quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Brasil supera meta definida pela ONU para a mortalidade infantil


Atingir a meta estabelecida pela ONU antes do prazo é uma grande vitória brasileira”, diz o ministro Alexandre Padilha, que fez a apresentação durante a 28ª Conferência Sanitária

O Ministério da Saúde (MS) apresentou nessa quarta-feira (19), na sede da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em Washington (EUA), os detalhes do relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), que comprovou que o Brasil já alcançou os índices de redução definidos pelas metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODB) em relação à mortalidade de crianças com menos de cinco anos de idade.

“Atingir a meta estabelecida pela ONU antes do prazo é uma grande vitória brasileira”, diz o ministro Alexandre Padilha, que fez a apresentação durante a 28ª Conferência Sanitária Pan-Americana e da 64ª Sessão do Comitê Regional.

O acordo internacional previa a redução em 2/3 da mortalidade desse público entre 1990 e 2015. O Brasil apresentou redução de 73% das mortes na infância desde 1990. Em 2011, o órgão internacional mostra que o índice brasileiro caiu para 16 mortes a cada mil habitantes. De acordo com Padilha, essa redução se deu com a expansão da Atenção Básica no País, por meio da Estratégia Saúde da Família (ESF), e de ações preconizadas para a melhoria da atenção integral a saúde das crianças. “Mas nós queremos avançar ainda mais. Para isso, temos a Rede Cegonha que vai reforçar a qualidade no pré-natal e também a qualidade na assistência ao parto”, planeja o ministro.

Segundo o MS, foram investidos, desde o ano passado, cerca de R$ 3,3 bilhões na Rede Cegonha, que conta com a adesão de 4.759 municípios brasileiros. A estratégia, que reúne medidas que garantem assistência integral às grávidas e ao bebê, criou 348 leitos neonatais e requalificou mais 86 em 2011. A previsão é habilitar 350 novos leitos neonatais ainda neste ano. Atualmente, o Brasil conta com 3.973 leitos de UTI Neonatal e 2.249 de UTI Pediátrica. Estima-se que 91,5% do total de gestantes usuárias do Sistema Único de Saúde (SUS) serão atendidas pelo programa.

Conferência - Ainda durante a Conferência, o MS vai apresentar a estratégia para prevenção e o controle das doenças não transmissíveis e levar a sua experiência brasileira para o plano das Américas.

Durante a conferência, haverá ainda debate sobre o relatório do Grupo de Experts - grupo de especialistas - sobre mecanismos inovadores para pesquisa e desenvolvimento em saúde. O que for acordado nesta reunião irá subsidiar a reunião global prevista para novembro deste ano, em Genebra.

Bolsa família melhora vida das crianças

De acordo com o relatório das Nações Unidas, o Bolsa Família é um fator para a redução da mortalidade infantil, pois toda mãe com crianças de até sete anos de idade beneficiada deve apresentar a carteira vacinal em dia e, caso a mulher esteja gestante, deve ter acompanhamento do pré-natal.

Entre outras políticas citadas está o Programa Nacional de Imunização, que conseguiu que o País eliminasse a ocorrência de diversas doenças. E o Brasil possui a maior e mais complexa rede de Banco de Leite do mundo, que conta com 208 bancos e 109 postos de coleta em todo o País.


Fonte: Linha Direta - http://virou.gr/PDRNvB

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

“Revelações” e Eleições, por Marcos Coimbra

O mais rumoroso evento político da semana passada, a publicação pela revista Veja de uma matéria contendo algumas declarações de Marcos Valério e muitas ilações a respeito do que ainda teria a dizer sobre o “mensalão”, deve ser compreendido em função do momento que vivemos.
No front jurídico imediato, não tem significado. Quem entende do processo que corre no Supremo Tribunal Federal afirma que os votos dos ministros estão escritos e não mudariam porque um dos réus disse isso ou aquilo.
Nem se a questão fosse suscitada por um veículo com credibilidade. Não é o caso dessa revista, que se dedica apenas ao combate ideológico e que se desobriga, por essa razão, de honrar as regras do jornalismo. Para ela, vale tudo.
Não cabe especular sobre o que teria motivado Valério a falar – o que quer que tenha dito. Desinformado é que não está, considerando a qualidade dos advogados com que conta.
Ele sabe que, a esta altura do processo, lançar suspeitas sobre Lula ou outras pessoas só aprofunda seus problemas.
Estamos entrando na hora decisiva do julgamento, quando a “fatia” política será avaliada pelos ministros. É agora que a suposição da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o pretenso esquema de compra de votos de parlamentares - que teria existido entre 2004 e 2005, para aprovar medidas de interesse do governo - começará a ser discutida.
Desde a CPI, essa é a parte mais fantasiosa e frágil das denúncias. Por mais que alguns deputados oposicionistas tivessem tentado ligar pagamentos recebidos por partidos e parlamentares a votações específicas, nenhuma foi identificada com clareza.
A completa falta de sentido do governo pagar integrantes de sua bancada mais fiel para que votassem assim ou assado apenas ressalta a insipiência da hipótese.
Quanto à PGR, ela não conseguiu avançar um milímetro na demonstração dessa vinculação.
Que benefício teria agora Valério estabelecendo-a, ainda que somente com base em declarações não substanciadas? Justo quando serão julgados os políticos acusados? O que ganharia confessando ser parte de uma quadrilha que cometeu um crime grave? Boicotar o trabalho da defesa?

E a revista? O que ganha publicando a “entrevista” agora?
No tocante ao julgamento, nada. O ambiente de pressão sobre os juízes está construído e a matéria não aumenta o risco que correm de ser achincalhados se votarem em desacordo com o que ela deseja.
Isso, eles já entenderam.
Ou seja: para Valério e a revista, dentro da história do julgamento do “mensalão”, ela é inútil (o que não quer dizer que não possa ter relevância nas guerras de longo prazo em que estão engajados - ele, tentando reduzir as provações que o aguardam, ela, na luta contra o “lulopetismo”)
A matéria tem outra razão de ser.
Quem mora fora de São Paulo não entende a importância que a eleição de prefeito assume para quem faz política na cidade. Acham que é fundamental para o Brasil.
Quem não é “serrista” não compreende a dor de ver seu preferido prestes a sofrer uma derrota humilhante. Se agarrando à tênue hipótese de derrotar Fernando Haddad e receber o voto petista para enfrentar Celso Russomano.
Chance remota? Pouca possibilidade? Não importa. O que puderem fazer para que ele ultrapasse Haddad farão.
Não é difícil ver as ligações. José Serra traz o mensalão para sua propaganda eleitoral, na hora em que falham os velhos argumentos (“o mais preparado”, “o líder nas pesquisas”, etc.).
Na semana seguinte, a revista faz matéria bombástica, com capa pronta para a televisão. Que coincidência feliz! Que acaso extraordinário!
Vai dar certo? Pouco provável. Mas é o que têm.

Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi



Serra tenta se afastar de Kassab; ambos são recorde de rejeição


O candidato do PSDB à sucessão de Gilberto Kassab (PSD), José Serra, tenta inutilmente se descolar da imagem do atual prefeito, cuja administração é rejeitada por 48% dos eleitores paulistanos de acordo com pesquisa Datafolha. No quesito rejeição, Serra está tecnicamente empatado com Kassab. O tucano é rejeitado por 46% dos eleitores da capital, segundo levantamento do mesmo instituto.

Kassab, que é aliado do tucano, foi eleito vice de Serra em 2004 e assumiu a Prefeitura quando ele deixou o cargo para concorrer ao governo de São Paulo, um ano e três meses depois da posse. O atual prefeito segue a linha política tucana na capital.

Em entrevista nesta terça (18) ao "SPTV", da TV Globo o candidato do continuísmo político na capital paulista afirmou: "O Kassab assumiu porque era meu vice. Completou meu mandato, foi eleito, ganhou por 61% contra 39% da Marta Suplicy [PT]. A partir daí, desenvolveu o seu mandato".

Com as declarações, Serra tenta separar os dois mandatos de Kassab e se desvincular do segundo, que é mal avaliado pelos paulistanos. A avaliação de tucanos é a de que os eleitores veem Serra como o responsável pelo desempenho de Kassab. Por isso, ele tem se esforçado para dar "autonomia" ao segundo mandato do prefeito.

Ainda nesta terça (18), Serra creditou a rejeição a Kassab "ao fato de que ele passou a criar um partido político". "As pessoas identificaram: `Ah, está criando partido, não está preocupado com a cidade`. Eleito pelo DEM, Kassab foi o principal articulador da criação do PSD em 2011.

Durante evento organizado pelo tucanato de SP em apoio à sua candidatura, Serra voltou a afirmar que a avaliação dos moradores da cidade está errada. Ele garantiu que a capital está melhor do que a avaliação que recebe dos paulistanos.


Fonte: Linha Direta - http://virou.gr/S7FCK7

terça-feira, 18 de setembro de 2012

Dep. Carlos Zarattini (PT-SP) participa da TV Brasil em Debate com tema sobre a Defesa Nacional

A Política de Defesa Nacional voltada, preponderantemente, para ameaças externas, é o documento condicionante de mais alto nível do planejamento de defesa e tem por finalidade estabelecer objetivos e diretrizes para o preparo e o emprego da capacitação nacional, com o envolvimento dos setores militar e civil, em todas as esferas do Poder Nacional. Quem fala sobre as estratégias de defesa brasileira são os deputados Carlos Zarattini (PT-SP) e Hugo Napoleão (PSD-PI).



Link: Camara dos Deputados - http://virou.gr/Ul1Vwl

Protestos na CPTM revelam colapso no transporte público em São Paulo


São Paulo – A situação caótica envolvendo o transporte na cidade atingiu ontem (17) seu estopim, provocando protestos em uma composição da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) na Estação Comendador Ermelino, zona leste da capital. Vagões que apresentaram problemas técnicos foram depredados por passageiros.
Segundo o membro do Conselho Nacional das Cidades Manuel Xavier Lemos Filho, os protestos são resultado do cansaço da população diante do colapso de mobilidade urbana enfrentado diariamente. “As pessoas estão cansadas de não terem condições humanas de se locomover, e isso leva ao desespero e à revolta”, diz em entrevista à Rádio Brasil Atual. Ele explica que este cenário faz com que a população passe a não reconhecer o próprio direito ao transporte público, gerando insatisfações como a de ontem.
É também importante lembrar do viés político que o transporte público adquiriu, ele ressalta. Apesar das promessas, os progressos são cada vez menos visíveis na cidade. “Não há investimentos pesados na ampliação do metrô, na melhoria da CPTM ou no sistema de ônibus”, diz.
Para ele, o transporte continua sendo visto como um comércio, na lógica de lucro.“É uma das tarifas mais caras do mundo. Tem que se pensar na sua redução”.
Por outro lado, as investigações para identificar as causas de problemas técnicos no transporte não estariam sendo levadas à sério em São Paulo.
Carlos Aranha, do grupo de trabalho de mobilidade urbana da Rede Nossa Cidade, ressalta a dependência da população de poucos meios de transporte de massa. “Numa cidade com milhões de habitantes é esperado que no momento em que um sistema não funciona ou atrasa, as pessoas possam contar com alternativas. E isso não existe”, comenta.
A precariedade de trens e metrô atinge principalmente os mais pobres. “O pobre fica sem opção, porque não tem carro, não tem respeito se colocar uma bicicleta na rua e não tem ônibus que vá com rapidez, porque os corredores, quando existem, não funcionam”.
Aranha analisa que os governantes pensam a malha ferroviária e metroviária a curto prazo, somente no período de sua gestão ou no período de oito anos, visando a reeleição, quando o investimento deveria ser de longo prazo. 
“Observamos algumas injeções de recursos milionárias, como na duplicação da Marginal Tietê, que podem ser feitos rapidamente em uma gestão, mas que não alteram a estrutura da mobilidade urbana em São Paulo”, diz.  
Fonte: http://virou.gr/U95EhP

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Para 80% dos paulistanos, trânsito é ruim ou péssimo; situação é pior na zona sul

Pesquisa do Ibope divulgada na manhã desta segunda-feira, 17, revela que o trânsito é considerado "ruim ou péssimo" por 80% dos paulistanos. Na cidade, as pessoas gastam, em média, duas horas e meia no seu deslocamento diário, sejam eles feitos por meios de transporte públicos ou individuais.

A zona sul é a região mais afetada pelos congestionamentos, na percepção dos próprios moradores da área - ali, 82% acham o trânsito "ruim ou péssimo". Para 39% dos entrevistados da região, que é a mais populosa de São Paulo, esse é o maior problema da capital. Ali, o tempo médio gasto no deslocamento diário sobe para 2h40min.


O levantamento foi feito entre 17 e 24 de agosto com 805 pessoas de 16 anos ou mais residentes na cidade. De acordo com a pesquisa, cerca de um terço dos paulistanos gasta uma hora e meia ou mais nos seus deslocamentos só para ir e voltar da sua atividade principal, como trabalho ou estudo.
No ano passado, o trânsito era visto como "ruim" por 22% dos paulistanos. Em 2012, esse índice subiu para 28%. Na categoria "péssimo", a oscilação foi de 37% para 52% no período.
O transporte coletivo foi apontado como problemático por 23% dos entrevistados, ante 22% ano passado. Por sua vez, o trânsito passou de 43% no ano passado para 32%. Nessa categoria, a saúde é apontada por 69% dos paulistanos como o maior problema da cidade, seguida de segurança pública, com 45% das menções, e da educação, com 43%.
Outro dado indica que um número elevado de paulistanos que hoje se locomovem de carro todos os dias ou quase diariamente deixaria de usá-lo se "houvesse uma boa alternativa de transporte". A maioria (65%) afirmou que poderia abandonar o automóvel. "Talvez se tivéssemos um transporte público com qualidade essa disposição fosse maior", diz Márcia Cavallari, diretora do Ibope. Atualmente, mais de 2 milhões de pessoas utilizam carro diariamente ou quase todos os dias na capital.
A ampliação de linhas de metrô e corredores de ônibus é a medida mais pedida pelos entrevistados: 41% deles querem mais desses meios de transporte, ante 34% no ano passado. "Aumentou a percepção de que a saída é o investimento no transporte coletivo", afirma Cavallari.
A pesquisa, em sua sexta edição e com margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos, foi divulgada em parceria com a Rede Nossa São Paulo na Câmara Municipal, no centro. A ação integra a Semana da Mobilidade na capital, que começou ontem e vai até sábado, 22, quando se celebra o Dia Mundial Sem Carro.
Fonte: Estadão - http://virou.gr/PsQu2v

domingo, 16 de setembro de 2012

Alckmin usa a mesma retórica dos matadores da ditadura

MARIA RITA KEHL




"Quem não reagiu está vivo", disse o governador de São Paulo ao defender a ação da Rota na chacina que matou nove supostos bandidos numa chácara em Várzea Paulista, na última quarta-feira, dia 12. Em seguida, tentando aparentar firmeza de estadista, garantiu que a ocorrência será rigorosamente apurada.

Eu me pergunto se é possível confiar na lisura do inquérito, quando o próprio governador já se apressou em legitimar o morticínio praticado pela PM que responde ao comando dele.

"Resistência seguida de morte": assim agentes das Polícias Militares, integrantes do Exército e diversos matadores free-lancer justificavam as execuções de supostos inimigos públicos que militavam pela volta da democracia durante a ditadura civil militar, a qual oprimiu a sociedade e tornou o país mais violento, menos civilizado e muito mais injusto entre 1964 e 1985.

Suprimida a liberdade de imprensa, criminalizadas quaisquer manifestações públicas de protesto, o Estado militarizado teve carta branca para prender sem justificativa, torturar e matar cerca de 400 estudantes, trabalhadores e militantes políticos (dos quais 141 permanecem até hoje desaparecidos e outros 44 nunca tiveram seus corpos devolvidos às famílias --tema atual de investigação pela Comissão Nacional da Verdade).

Esse número, por si só alarmante, não inclui os massacres de milhares de camponeses e índios, em regiões isoladas e cuja conta ainda não conseguimos fechar. Mais cínicas do que as cenas armadas para aparentar trocas de tiros entre policiais e militantes cujos corpos eram entregues às famílias totalmente desfigurados, foram os laudos que atestavam os inúmeros falsos "suicídios".


HERZOG


A impunidade dos matadores era tão garantida que eles não se preocupavam em justificar as marcas de tiros pelas costas, as pancadas na cabeça e os hematomas em várias partes do corpo de prisioneiros "suicidados" sob sua guarda. Assim como não hesitaram em atestar o suicídio por enforcamento com "suspensão incompleta", na expressão do legista Harry Shibata, em depoimento à Comissão da Verdade, do jornalista Vladimir Herzog numa cela do DOI-Codi, em São Paulo.

Quando o Estado, que deveria proteger a sociedade a partir de suas atribuições constitucionais, investe-se do direito de mentir para encobrir seus próprios crimes, ninguém mais está seguro. Engana-se a parcela das pessoas de bem que imaginam que a suposta "mão de ferro" do governador de São Paulo seja o melhor recurso para proteger a população trabalhadora.

Quando o Estado mente, a população já não sabe mais a quem recorrer. A falta de transparência das instituições democráticas --qualificação que deveria valer para todas as polícias, mesmo que no Brasil ainda permaneçam como polícias militares-- compromete a segurança de todos os cidadãos.

Vejamos o caso da última chacina cometida pela PM paulista, cujos responsáveis o governador de São Paulo se apressou em defender. Não é preciso comentar a bestialidade da prática, já corriqueira no Brasil, de invariavelmente só atirar para matar --frequentemente com mais de um tiro.

Além disso, a justificativa apresentada pelo governador tem pelo menos uma óbvia exceção. Um dos mortos foi o suposto estuprador de uma menor de idade, que acabava de ser julgado pelo "tribunal do crime" do PCC na chácara de Várzea Paulista. Ora, não faz sentido imaginar que os bandidos tivessem se esquecido de desarmar o réu Maciel Santana da Silva, que foi assassinado junto com os outros supostos resistentes.

Aliás, o "tribunal do crime" acabara de inocentar o acusado: o senso de justiça da bandidagem nesse caso está acima do da PM e do próprio governo do Estado. Maciel Santana morreu desarmado. E apesar da ausência total de marcas de tiros nos carros da PM, assim como de mortos e feridos do outro lado, o governador não se vexa de utilizar a mesma retórica covarde dos matadores da ditadura --"resistência seguida de morte", em versão atualizada: "Quem não reagiu está vivo".


CAMORRA


Ora, do ponto de vista do cidadão desprotegido, qual a diferença entre a lógica do tráfico, do PCC e da política de Segurança Pública do governo do Estado de São Paulo? Sabemos que, depois da onda de assassinatos de policiais a mando do PCC, em maio de 2006, 1.684 jovens foram executados na rua pela polícia, entre chacinas não justificadas e casos de "resistência seguida de morte", numa ação de vendeta que não faria vergonha à Camorra. Muitos corpos não foram até hoje entregues às famílias e jazem insepultos por aí, tal como aconteceu com jovens militantes de direitos humanos assassinados e desaparecidos no período militar.

Resistência seguida de morte, não: tortura seguida de ocultação do cadáver. O grupo das Mães de Maio, que há seis anos luta para saber o paradeiro de seus filhos, não tem com quem contar para se proteger das ameaças da própria polícia que deveria ajudá-las a investigar supostos abusos cometidos por uma suposta minoria de maus policiais. No total, a polícia matou 495 pessoas em 2006.

Desde janeiro deste ano, escreveu Rogério Gentile na Folha de 13/9, a PM da capital matou 170 pessoas, número 33% maior do que os assassinatos da mesma ordem em 2011. O crime organizado, por sua vez, executou 68 policiais. Quem está seguro nessa guerra onde as duas partes agem fora da lei?


ASSASSINATOS



A pesquisadora norte-americana Kathry Sikkink revelou que o Brasil foi o único país da América Latina em que o número de assassinatos cometidos pelas polícias militares aumentou, em vez de diminuir, depois do fim da ditadura civil-militar.

Mudou o perfil socioeconômico dos mortos, torturados e desaparecidos; diminuiu o poder das famílias em mobilizar autoridades para conseguir justiça. Mas a mortandade continua, e a sociedade brasileira descrê da democracia.

Hoje os supostos maus policiais talvez sejam minoria, e não seria difícil apurar suas responsabilidades se houvesse vontade política do governo. No caso do terrorismo de Estado praticado no período investigado pela Comissão da Verdade, mais importante do que revelar os já conhecidos nomes de agentes policiais que se entregaram à barbárie de torturar e assassinar prisioneiros indefesos, é fundamental que se consiga nomear toda a cadeia de mando acima deles.

Se a tortura aos oponentes da ditadura foi acobertada, quando não consentida ou ordenada por autoridades do governo, o que pensar das chacinas cometidas em plena democracia, quando governadores empenham sua autoridade para justificar assassinatos cometidos pela polícia sob seu comando?

Como confiar na seriedade da atual investigação, conduzida depois do veredicto do governador Alckmin, desde logo favorável à ação da polícia? Qual é a lisura que se pode esperar das investigações de graves violações de Direitos Humanos cometidas hoje por agentes do Estado, quando a eliminação sumária de supostos criminosos pelas PMs segue os mesmos procedimentos e goza da mesma impunidade das chacinas cometidas por quadrilhas de traficantes?

Não há grande diferença entre a crueldade praticada pelo tráfico contra seis meninos inocentes, no último domingo, no Rio, e a execução de nove homens na quarta, em São Paulo. O inquietante paralelismo entre as ações da polícia e dos bandidos põe a nu o desamparo de toda a população civil diante da violência que tanto pode vir dos bandidos quanto da polícia.

"Chame o ladrão", cantava o samba que Chico Buarque compôs sob o pseudônimo de Julinho da Adelaide. Hoje "os homens" não invadem mais as casas de cantores, professores e advogados, mas continuam a arrastar moradores "suspeitos" das favelas e das periferias para fora dos barracos ou a executar garotos reunidos para fumar um baseado nas esquinas das periferias das grandes cidades.


PELA CULATRA


Do ponto de vista da segurança pública, este tiro sai pela culatra. "Combater a violência com mais violência é como tentar emagrecer comendo açúcar", teria dito o grande psicanalista Hélio Pellegrino, morto em 1987.

E o que é mais grave: hoje, como antes, o Estado deixa de apurar tais crimes e, para evitar aborrecimentos, mente para a população. O que parece ser decidido em nome da segurança de todos produz o efeito contrário. O Estado, ao mentir, coloca-se acima do direito republicano à informação --portanto, contra os interesses da sociedade que pretende governar.

O Estado, ao mentir, perde legitimidade --quem acredita nas "rigorosas apurações" do governador de São Paulo? Quem já viu algum resultado confiável de uma delas? Pensem no abuso da violência policial durante a ação de despejo dos moradores do Pinheirinho... O Estado mente --e desampara os cidadãos, tornando a vida social mais insegura ao desmoralizar a lei. A quem recorrer, então?

A lei é simbólica e deve valer para todos, mas o papel das autoridades deveria ser o de sustentar, com sua transparência, a validade da lei. O Estado que pratica vendetas como uma Camorra destrói as condições de sua própria autoridade, que em consequência disso passará a depender de mais e mais violência para se sustentar.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Brasil vai crescer mais de 4% em 2013 e em diante, diz Mantega


Segundo Mantega, a desaceleração foi decorrência da combinação de medidas adotadas pelo próprio governo para conter a inflação e o superaquecimento da economia e da crise internacional. Por isso, diz, a retomada foi mais lenta e difícil do que era esperado.

Mantega afirmou ainda que o Brasil tem condições de acelerar o crescimento, mesmo em um cenário adverso, porque tem fundamentos sólidos, estabilidade política e jurídica, solidez financeira, um grande potencial energético com o pré-sal, grande dinamismo do mercado interno e eficiência na produção de commodities, que é uma vantagem, se bem administrada, afirmou o ministro, que participa de fórum econômico promovido pela Revista Exame, hoje em São Paulo.

`Não é só consumo`

Mantega, procurou, em suas palavras, “desmistificar” a afirmação de que na última década o crescimento brasileiro foi impulsionado pelo consumo. Segundo o ministro, a Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) aumentou sua participação como proporção do PIB, enquanto o consumo das famílias, pelo contrário, perdeu participação desde 2001.

“O Brasil está entre os países do mundo em que a participação do consumo das famílias no PIB diminuiu entre 2001 e 2012”, segundo o ministro.

De acordo com o ministro, nos últimos dez anos o investimento no Brasil cresceu a uma taxa anualizada de 8,6%. No gráfico apresentado por Mantega, no entanto, não constava qual foi o aumento do investimento na China. “Não sei por que a equipe técnica não colocou, talvez para não nos humilhar, porque lá foi bem maior”, reconheceu.

Estímulos

O Brasil vem fazendo uma política fiscal anticíclica desde 2008, segundo o ministro da Fazenda. Naquele ano, o Minha Casa Minha Vida veio se somar a iniciativas como o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o que fortaleceu a construção civil, que já vinha em tendência de expansão. Para Mantega, este é um dos polos dinâmicos da economia brasileira.

Além disso, reafirmou o ministro, “temos volume grande de investimentos em petróleo e gás, já que a Petrobras tem o maior plano de negócios do mundo. Até o meio do ano foram mais de R$ 40 bilhões”, disse ele, lembrando que esses aportes independem da crise internacional.

Mantega ainda lembrou que o Brasil tem programas de concessão de investimentos em infraestrutura para a iniciativa privadas. Além dos eroportos já concedidos, Mantega voltou a afirmar que novas concessões em logística devem ser anunciadas. O ministro lembrou ainda das concessões de rodovias e ferrovias.

Além disso, disse o ministro, ontem o governo ampliou a desoneração da folha de pagamentos para mais 25 setores, além dos 15 que já tinham sido beneficiados. Assim, as desoneração fiscais neste ano devem somar R$ 44 bilhões, nos cálculos da Fazenda, ou cerca de 1% do PIB.

Referência a Meirelles

O ministro disse que o Brasil tem praticado uma política monetária moderadamente expansionista e política cambial ativa, que não permite que o real desvalorize.

O fórum tem entre os participantes o ex-presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, com quem brincou: “Nossa política monetária não é tão expansionista assim”.

Mantega citou ainda que o governo tem dado prioridade ao investimento e reformado o marco regulatório.

O ministro disse que a dívida pública está diminuindo e abrindo espaço para mercado de dívida privada, “que deve se expandir, e isso reduz o custo do capital, das transações econômicas de modo geral, embora ainda tenhamos taxas de juros muito elevadas para pessoa física e jurídica. Por isso a politica monetária não é tão expansionista assim”.

Mantega reiterou que os bancos privados têm tido postura mais conservadora sobre expansão do crédito. “Mas temos espaço para melhorar, reduzindo o spread. Temos instrumento que outros países, com taxas de juros lá embaixo, não possuem.”

Retomada à vista

O ministro disse que no segundo semestre ainda se verá mais claramente o impacto de todas as medidas que estão sendo tomadas.

“Temos segurança de que a economia está em aquecimento. Vamos terminar o ano com crescimento próximo de 4% [taxa anualizada]”.

Mantega minimizou a redução da estimativa do governo para o crescimento do PIB em 2012, de 3% para 2%. “A projeção de crescimento de 2% do PIB em 2012 é apenas uma média”, disse.


Fonte: Linha Direta - http://virou.gr/QfVE3O

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

O projeto da Lei da Empresa Limpa


Mais um evidente atentado aos interesses da sociedade acontece no legislativo. Assistimos hoje, ao mesmo tempo do julgamento do Mensalão, uma forte pressão política sobre deputados na votação do Projeto de Lei nº 6.826, de 2010. Esse projeto, que já ficou conhecido como o projeto da Lei da Empresa Limpa, trata da responsabilização civil e administrativa de empresas por atos contra a administração pública nacional e estrangeira.
Esclareça-se que esse projeto visa a honrar o compromisso internacional assumido pelo Brasil. Explicamos: nos idos do escândalo de Watergate, os EUA descobriram que muitas empresas sistematicamente corrompiam outros governos fora de seu país para obter contratos milionários. À época, os EUA constataram que os empresários americanos, mesmo que respeitassem a ética nos EUA, pagavam propinas a governos estrangeiros para fechar negócios no mundo inteiro.
Por conta dessa constatação, os EUA promulgaram em 1977 a já famosa e temida Lei FCPA (que pune propinas a governos estrangeiros). Porém, as empresas americanas logo se deram conta que somente elas estavam obrigadas a se comportar bem fora de casa, enquanto suas concorrentes estrangeiras, principalmente as alemãs, japonesas e francesas, continuavam ganhando contratos mundo afora à custa de gordas propinas.
Assim, iniciaram as americanas uma cruzada para convencer outras nações na Organização de Cooperação ao Desenvolvimento Econômico (OCDE) a coibir a corrupção internacional. Conseguiram: trinta e nove países assinaram a "Convenção de Combate à Corrupção de Autoridades Estrangeiras" entre eles o Brasil, em 2000.
Ao ratificar a Convenção, o Brasil obrigou-se a promulgar lei específica para punir as empresas corruptoras, pois, ainda hoje, a nossa legislação só prevê punição a indivíduos. Daí o Projeto de Lei nº 6.826.
Apesar do esforço de alguns deputados para acelerar a votação da proposição, há notícias de que empresas poderosas estariam pressionando os parlamentares para impedir a apreciação célere do projeto.
A história se repete. Essa manobra já aconteceu em outros países. No Reino Unido a pressão da Confederação das Indústrias Britânicas não foi menos pesada do que a que sofre a nossa Câmara. O governo britânico foi extremamente criticado pela mesma OCDE e outros organismos internacionais por se recusar a processar a British Aerospace em 2006 por propinas supostamente pagas em uma operação de compra de armas com a Arábia Saudita.
Porém, em 2010 o Reino Unido finalmente promulgou sua Lei de Propina comprovando que o clima está mudando rapidamente. Até a Rússia e a China já têm suas leis punindo empresas corruptoras. Só faltam o Brasil, Argentina e Irlanda.
Mas o nosso projeto traz louváveis inovações, dentre as quais a responsabilização objetiva administrativa e civil das empresas por atos contra a administração pública, a aplicação de multa de 0,1% a 20% do faturamento bruto ou de R$ 6 mil a R$ 60 milhões, se não for possível utilizar o critério do faturamento, a declaração de inidoneidade, por no mínimo um ano, e a proibição de receber incentivos ou empréstimos de entidades públicas.
Agora, o projeto só precisa sobreviver às manobras políticas. Apresentado ao plenário da Câmara verificou-se que a proposição tratava de matéria de competência de mais de três comissões, justificando, portanto, a criação de Comissão Especial para discutir e votar a proposição.
Após o projeto original receber 35 emendas, o relator, deputado Carlos Zarattini, apresentou seu parecer votando pela sua constitucionalidade, adequação, boa técnica legislativa e, quanto ao mérito, pela sua aprovação com as alterações introduzidas por dez emendas aprovadas pela comissão.
No momento, o projeto de lei está pronto para pauta naquela comissão e o relator tenta acelerar o trâmite do projeto por meio de dispositivo do regimento interno que autoriza que a própria comissão discuta e vote o projeto, dispensando-se a necessidade de levar a proposição ao Plenário daquele órgão.
Assim, no caso de votação favorável pela comissão, o projeto seguiria para apreciação do Senado. Entretanto, essa aceleração pode ser afastada caso um décimo dos deputados apresente recurso contra a discussão e votação pela comissão e este seja provido pelo plenário.
Ou seja, apesar da intenção de alguns nobres deputados em acelerar o processo, é possível que parlamentares contrários a essa proposição articulem-se para evitar a sua apreciação pela comissão e, consequentemente, forcem que o projeto entre na longa fila da inflada pauta do plenário da Câmara.
Infelizmente, parece que a pressão sobre os parlamentares está funcionando mesmo. Como se sabe, 2012 é ano de eleições municipais e as grandes contribuições para campanhas são feitas por empresas. Logo, não é preciso muito esforço para concluir que os legisladores podem, realmente, ceder à pressão e evitar a rápida aprovação do projeto. Isso acontecendo, claro ficará, mais uma vez, que a grande maioria dos políticos prioriza interesses próprios, ao invés de priorizar os da sociedade.




quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Rejeição recorde impedirá Serra de circular nas ruas de SP, diz Haddad


O candidato do PT a prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, disse nesta quarta-feira (12) que o adversário José Serra (PSDB) está batendo recordes de rejeição e "daqui a pouco não vai poder circular pela cidade".
O petista reagiu com irritação à nova propaganda tucana que o associa aos colegas de partido José Dirceu e Delúbio Soares, réus no processo do mensalão, e ao ex-prefeito Paulo Maluf (PP), que o apoia.
Haddad acusou Serra de "confundir, iludir e desinformar" o eleitor e fez referência ao aumento do seu índice de rejeição, que chegou a 46%, segundo o Datafolha. É o maior patamar alcançado por um candidato desde o início da campanha.
"Ele está batendo recordes atrás de recordes de rejeição. Ele daqui a pouco não vai poder circular pela cidade", afirmou. "A baixeza de José Serra é conhecida, e ele está pagando por isso. A população repudia o estilo dele de fazer política."
O petista disse ver "um pouco de desespero" no adversário, mas que já esperava virar alvo na TV qualquer que fosse a sua situação nas pesquisas. Os dois estão tecnicamente empatados em segundo lugar.
"Não é só uma questão de decadência política. É um problema de estilo", disse Haddad. "Ele é useiro e vezeiro em baixar o nível da campanha. Ele não consegue terminar uma campanha em nível elevado. Não consegue. É da genética dele."
O candidato ainda fez uma menção velada ao fato de Serra ter renunciado à prefeitura em 2006 para concorrer ao governo do Estado, um dos principais motes de sua propaganda contra o tucano.
"Eu sou um professor universitário, tenho uma biografia honrada. Eu honrei os cargos que ocupei, ao contrário dele, que assumiu compromissos que não honrou", disse.

Fonte: FDSP - http://virou.gr/Q3l0Py