quinta-feira, 16 de junho de 2016

Projeto na Câmara pretende barrar atuação do UBER e proteger taxistas

Deputados integrantes da Frente Parlamentar em Defesa dos Interesses da Classe dos Taxistas apresentaram nesta quinta-feira projeto de Lei 5587/2016 para combater a concorrência ilegal e predatória promovida pelo aplicativo Uber, proteger os taxistas e melhorar o serviço prestado aos consumidores. A proposta pretendente alterar as legislações que regulamentam o serviço de transporte público individual de passageiros e assim compatibilizar as novas tecnologias às atividades privativas empreendidas pelos taxistas ao incluir plataforma digital como mecanismo para acionar o serviço.

Na prática, a nova norma busca corrigir falhas na legislação que permitem hoje o crescimento do transporte clandestino por meio de meios tecnológicos, especialmente, a plataforma Uber. Esse aplicativo para dispositivos móveis conecta usuários a motoristas não credenciados para fazer transporte público de passageiros sem regulamentação. A proposta determina que somente carros de aluguel poderão fazer transporte público individual de passageiros de forma remunerada. Em nenhum caso, inclusive por meio de plataformas digitais, carros particulares terão autorização para prestar esse serviço.



Além disso, o projeto de lei apresentado estabelece maior controle ao exigir que o serviço de utilidade pública de transporte individual remunerado de passageiros, inclusive solicitado via aplicativos eletrônicos, seja organizado, disciplinado e fiscalizado pelo poder público municipal e tenha prévia fixação de tarifa a ser cobrada por meio de taxímetro físico. E estabelece, ainda, que somente profissionais taxistas poderão executar esse tipo de serviço de transporte. O projeto determina também que o não cumprimento das novas normas ocasionará penalidades e a proibição de exercício da atividade.

Com a experiência de ter exercido o cargo de secretário Municipal de Transportes da cidade de São Paulo, o presidente da Frente, o deputado Carlos Zarattini (PT/SP), destacou que o Uber busca estabelecer regras diferenciadas para um sistema que já existe e tem normas definidas pelo Poder Público. “O Uber criou suas próprias regras e tarifas sem qualquer inspeção ou controle dos órgãos competentes. Agora, esse projeto de lei que apresentamos busca inibir essa prática ao definir que esse serviço é campo restrito ao profissional taxista e acabar com lacunas na legislação”.

Zarattini alertou que a proliferação do Uber no Brasil está contribuindo para a extinção de postos de trabalho. “Essa empresa multinacional vai levar à falência o sistema de táxi porque é totalmente predatório do ponto de vista da concorrência. Por isso, vamos lutar para garantir que os quase 300 mil taxistas no Brasil, sendo 35 mil só em São Paulo capital, tenham seus empregos garantidos e a legislação respeitada”.

Assinaram a proposta conjuntamente com Zarattini o vice-presidente da Frente, deputado Luiz Carlos Ramos (PSDC/RJ), 2º vice-presidente, deputado Osmar Serraglio (PMDB/PR), a secretária geral, deputada Renata Abreu (PTN/SP), e os coordenadores deputados Rôney Nemer (PMDB/DF) e Laudivio Carvalho (PMDB/MG).

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Proposta de Serra abre caminho para a privatização da Petrobras, alerta Zarattini

Expectativas positivas, na realidade, são expectativas negativas para os interesses da Nação e do povo brasileiro. Assim reagiu o deputado Carlos Zarattini (PT/SP) à afirmação do senador e ministro interino do Ministério de Relações Exteriores, José Serra, de que as expectativas são positivas com a eventual aprovação do projeto de lei (PL 4567/16), de sua autoria. A proposta entreguista do ministro interino, que retira da Petrobras a obrigatoriedade de participar da extração de petróleo da camada pré-sal, foi debatida nesta terça-feira (7), na comissão especial que analisa o tema.    
“Sem dúvida. Ainda mais quando se anuncia que, se aprovado esse projeto, outros estão na fila para a aprovação, possivelmente projetos que preveem extinção do regime de partilha, extinção do conteúdo nacional prevista na lei e, consequentemente, a privatização da Petrobras”, alertou Carlos Zarattini, que é o segundo vice-presidente da comissão.
O deputado citou recente declaração do presidente interino da Petrobras, Pedro Parente que, segundo o petista, não negou e nem confirmou a intenção de privatização. “A fronteira do petróleo é o pré-sal brasileiro. Por isso temos que preservá-lo ”, defendeu Zarattini. 
Carlos Zarattini disse ainda que o argumento daqueles que defendem a retirada da Petrobras da exclusividade na extração do petróleo na camada do pré-sal, de que a empresa está quebrada, não se sustenta. “Ora, nada mais falso. A Petrobras tem um caixa de R$ 100 bilhões. E vai produzir nos próximo dois ou três anos mais de um milhão de barril por dia”, argumentou o vice-líder da bancada do PT, lembrando que o ciclo baixo vivenciado pela Estatal é conjuntural.

O parlamentar lembrou que o custo de produção do pré-sal gira em torno de US$ 20 o barril. Isso, segundo ele, gera interesse das multinacionais petrolíferas em controlar os campos do pré-sal brasileiro.  “É disso que se trata esse projeto do Serra. As multinacionais querem ter a reserva para o ciclo de alta. Então, o verdadeiro objetivo desse projeto é permitir que essas empresas multinacionais entrem nos nossos campos de petróleo que são altamente produtivos”, avaliou.
Zarattini concordou com o ministro interino quando este afirmou que o coração de uma empresa de petróleo é a exploração e a prospecção. No entanto, o petista afirmou que é exatamente esse coração que esse projeto busca atingir.
“O projeto é apresentado para desobrigar a Petrobras de participar como operadora única e da participação de 30% nos consórcios formados para exploração de blocos licitados no regime de partilha”, lembrou Zarattini, que também explicou que o termo não é desobrigar. “Na verdade, o que se pretende é retirar o poder da Petrobras de estar em todos os campos de operação. Na verdade não está desobrigando, ela tem o poder de estar presente em todos os campos, de operar em todos os campos e participar em 30%”, afirmou o deputado em referência à Lei de Regime de Partilha.
De acordo com  Zarattini, essa é uma posição estratégica para que o Brasil tenha controle de sua maior riqueza que é o pré-sal e do conhecimento tecnológico que o país adquiriu a partir dessa descoberta. “Esse conhecimento é tão importante e a tecnologia é tão importante que os EUA, através da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), espionaram a Petrobras. Eles queriam ter acesso a esse conhecimento, à nossa tecnologia. A tecnologia não é uma questão simples é uma questão complexa e nós desenvolvemos essa tecnologia”, considerou o deputado petista.  
Benildes Rodrigues
Expectativas positivas, na realidade, são expectativas negativas para os interesses da Nação e do povo brasileiro. Assim reagiu o deputado Carlos Zarattini (PT/SP) à afirmação do senador e ministro interino do Ministério de Relações Exteriores, José Serra, de que as expectativas são positivas com a eventual aprovação do projeto de lei (PL 4567/16), de sua autoria. A proposta entreguista do ministro interino, que retira da Petrobras a obrigatoriedade de participar da extração de petróleo da camada pré-sal, foi debatida nesta terça-feira (7), na comissão especial que analisa o tema.    
“Sem dúvida. Ainda mais quando se anuncia que, se aprovado esse projeto, outros estão na fila para a aprovação, possivelmente projetos que preveem extinção do regime de partilha, extinção do conteúdo nacional prevista na lei e, consequentemente, a privatização da Petrobras”, alertou Carlos Zarattini, que é o segundo vice-presidente da comissão.
O deputado citou recente declaração do presidente interino da Petrobras, Pedro Parente que, segundo o petista, não negou e nem confirmou a intenção de privatização. “A fronteira do petróleo é o pré-sal brasileiro. Por isso temos que preservá-lo ”, defendeu Zarattini. 

Carlos Zarattini disse ainda que o argumento daqueles que defendem a retirada da Petrobras da exclusividade na extração do petróleo na camada do pré-sal, de que a empresa está quebrada, não se sustenta. “Ora, nada mais falso. A Petrobras tem um caixa de R$ 100 bilhões. E vai produzir nos próximo dois ou três anos mais de um milhão de barril por dia”, argumentou o vice-líder da bancada do PT, lembrando que o ciclo baixo vivenciado pela Estatal é conjuntural.
O parlamentar lembrou que o custo de produção do pré-sal gira em torno de US$ 20 o barril. Isso, segundo ele, gera interesse das multinacionais petrolíferas em controlar os campos do pré-sal brasileiro.  “É disso que se trata esse projeto do Serra. As multinacionais querem ter a reserva para o ciclo de alta. Então, o verdadeiro objetivo desse projeto é permitir que essas empresas multinacionais entrem nos nossos campos de petróleo que são altamente produtivos”, avaliou.
Zarattini concordou com o ministro interino quando este afirmou que o coração de uma empresa de petróleo é a exploração e a prospecção. No entanto, o petista afirmou que é exatamente esse coração que esse projeto busca atingir.
“O projeto é apresentado para desobrigar a Petrobras de participar como operadora única e da participação de 30% nos consórcios formados para exploração de blocos licitados no regime de partilha”, lembrou Zarattini, que também explicou que o termo não é desobrigar. “Na verdade, o que se pretende é retirar o poder da Petrobras de estar em todos os campos de operação. Na verdade não está desobrigando, ela tem o poder de estar presente em todos os campos, de operar em todos os campos e participar em 30%”, afirmou o deputado em referência à Lei de Regime de Partilha.
De acordo com  Zarattini, essa é uma posição estratégica para que o Brasil tenha controle de sua maior riqueza que é o pré-sal e do conhecimento tecnológico que o país adquiriu a partir dessa descoberta. “Esse conhecimento é tão importante e a tecnologia é tão importante que os EUA, através da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês), espionaram a Petrobras. Eles queriam ter acesso a esse conhecimento, à nossa tecnologia. A tecnologia não é uma questão simples é uma questão complexa e nós desenvolvemos essa tecnologia”, considerou o deputado petista.  
Benildes Rodrigues

quarta-feira, 1 de junho de 2016

Zarattini condena omissão da mídia em desmandos na EBC sob comando de governo golpista

Em discurso na tribuna da Câmara, nesta terça-feira (31), o deputado Carlos Zarattini (PT-SP) criticou o silêncio da imprensa brasileira diante das arbitrariedades cometidas pelo governo interino e conspirador de Michel Temer contra os profissionais que atuavam na Empresa Brasil de Comunicação (EBC). O petista se referiu à demissão irregular de Ricardo Melo, ex-presidente da estatal e de outros jornalistas que tiveram seus contratos rompidos, entre eles, Tereza Cruvinel, Paulo Moreira Leite e Sidney Rezende. O deputado lamentou a saída irregular desses profissionais que, segundo ele, sempre buscaram expressar a opinião com profissionalismo e isenção.
“Quando é um governo golpista, que não tem nenhuma legitimidade, a imprensa brasileira se cala, a Rede Globo não fala nada, a Folha de S. Paulo fica quieta, a CBN não emite uma palavra”, criticou Carlos Zarattini, cobrando responsabilidade desses setores que em outras épocas bradaram por liberdade de imprensa e expressão.
Zarattini chamou a atenção para como seria o comportamento da mídia se fato semelhante a este fosse praticado por um gestor do Partido dos Trabalhadores. “Se esses atos tivessem sido feitos por um presidente do PT, estaríamos ouvindo as acusações de que queremos controlar a mídia, de que queremos fazer um governo bolivariano, de que não temos respeito à liberdade de expressão”, lamentou o petista. “Queremos a liberdade de imprensa!”, completou.
O caso – Assim que assumiu de forma golpista a Presidência da República, uma das primeiras ilegalidades cometida por Michel Temer foi exonerar o presidente da EBC, não respeitando a Lei 11.652/2008, que estabelece um mandato de quatro anos ao presidente da estatal. No lugar, o golpista nomeou Laerte Rímoli, aliado de Eduardo Cunha e ex-funcionário da Globo.
Rímoli não economizou na tinta. Assumiu o comando da empresa já quebrando os contratos com os jornalistas Tereza Crunivel, Paulo Moreira Leite e Sidney Rezende. A justificativa apresentada foi a de que “a estatal passa por um processo de reformulação, onde reavalia todos os contratos, diante da severa restrição orçamentária”, conforme noticiou o Portal Imprensa.
Copartícipe da implantação da EBC, Tereza Cruvinel que também presidiu a estatal por um período de quatro anos, classificou seu afastamento como “retaliação”. “A alegação de contenção de despesas também não se sustenta. Contratos de valor muito superior ao meu, com profissionais que atuam em outros programas, estão sendo mantidos. Então, se a razão é política, é perseguição, é macarthismo, algo absolutamente incompatível com a conduta de uma empresa de comunicação publica”, disse Tereza.
À frente do programa "Espaço Público", da TV Brasil , o apresentador Paulo Moreira Leite disse que o programa “expressava o ponto de vista de milhões de brasileiros que jamais se sentiram representados pela televisão. Isso é uma novidade política. Ele e outros programas da TV Brasil estavam contribuindo para aumentar o grau de democracia da comunicação, o que gerou essa reação".
Benildes Rodrigues com Portal Imprensa

Parlamento, movimentos sociais e sindicais reagem ao desmonte golpista da Previdência Social

O auditório Petrônio Portela do Senado foi tomado por parlamentares, entidades do serviço público e privado e representantes de todas as centrais sindicais do país e que se uniram, nesta terça-feira (31), para uma reação ao desmanche da Previdência Social no Brasil, promovido pelo governo golpista e conspirador de Michel Temer.
O ato ocorreu na audiência pública interativa sobre o tema realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa (CDH) do Senado, presidida pelo senador Paulo Paim (PT-RS). No evento, foi lançada a Frente Parlamentar Mista em Defesa da Previdência Social que tem o senador como um dos coordenadores. O objetivo da inciativa, segundo Paim, é a defesa intransigente e a manutenção dos direitos sociais e da gestão transparente da seguridade social.
“A tarefa não será nada fácil. O ataque é enorme, mas com a nossa união e consciência sairemos vencedores. A Previdência Social é dos trabalhadores deste país. Devolvam o nosso Ministério da Previdência”, reagiu Paim à incorporação da Previdência ao Ministério da Fazenda feita pela equipe golpista do governo interino de Temer.
O senador lembrou que, por iniciativa da sociedade civil, movimento como o que ocorreu hoje no Senado está acontecendo em todos os cantos do país, exigindo a volta do Ministério da Previdência.
Paulo Paim fez questão de esclarecer que o tripé que sustenta a seguridade social (previdência, assistência e saúde) é superavitário. Ele recorreu aos dados da Associação Nacional dos Auditores Fiscais da Receita (Anfip) para sustentar seu argumento. Segundo ele, os números revelam que houve superávit nos últimos nove anos. Em 2006 foi de R$ 59 bilhões; 2007 (R$ 72 bi); 2008 (R$ 64,3 bi); 2009 (R$ 32,7 bi). Já em 2010 esse superávit chegou à casa de R$ 53,8 bilhões; 2011 (R$ 75,7 bi); 2012 (R$ 82,6 bi) sendo seguidos, nos anos subsequentes 2013 e 2014 por valores de R$ 73,2 bilhões e R$ 54,2 bilhões, respectivamente. “Os dados da Anfip são esclarecedores e comprovam que a seguridade social é viável”, avaliou Paulo Paim.
O vice-líder da bancada do PT, Carlos Zarattini (PT-SP), um dos signatários da Frente, disse que o golpe perpetrado por Michel Temer, além de acabar com as conquistas dos trabalhadores contidas na CLT, de entregar o petróleo do pré-sal para as multinacionais, tem como um dos grandes objetivos o de acabar com a Previdência Social do Brasil.
“O governo golpista do Temer começa retirando direito daqueles que ainda vão se aposentar. Esse governo quer que esses trabalhadores continuem a trabalhar até os 65 anos”, salientou Zarattini. Ainda, conforme lembrou o parlamentar, o governo golpista “quer também retirar direitos daqueles que já se aposentaram, desvinculando o piso da Previdência do salário mínimo. Isso é um verdadeiro absurdo. Significa reduzir à miséria milhões de brasileiros que precisam desse benefício”, disse.
O deputado firmou compromisso com as centenas de pessoas que ouviram atentamente os argumentos em defesa de um dos grandes patrimônios sociais do país. “Quero dizer, em nome da bancada do PT, que estamos unidos e vamos combater nas ruas, nos sindicatos, nas fábricas e no Congresso Nacional essa malfadada reforma da Previdência”, avisou Zarattini, acrescentando que o Brasil vivencia com o governo golpista uma das maiores ofensivas aos direitos dos trabalhadores dos últimos tempos.
Benildes Rodrigues
Foto: Alessandro Dantas/PT no Senado

Mídia faz campanha negativa para justificar entrega do pré-sal às multinacionais, denunciam especialistas

Campanha sistemática da mídia brasileira e de setores da oposição comandada pelo PSDB em desmoralizar, achincalhar e estigmatizar a Petrobras – empresa considerada símbolo do País e orgulho dos brasileiros – pode causar um grave dano à estatal, que pode perder o protagonismo na exploração do petróleo da camada do pré-sal. O projeto de lei (PL 4567/16) do senador José Serra (PSDB-SP), atualmente chanceler interino do governo golpista, abre a exploração dessa riqueza ao mercado petrolífero internacional.
“A empresa é apresentada como um fenômeno de fracasso econômico. Ela é apresentada na mídia, na opinião pública, nos meios políticos como problema e não como solução”, lamentou o professor do curso de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC (UFABC), Igor Fuser, um dos debatedores da audiência pública que ocorreu nesta terça-feira (31), na comissão especial que analisa o projeto entreguista de Serra.
Para o acadêmico, essa é uma visão falsa sobre a empresa. No entanto, é com base nessa interpretação que chega ao Congresso Nacional um pacote de propostas de mudanças nas regras de exploração do petróleo brasileiro e no modelo de funcionamento da Petrobras.
O segundo vice-presidente da comissão especial, deputado Carlos Zarattini (PT-SP), afirmou que a exposição dos professores revela “que existe esse terror que foi criado de que a Petrobras é uma empresa falida, sem condições”.
O parlamentar lembrou que fatores conjunturais não podem justificar a abertura dessa fonte de energia para as empresas multinacionais. Segundo ele, a mudança no regime de partilha – amplamente debatido no Congresso Nacional – significa a eliminação dessa garantia da Petrobras ter 30% e de ter a exclusividade nessa operação.
“Uma empresa que vai, nos próximos dois anos, acrescentar mais um milhão de barris de produção, a partir de projetos que já estão prontos e começando a produzir nos próximos dois anos, uma empresa que fecha o trimestre com 100 bilhões em caixa, é muito difícil que essa empresa não tenha condições de fazer os investimentos necessários”, avaliou Zarattini.
Ao discorrer sobre o desempenho da Petrobras, Igor Fuser destacou que em dezembro de 2014 a estatal cresceu em produção, chegando a três milhões de barris/dia de óleo. O pré-sal, continuou o professor, alcançou em 2015 a marca de um milhão de barris diários, um nível de produção que, salientou Fuser, aumenta a cada dia. “A Petrobras mantém recorde na exploração de petróleo do pré-sal”, disse.
“Desde a descoberta do pré-sal, a mídia colocava em duvida a viabilidade de exploração desse recurso. Colocava em dúvida a capacidade de a Petrobras explorar esse petróleo de uma forma técnica e economicamente viável”, lembrou Igor Fuser.
Conforme lembrou o professor, a produção do pré-sal ocorre de forma lucrativa e eficiente do ponto de vista econômico, mesmo em um momento desfavorável no mercado internacional como o atual. “Não podemos nos deixar levar quando se trata de algo tão estratégico, quando se trata de energia”, alertou Fuser, em critica à maneira como a mídia tem feito esse debate.
Ao se pronunciar sobre o tema, o diretor de Relações Institucionais da COPPE da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Luiz Pinguelli Rosa, se mostrou favorável à manutenção da Petrobras como operadora única do pré-sal. Para ele, os defensores da abertura às multinacionais, quando dizem que a Petrobras terá “prioridade” na exploração, tentam sinonimizar os termos.
“A Petrobras tem uma importância enorme. Sou a favor que ela continue como operadora exclusiva. É claro que a prioridade dá a impressão de ser a mesma coisa, mas não é. O Globo e os demais jornais nacionais vão sempre falar que é a mesma coisa. Os rapazinhos engravatados que a noite aparecem nas telas”, criticou Pinguelli Rosa.
“O pré-sal é estratégico. O pré-sal é um bilhete premiado. O problema é poder ir lá no fundo. É uma profundidade muito grande – uma camada de sal com características próprias e a Petrobras conseguiu fazer isso. É bom que ela se preserve dona de uma vantagem comparativa. Se ela abrir mão de ser operadora essa vantagem comparativa vai ser reduzida”, afirmou o diretor da COPPE.
Benildes Rodrigues
Charge: Bessinha

terça-feira, 24 de maio de 2016

“Estão colocando em prática mais um objetivo do golpe: entregar o pré-sal”, afirma petista

O deputado Carlos Zarattini (PT-SP) condenou a intenção do governo golpista de Michel Temer de agilizar a abertura da exploração do pré-sal para companhias petrolíferas estrangeiras. Durante entrevista à imprensa nesta terça-feira (24), Temer disse que vai apoiar o projeto de lei (PL 4.567/16), do senador licenciado e agora ministro das Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP), que retira da Petrobras a obrigatoriedade de participar da extração de petróleo da camada pré-sal. “Vamos apoiar esse projeto sem nos incomodar com críticas que virão”, afirmou Michel Temer.
A proposta do tucano retira a exclusividade da Petrobras para atuar como operadora única do pré-sal e acaba com a obrigatoriedade de participação mínima da empresa em 30% nos consórcios formados para exploração de blocos licitados no regime de partilha.

“Eles estão colocando em prática mais um objetivo do golpe que afastou a presidenta Dilma Rousseff da presidência. Querem quebrar a participação da Petrobras no pré-sal e entregar tudo para as multinacionais, que sempre desejaram colocar as mãos em uma das maiores reservas de petróleo do mundo”, alertou.
Atualmente, a Lei 12.351/10 determina que a Petrobras seja a operadora exclusiva responsável pela condução e execução de todas as atividades de exploração, avaliação, desenvolvimento, produção e desativação das instalações de exploração e produção de petróleo.
Na prática, se o projeto de José Serra for aprovado a estatal passaria a ser apenas mais uma petrolífera que disputaria áreas do pré-sal, e só seria operadora quando conseguisse formar um consórcio vitorioso no leilão dos blocos.
Fundo Soberano- Entre as medidas anunciadas também está a extinção do Fundo Soberano, criado em 2008 com a sobra do superávit primário que existia naquele momento e com royalties do petróleo.
Héber Carvalho / Foto: Gustavo Bezerra

segunda-feira, 23 de maio de 2016

Uma semana de desastre do governo Temer será combatida nas ruas e no Parlamento, avisa Zarattini

O vice-líder da Bancada do PT na Câmara, deputado Carlos Zarattini (PT-SP) demonstrou preocupação com uma semana de desastre que o presidente golpista e conspirador Michel Temer provocou nas conquistas sociais, econômicas e trabalhistas do povo brasileiro. Os 13 anos de avanços promovidos pelos governos do ex-presidente Lula e da presidenta Dilma estão sendo solapados por uma corja que tomou de assalto a Presidência da República.
“Em apenas uma semana, esse governo golpista do Temer já mostrou qual é o seu principal objetivo”, afirmou Zarattini elencando as medidas desastrosas encampadas pelo golpista.
“Esse governo antipopular, antidemocrático já apresentou como tarefa principal a reforma da Previdência Social, tirando direitos daqueles que já estão contribuindo e propondo desvinculação do salário mínimo das aposentadorias, prejudicando, inclusive, os que já estão aposentados”, afirmou Zarattini apontando a arbitrariedade que está sendo cometida nos direitos adquiridos dessa parcela da população.

Zarattini rechaçou a inciativa do governo provisório que propõe a terceirização da mão de obra. “Essa medida liquida com a legislação trabalhista”, alertou o deputado se referindo à CLT (Consolidação das Leis do Trabalho) que garante, entre outros direitos, férias remuneradas, salário-mínimo, pagamento de hora extra, 13º salário, licença-maternidade que agora estão ameaçados.
O deputado do PT de São Paulo fez questão de frisar que para interromper essa caminhada galopante de retrocesso é preciso “batalhar nas ruas e no Parlamento para que esse governo não tenha vida longa e não prejudique o povo brasileiro”.
EBC - O deputado alertou ainda para o risco que a exoneração do presidente da Empresa Brasileira de Comunicação (EBC), jornalista Ricardo Melo, pode acarretar para o direito constitucional que estabelece a liberdade de imprensa.
“No campo democrático, demitiram o presidente da EBC que é uma agência independente de notícias do governo federal. Com isso, coloca em risco a liberdade da imprensa pública. Eles que tanto falavam de imprensa livre”, criticou Zarattini, se referindo a ilegalidade cometida por Michel Temer, que não respeitou a Lei 11.652/2008, que estabelece um mandato de quatro anos ao presidente da EBC.
Relações Exteriores - O vice-líder da bancada petista fez duras críticas às ações do ministro interino do Ministério de Relações Exteriores, José Serra (PSDB-SP). Segundo Zarattini, mal ocupou o cargo e o tucano começa a “falar grosso” com os países vizinhos do Brasil. “José Serra já chega ameaçando países da América Latina e da África onde o Brasil estabeleceu relações, inclusive, comerciais”, reclamou Zarattini.
“Ele (Serra) vem com argumento de se ter um Itamaraty apartidarizado e logo de cara dá passaporte diplomático a um bispo da igreja evangélica - o pastor Samuel Ferreira -, por quem temos muito respeito, mas o senador José Serra tem que ser republicano”, salientou.
Benildes Rodrigues

terça-feira, 17 de maio de 2016

Artigo: Em torno do poder por Janio de Freitas

Em torno do poder
 Por Janio de Freitas* 
A rapidez e a facilidade com que Câmara e Senado levaram ao processo de impeachment não foram naturais, nem espontâneas. No Conselho de Ética da Câmara, a batalha em torno da cassação de Eduardo Cunha reflete muito melhor as lutas pelo poder político nos parlamentos.

Poder que, sobretudo no Brasil, vem a ser também material, com influência em altos valores públicos e privados, possíveis manipulações de projetos e outras no interesse de grandes grupos econômicos, e ainda favorecimentos em nomeações ou eleitorais. As aparências públicas sugerem a luta em torno de um mandato, mas, se não for um deputado chinfrim, o mandato propriamente é o de menos.

Com mais razão, e com seu poder disseminado sobre uma infinidade de interesses privados e públicos, passa-se o mesmo em torno de uma presidência suscetível de assédio. O exemplo do que ocorreu com Getúlio, no seu criativo e ótimo governo presidencial nos primeiros anos 1950, é para se tornar clássico na história da luta entre a força de interesses e o poder governamental. No Brasil, até hoje, sempre com o mesmo vencedor.

Foram várias as forças a impulsionar as ações e o ambiente nacional pelo impeachment de Dilma Rousseff. Os políticos, por exemplo, estão conhecidos em seu papel. Imprensa e TV, mais ainda, talvez na culminância dos seus surtos de antijornalismo político (nem a visita e as palavras institucionais e democráticas do secretário-geral da OEA, Luis Almagro, foram divulgados). Mas há os impulsos pouco ou nada conhecidos, o que já lhes indica a força e a dimensão do interesse.

Petróleo. Pré-sal. Petrobras. Os boicotes tramados contra o sistema de concessões e participações no pré-sal foram frustrados, e isso resultou em que as petroleiras boicotadoras ficaram de fora. Indignadas e sedentas. O competente corpo técnico da Petrobras superou os problemas para exploração no pré-sal, com os quais as boicotadoras poderiam contar para dificuldades que lhes abrissem nova oportunidade. Os percalços de uma ou outra empresa associada à exploração foram insignificantes no êxito geral.

Retirar da legislação das concessões a obrigatória participação e operação da Petrobras, na exploração mesmo por empresa privada, é a primeira fórmula proposta para quebra do sistema vigente, aproveitando-se da crise financeira da estatal e do seu desgaste político e na opinião pública. Surgiu ainda sob improbabilidade do impeachment: José Serra apresentou o projeto no Senado.

Logo se iniciou o trabalho sobre e dentro da imprensa, em pouco tempo aparecendo páginas inteiras de assuntos correlatos mas incidentes na abertura do pré-sal. A possibilidade do negócio foi levantada por alguns até no próprio governo de Dilma.

Dois nomes tornaram-se citados na articulação, política e comercial, dos interesses dirigidos ao pré-sal. Daniel Dantas, dono do banco de investimentos Opportunity, notabilizado por negócios grandiosos e vários deles rumorosos; e Eduardo Cunha, íntimo conhecedor da área estatal e controlador de grande parte da Câmara.

É a estarem ambos no assunto petróleo que se atribui a proximidade de Serra e Cunha, até que o desgaste forte do presidente da Câmara retraísse o senador, para efeitos públicos.

Michel Temer entregou o programa de concessões a Moreira Franco, de histórico notório. Para ter tal encargo, Moreira abriu mão até de ser ministro. Há várias semanas, já dizia a jornalistas: "Tudo que for privatizável vai ser privatizado". Toda estatal é privatizável. E Michel Temer fala em concessões como parte importante de suas intenções.

O preço baixíssimo do petróleo torna a ocasião muito propícia para a compra de pré-sal da Petrobras. O custo alto da exploração não é empecilho. Por certo, em algum tempo o preço voltará a subir. Não é preciso dizer mais sobre uma das forças pouco ou nada mencionadas que agitam o Brasil e, entre outros feitos, impulsionam o impeachment –você sabe como. 

Artigo publicado na Folha S. Paulo no dia 15 de maio de 2016.

*Colunista e membro do Conselho Editorial da Folha, é um dos mais importantes jornalistas brasileiros. Analisa as questões políticas e econômicas. Escreve aos domingos e quintas-feiras.




sexta-feira, 13 de maio de 2016

Em discurso, Zarattini diz que golpe é tentativa de impor "ditadura civil e interromper projeto de Brasil democrático e socialmente justo"

Nesta quinta-feira, dia 12 de maio de 216, data em que a jovem democracia brasileira sofreu com a ruptura provocada pelas forças conservadoras, o vice-líder do PT, deputado Carlos Zarattini (PT/SP), em discurso na tribuna da Câmara, destacou o legado deixado pelos governos Lula e Dilma na luta pela garantia de direitos trabalhistas e sociais.

O afastamento da presidenta legitimamente eleita Dilma Rousseff também foi amplamente criticado pelo parlamentar. “Saibam os golpistas que, rasgando a Constituição, pode se saber como começa o golpe, mas não como termina. Vamos resistir, vamos lutar! Vamos fortalecer ainda mais a Frente Brasil Popular, para continuar denunciando e enfrentando os golpistas e a campanha vergonhosa comandada pela Rede Globo e a grande mídia contra Lula e o PT. É a nossa resposta aos que querem implantar uma ditadura civil e interromper nosso projeto de construção de um Brasil democrático, soberano e socialmente justo”.





Leia na íntegra o discurso do parlamentar paulista: 

"Hoje nós estamos vivendo o final desse processo golpista, que resultou no afastamento da presidenta Dilma. Não é somente um golpe contra ela. É um golpe contra o presidente Lula, contra o PT, contra o nosso povo e contra o Brasil. 

Os golpistas sempre combateram Lula e o PT, mesmo antes de nossa primeira vitória eleitoral em 2002, quando foi eleito presidente da República. Diziam que ele era um operário ignorante e que nunca iria se eleger. E, caso fosse eleito, não teria como governar, porque o PT era em sua maioria um bando de sindicalistas sem conhecimento para administrar um País, que estava na época com uma economia quebrada e submissa às regras ditadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), com milhões de brasileiros na miséria e passando fome. 

A história mostrou exatamente o contrário. Com sabedoria e habilidade política, o nosso sempre presidente Lula soube superar a crise econômica e social em que o País vivia elaborando programas sociais como o Fome Zero e o Bolsa Família realizando a valorização do salário mínimo e um financiamento aos pequenos e médios produtores rurais com juros reais negativos, abaixo da inflação, e tantas outras medidas, como crédito favorecido para os trabalhadores e aposentados, estimulando o consumo e a abertura de contas bancárias como jamais visto em nosso País.

Em 2005, as principais emissoras de televisão, como a Rede Globo, e a grande imprensa desenvolveram, em apoio à oposição dos tucanos e do DEM, o antigo PFL, uma vergonhosa campanha midiática, com base na desinformação e em mentiras contra o presidente Lula e o PT, o que não impediu que milhões de brasileiros reconhecessem o êxito do Governo, reelegendo Lula para um segundo mandato em 2006.

O mesmo Ministério Público Federal que não incriminou o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso pela comprovada compra de votos que fez para modificar o texto constitucional, dando-lhe o direito de se candidatar para um segundo mandato, acusou o governo Lula e o PT de compra de votos para obter uma maioria no Congresso Nacional. 

O Supremo Tribunal Federal, por meio de seu ministro Joaquim Barbosa, de triste memória, abriu a Ação Penal nº 470, que a mídia apelidou de Mensalão, para condenar os principais dirigentes do PT, os companheiros José Dirceu, Delúbio, João Paulo e Genoíno, utilizando uma polêmica teoria jurídica, a do domínio do fato, isto é, de que eles obrigatoriamente conheciam a citada compra de votos, sem apresentar uma única prova. 

Os êxitos do governo no segundo mandato do presidente Lula foram ainda maiores. Além de programas como o PROUNI, que permitiu a milhões de estudantes de famílias de baixa renda ingressar numa universidade, havia programas como o PRONATEC e o Ciência sem Fronteiras, que abriram oportunidade a mais de 20 mil universitários brasileiros para que fossem estudar no exterior, principalmente nos Estados Unidos. Foi um governo que enfrentou a crise econômica mundial com sabedoria, gerando empregos, fazendo com que a economia superasse aquele momento difícil, e nós pudéssemos avançar com desenvolvimento e distribuição de renda.

Em 2007, no governo Lula, a Petrobras descobriu as reservas do pré-sal, que é o petróleo que existe em alto-mar, a 300 quilômetros da costa, a 7 mil metros de profundidade. Os poços do pré-sal têm alta produtividade e, com uma tecnologia de perfuração em águas profundas criada pela Petrobras, proporcionou um custo muito mais baixo de exploração, de quase 10 dólares, aproximadamente, o barril de petróleo. E, olhem em 2017 nós vamos aumentar a produção do petróleo em mais 1 milhão de barris por dia, com as plataformas que já estão entrando em operação nos campos do pré-sal. A produção da Petrobras vai passar de 2 milhões de barris para 3 milhões de barris em 2017.

A campanha midiática contra o nosso governo não cessou. Muito pelo contrário, aumentou de forma feroz, criticando não apenas nossos erros, mas também nossos acertos. Por exemplo, criticaram que possibilitamos que o filho de uma trabalhadora empregada doméstica estudasse na mesma universidade do filho da patroa.

Apesar da crise da economia global, iniciada nos Estados Unidos, em 2008 e 2009, com a falência do Banco Lehman Brothers, causada basicamente pela lógica do capital financeiro, que não produz um parafuso, um prego, nem sequer uma agulha e obtém lucros fabulosos com a especulação, não gerando nenhum emprego e distribuição de renda, apesar disso tudo, nas eleições de 2010 novamente fomos vitoriosos. Elegemos a companheira Dilma, que derrotou o candidato tucano José Serra com significativa diferença de votos.

Em seu primeiro mandato, a companheira Dilma, ao ter rebaixado a taxa básica de juros, SELIC, e também reformulado o Código Florestal provocou uma reação feroz de banqueiros e de médios e grandes proprietários rurais, que não aceitavam que o Brasil pudesse conviver com um meio ambiente de qualidade.

Mesmo assim, em 2014, Dilma conseguiu se reeleger para um segundo mandato, derrotando o tucano Aécio Neves. Pela quarta vez, o PT e os partidos democráticos e populares conseguiram derrotar um candidato tucano, lembrando que Alckmin e Serra, respectivamente, em 2006 e 2010, já tinham provado o pó da derrota.

Nesse segundo mandato, Dilma desenvolveu programas importantíssimos, como o Minha Casa, Minha Vida, que já construiu e equipou mais de 2 milhões de lares, e o programa Mais Médicos, que presta atendimento em milhares de municípios e postos de saúde que não tinham um médico sequer. A essa altura a repercussão da crise global em nosso país já era intensa porque os valores dos produtos que nós exportávamos — matérias-primas como soja, milho, açúcar, cacau, ferro, petróleo etc. —, as chamadas commodities, sofreram uma queda de preço brutal no mercado internacional, reduzindo as atividades econômicas no país, o que provocou desemprego e redução drástica na arrecadação de tributos. Isso sem dizer da brutal seca que afetou os reservatórios das nossas usinas hidrelétricas, obrigando o governo a acionar as usinas termelétricas, o que elevou substancialmente o valor da tarifa de energia, impactando no orçamento de milhões de consumidores brasileiros e também no orçamento das empresas brasileiras.

O impacto da seca nas tarifas de energia elétrica contribuiu para o aumento da inflação e contribui também para a redução do poder de compra do povo brasileiro. No início de 2014, com a campanha midiática contra a companheira Dilma e com a economia já demonstrando fragilidade, decorrente da crise econômica global, é instalada a delirante Operação Lava-Jato em Curitiba. Trata-se de uma força-tarefa sem limites formada pelo Ministério Público Federal e pela Polícia Federal, sob o comando do Juiz Sérgio Moro, para investigar, processar e condenar atos de corrupção na Petrobras em contratos assinados com grandes empreiteiras nacionais, envolvendo partidos políticos e parlamentares, que buscavam junto a essas empresas recursos para campanhas eleitorais.

A mídia e a Operação Lava-Jato focaram quase que exclusivamente em um único partido, o PT. Quase que exclusivamente buscaram atingir uma única figura: Luiz Inácio Lula da Silva.

A campanha midiática se intensificou a níveis nunca antes vistos, formando uma opinião pública majoritária de que todos os políticos são corruptos, exigindo a condenação de dezenas de réus sem culpa formada e muito menos com sentença condenatória. Vazamentos na imprensa feitos por alguns membros dessa força tarefa se tornaram um espetáculo midiático em vários noticiários de TV, nos quais anúncios de prisões, buscas e apreensões em casas e escritórios, bem como delações premiadas se tornaram rotina.

Nesse cenário, a Oposição e alguns partidos, principalmente PSDB, DEM e PPS, que historicamente sempre foram derrotados pelo PT, não podendo acusar a Presidenta Dilma de desonesta ou corrupta, levantaram a tese do impeachment. Pediram sua deposição por ter cometido crimes de responsabilidade. Alegaram pedaladas fiscais com base nos decretos por ela assinados de remanejamento de verbas. Isso era absolutamente legal, foi realizado por todos os Presidentes que antecederam a Presidenta Dilma sem que isso importasse em dispêndio de um tostão a mais daquilo que estava previsto no Orçamento. Essa tese, levantada por esses partidos de oposição, obteve a adesão de golpistas do PMDB, tendo à frente o Vice-Presidente Michel Temer.

Aliás, é interessante notar que hoje o PSDB praticamente é obrigado a aderir ao novo governo. Ele fez tudo para que o nosso governo fosse derrotado e hoje adere a contragosto ao novo governo, praticamente derrotado, porque o prestígio de Aécio Neves a cada dia cai mais nas pesquisas eleitorais para 2018.

Ou seja, o PSDB não ganhou em nada com essa atitude golpista. É condenado pelo povo brasileiro por ter colaborado para romper a democracia em nosso País. Os golpistas, tendo à frente o vice-presidente Michel Temer, querem compensar os prejuízos da crise não taxando os que ganham mais, banqueiros, multinacionais, especuladores. Querem sim, como ele próprio declarou, impor mais sacrifícios ao povo e vender as empresas e as riquezas nacionais, por exemplo, o petróleo do pré-sal, na bacia das almas.

É claro que, para entregar o pré-sal e impor sacrifícios para o povo, tinham que dar um fim ao governo do PT e depor a Presidenta Dilma, que jamais aceitaria tirar a Petrobras do pré-sal, como quer o Senador José Serra, e muito menos acabar com os contratos de partilha, fazendo concessões por 30 anos para as grandes empresas petroleiras estrangeiras, como Chevron, Shell, Mobil Oil e outras.

Na prática, os golpistas abdicaram da nossa soberania nas jazidas do pré-sal, nas Bacias de Campos e de Santos. A espionagem feita pela National Security Agency —NSA, dos Estados Unidos, nos computadores da Petrobras e da presidenta Dilma demonstra, de forma cabal, a violação da nossa soberania pelos Estados Unidos. Sem dúvida, o pré-sal é um dos principais motivos para perpetrar o golpe contra a Presidenta. Pelas mesmas razões, ocorreram os golpes que derrubaram Getúlio Vargas, em 1954, e João Goulart, em 1964.

É necessário registrar que, no golpe contra a companheira Dilma, não houve intervenção e participação das Forças Armadas. Mas podemos dizer com certeza que o novo governo que se instala hoje, um governo golpista, vai trabalhar, e muito, para diminuir e para desmontar projetos de fortalecimento das Forças Armadas, projetos que garantem sua autonomia e que colocam as nossas Forças Armadas em condições equiparadas às melhores da região do hemisfério sul. Nós precisamos denunciar isso claramente. A quem interessa esse desmonte?

O que querem os golpistas? Querem tirar direitos que os trabalhadores conquistaram ao longo de anos de luta. Os tucanos e os golpistas querem acabar com a política de valorização do salário mínimo com aumentos acima da inflação, política de valorização que resultou em um aumento real do salário mínimo de 77% nos últimos anos. Querem desvincular as aposentadorias do salário mínimo para que elas tenham um valor menor. 
Veja só, deputado Ságuas Moraes, estão locando a Previdência Social sob o jugo do Ministério da Fazenda.

Ou seja, vão tratar os aposentados em planilhas, vão tratar os aposentados como números e não como seres humanos. Não procurarão valorizá-los, não procurarão melhorar sua qualidade de vida, nem a dos trabalhadores que ainda vão se aposentar. É disso que se trata.

Querem impor a idade mínima de 65 anos para aposentadoria, tanto para homens como para mulheres. Os companheiros que hoje podem se aposentar aos 60 anos de idade terão que se aposentar aos 65. E as companheiras que hoje podem se aposentar aos 55 anos vão se aposentar aos 65 anos também, trabalharão por mais 10 anos, o que é um absurdo.

Esses golpistas querem a terceirização da mão de obra para não pagar direitos como férias, 13° salário e, até mesmo, para nem assinar a carteira de trabalho. Deram esse golpe com apoio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo — FIESP e da Confederação Nacional da Indústria — CNI, porque essas entidades sabem que a Presidenta Dilma não sancionaria aquele projeto de terceirização que foi aprovado nesta Casa e que está paralisado no Senado Federal, graças à resistência de alguns Senadores, como o Senador Paulo Paim, que tem feito de tudo para impedir que esse projeto avance.

Com Michel Temer, provavelmente o projeto será sancionado, reduzindo direitos dos trabalhadores, rebaixando a mão de obra no País, fazendo com que o nosso trabalhador tenha que trabalhar mais, por mais horas, com menos condições de trabalho. Estão dando esse golpe para reduzir ou mesmo acabar com as conquistas alcançadas nos quase 14 anos dos Governos Lula e Dilma: o Bolsa Família; o Minha Casa, Minha Vida; o Programa Universidade para Todos — PROUNI; o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego — PRONATEC; o Mais Médicos; e tantos outros programas sociais.

Para que querem tirar recursos desses programas? Para pagar os juros de uma dívida interna que em 2015 totalizou 596 bilhões de reais, mais de meio trilhão de reais. Isso seria só para pagar os juros da dívida com os banqueiros.  Nós, do PT e dos partidos que têm vinculação com os movimentos sociais, não vamos permitir que os golpistas tirem direitos do nosso povo! Nós vamos lutar, nesta Casa e nas ruas, para impedir que esses projetos sejam aprovados.

As forças populares dos partidos e das organizações democráticas, a militância do PT, Parlamentares e intelectuais, a CUT, a CTB, a Intersindical, o MST — Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra, o MTST — Movimento dos Trabalhadores Sem Teto, a Frente Brasil Popular, a Frente Povo Sem Medo, os artistas e grupos culturais e os que lutam pelos direitos humanos contra todo tipo de discriminação, com uma ampla e crescente participação da nossa juventude e das mulheres em nosso País, em todos esses movimentos de protesto contra o impeachment e o golpe têm demonstrado em atos massivos, como a manifestação de 18 de março na Avenida Paulista, uma força e uma bravura que os golpistas não esperavam.

Saibam os golpistas que, rasgando a Constituição, pode se saber como começa o golpe, mas não como termina. Nós assistimos, em 1964, a vários Deputados e Senadores apoiarem aquele golpe e, 1 ano, 2 anos depois, serem cassados pela ditadura militar. Muitos acreditaram que poderiam salvar o Brasil, como Carlos Lacerda, que, em seguida, foi cassado, e muitos foram cassados até mesmo por corrupção.


Vamos resistir, vamos lutar! Vamos fortalecer ainda mais a Frente Brasil Popular, para continuar denunciando e enfrentando os golpistas e a campanha vergonhosa comandada pela Rede Globo e a grande mídia contra Lula e o PT. É a nossa resposta aos que querem implantar uma ditadura civil e interromper nosso projeto de construção de um Brasil democrático, soberano e socialmente justo".

Foto: Alex Ferreira