre brasileiro e muito menos do milagre carioca. Porque não tem milagre. O milagre é trabalhar. É fazer o dever de casa.

Como o Rio de Janeiro, governo e povo, estão fazendo. É o Roberto Medina, é o Alexandre Accioly, é o Ricardo Amaral, é o Armínio Fraga, é a Firjan.

O Rio tem hoje governantes com espírito empresarial e empresários com espírito público.

E isso é bom para todos os Estados brasileiros. Porque eleva o sarrafo. Da administração pública e do engajamento cidadão. Do empresariado com suas cidades e seus Estados. E é por tudo isso que Donata chora na varanda. E, dentro de mim, minha alma canta. Há um sonho no ar, e um Rio lindo lá fora.

Com suas pedras grandes convidando o Brasil inteiro a pensar grande como suas montanhas e como nos comanda os braços estendidos do Redentor.



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NIZAN GUANAES, publicitário e presidente do Grupo ABC, escreve às terças-feiras, a cada 14 dias, nesta coluna.

domingo, 5 de junho de 2011

Boa Noite! Boa semana para todos!

Programa Brasil sem Miséria e o caso Palocci

por Marcos Coimbra, no Correio Braziliense
 

Ministros em apuros são mais a regra que a exceção em nossa experiência recente. Se alguém se desse ao trabalho de calcular quantos dias passamos, nos últimos 20 anos, sem que pelo menos um estivesse complicado, veríamos que não foram muitos.
 
O que é realmente importante na informação que recebemos todo dia sobre o sistema político? E o que é secundário, referindo-se a coisas que não duram muito e apenas parecem ter maiores consequências?

Neste momento, por exemplo, o noticiário sobre a crise causada pelos problemas de Antonio Palocci domina os meios de comunicação. Ela é importante?

Certamente sim, pois qualquer dificuldade que afete um ministro central no governo é relevante. Ainda mais se for alguém como ele, que foi, nos primeiros meses, quase um primeiro ministro.

Embora a crise seja, de fato, significativa, ela está longe de ser tudo que acontece no governo. E nem é tão original assim. Ministros em apuros são mais a regra que a exceção em nossa experiência recente. Se alguém se desse ao trabalho de calcular quantos dias passamos, nos últimos 20 anos, sem que pelo menos um estivesse complicado, veríamos que não foram muitos.

O próprio Palocci já viveu essa história. No fim do primeiro governo Lula, quando ocorreu o caso Francenildo, ele não era tão menos que agora. Como ministro da Fazenda que contava com apoio unânime do empresariado e da mídia, e depois que vários de seus colegas tinham tombado vítimas do mensalão, achava-se que Lula dependia dele para sobreviver. Pois bem, Palocci saiu, Lula ganhou a eleição e foi adiante para se confirmar como a maior liderança de nossa história (goste-se ou não dele).

Palocci pode estar vivendo, de novo, um inferno astral, mas isso não é fundamental. No médio e, especialmente, no longo prazo, sua permanência ou saída são secundárias. Como foram as de antecessores seus em governos passados. Ministros são parecidos a outras pessoas insubstituíveis, das quais, como diz o ditado, os cemitérios estão cheios.

As coisas que realmente importam são outras. Como o lançamento do programa Brasil sem Miséria, que ocorreu enquanto olhávamos para a “crise”.
 
Se medirmos a centimetragem a ele dedicada pelos nosso maiores veículos ou o tempo nos telejornais de maior audiência, ficaríamos com a impressão que é um assunto quase insignificante. Pelo espaço e a atenção que recebeu, que o novo programa é apenas mais um na rotina da burocracia.

Na verdade, um pouco pior que isso. O tom da cobertura foi claramente negativo, com insinuações de que era uma manobra para desviar a atenção da opinião pública do que seria realmente importante, a “crise”.

Como se fosse sequer possível inventar um programa da complexidade do Brasil sem Miséria na última hora. Como se não tivesse exigido meses de estudos e formulações preliminares. Como se seu lançamento não estivesse anunciado há muito tempo e não ocorresse no prazo estipulado antes da eclosão da “crise do Palocci”.

O programa passou a ser visto como uma pirotecnia algo ingênua. Foi reduzido a uma manobra, no fundo, inútil, pois incapaz de produzir suas “verdadeiras intenções”.

Tudo nele passou a ser enxergado a partir desse prisma. Até a cerimônia inicial. O número de convidados, a solenidade, os discursos, cada detalhe foi interpretado como parte de um “estratagema” diversionista. O que pensavam? Que Dilma lançaria um programa desse porte às escondidas? Que ele não era suficientemente importante para justificar o evento?

É possível que nossa imprensa ache que faz “bom jornalismo” quando ignora, coloca sob suspeita ou trata como irrelevante um programa como o Brasil sem Miséria. Que o certo é deixar tudo de lado e manter-se focada na “crise do Palocci”.

O curioso é que, ao comentá-lo, não se afirmou que era inviável, fantasioso ou irrelevante. Ninguém argumentou contra suas propostas concretas. Não foram questionadas suas metas ou estratégias.

Parece, portanto, que ela não discorda do programa. E não vê razões para duvidar que o governo tenha capacidade de executá-lo.

Apenas acha que é pouco importante, pelo menos em comparação com a “crise”. Será que é? Será que um programa destinado a solucionar, em quatro anos, o mais grave problema do Brasil pode mesmo ser considerado irrelevante? Para os 16 milhões de beneficiários, pode ser tudo, menos desimportante.



Nova Luz, um ano de incertezas

http://adrianodiogo.com.br/noticias/internas/id/906

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Zarattini Fala no Grande Expediente Sobre a Cidade de São Paulo

Zarattini FaIa no Grande Expediente - Parte 01: 

Zarattini Fala no Grande Expediente - Parte 02

Sexta é Dia de Festa!

CONVITE PARA FESTA DE ANIVERSÁRIO DO DEP. CARLOS ZARATTINI

Convidamos você para festejar com a gente mais um ano de vida do Deputado Zarattini.
 
A festa será no dia 10 de junho, a partir das 21 horas, na Quadra da Escola de Samba Rosas de Ouro

– Rua Cel. Euclides Machado, 1066 (junto à Ponte da Freguesia do Ó) – São Paulo, Capital.

Serviço:

- É necessária a apresentação do convite para entrar (ligue para o escritório (11) 3765-1728 ou envie um e-mail para dep.zarattini@uol.com.br e peça o seu)
- Bebidas e salgados poderão ser adquiridos nos caixas da festa
- O local não possui estacionamento próprio

Um abraço e até lá!!!

terça-feira, 31 de maio de 2011

Metrô Jardim Ângela Só em 2018!

METRÔ JARDIM ÂNGELA SÓ EM 2018

O Capão Redondo, bairro da Zona Sul da capital paulista enfrenta, dentre outros tantos problemas, a precariedade dos transportes públicos. As vias de acesso estão saturadas; o trânsito piora a cada dia; os ônibus andam superlotados e a linha de metrô existente (5), liga pouca coisa a quase nada – Capão Redondo ao Largo Treze de Maio. Quem conhece, sabe bem que esse trecho não representa muito ganho para os trabalhadores que precisam chegar até o centro.

Na tentativa de buscar soluções para esse problema, o Fórum Social do Capão Redondo e outras entidades sociais têm se mobilizado e apresentado propostas. Ontem (30/05), estivemos em uma reunião com técnicos da área de planejamento do Metrô para discutir a extensão da Linha 5 que deverá ser prolongada até o Jd. Ângela.

Os representantes do Metrô que, por sua vez, cumprem as diretrizes do estado tucano de São Paulo, nos apresentaram um cronograma das obras, no mínimo, desanimador e que não considera a seriedade dos problemas enfrentados pelos moradores da região. Querem que esperemos a chegada da estação Jd. Ângela presos num engarrafamento vendo passar a Copa do Mundo, os Jogos Olímpicos, duas eleições municipais, uma eleição presidencial para então, quem sabe, embarcarmos no tão esperado trem no Jd. Ângela em 2018. Quem viver verá!

domingo, 29 de maio de 2011

O Código Florestal e as cidades - Alvaro Rodrigues dos Santos

TIREM AS CIDADES DO CÓDIGO FLORESTAL



Todas as polêmicas que estão se desenvolvendo em torno do projeto de alteração do Código Florestal dizem respeito ao meio rural, e em especial aos conhecidos conflitos entre o aproveitamento agrícola-pecuário do espaço rural e a preservação ambiental de certas feições geográficas desse espaço.

Obviamente torcemos todos para que as partes interessadas cheguem a um virtuoso denominador comum e o país possa contar com uma legislação de admirada qualidade. Enfim, sempre valeu a pena sonhar.

No entanto, infelizmente, essas polêmicas de caráter rural têm posto de lado, como questão menor, ou até como uma “não questão”, a enorme oportunidade de uma decisão de caráter praticamente consensual hoje, qual seja a necessidade de um tratamento legal independente para a questão florestal no espaço urbano.

O problema central é que a atual legislação, Código mais Resolução Conama 303 reguladora das APPs, não foi inspirada pela realidade urbana, sendo, por decorrência, equivocada conceitual e estruturalmente para a gestão ambiental do tão singular espaço urbano. Impossível imaginar-se uma legislação florestal válida ao mesmo tempo para a Amazônia, para os Pampas, para o litoral nordestino e para o bairro da Vila Brasilândia na Grande São Paulo. No caso das cidades, essa incompatibilidade tem provocado um enorme número de pendências legais conflituosas entre órgãos ambientais e empreendedores urbanos públicos e privados, inviabilizando a implantação de projetos urbanísticos planejados e dotados de adequados controles ambientais, como também induzindo, especialmente em grandes conglomerados urbanos, ocupações irregulares; do que resulta um maior comprometimento dos já escassos recursos naturais e a multiplicação de áreas risco geológico.

Não será tarefa difícil chegar-se consensualmente a uma legislação ambiental urbana que consiga combinar as necessidades típicas da urbe com a preservação de espaços ambientais/florestais indispensáveis à qualidade material e espiritual do cidadão e à prevenção de tragédias de cunho geológico. A única condição para que essa “utopia” se realize está na preciosa oportunidade que repousa hoje nas mãos de nossos legisladores, qual seja a decisão de um tratamento legal diferenciado e independente entre o ambiente rural e o ambiente urbano.

Álvaro Rodrigues dos Santos (santosalvaro@uol.com.br)

Geólogo formado pela Universidade de São Paulo; ex-diretor de Planejamento e Gestão do IPT; autor dos livros “Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática”, “A Grande Barreira da Serra do Mar”, “Cubatão” e “Diálogos Geológicos”, e consultor em Geologia de Engenharia, Geotecnia e Meio Ambiente.