terça-feira, 2 de julho de 2013

Câmara aprova redução a zero do PIS e da Cofins do transporte coletivo.

O Plenário aprovou nesta quarta-feira (26) proposta que reduz a zero as alíquotas das contribuições sociais para oPIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre os serviços de transporte público coletivo municipal rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros. O texto aprovado é uma emenda de Plenário apresentada em substituição ao Projeto de Lei 2729/11, do deputado Mendonça Filho (DEM-PE).

Pelo texto, que segue agora para o Senado, o benefício fiscal alcança também os serviços públicos prestados em regiões metropolitanas regularmente constituídas.

A redução a zero das referidas alíquotas para os serviços de transporte coletivo já está em vigor por conta da edição da Medida Provisória 617/13. No entanto, a comissão mista do Congresso que deverá analisar a MP ainda não foi instalada. A principal inovação da proposta aprovada hoje refere-se à redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e da Cofins também do transporte aquaviário.

O projeto
Inicialmente, o Projeto de Lei 2729/11 previa o benefício fiscal apenas para o transporte público coletivo municipal terrestre. Mas a emenda substitutiva aprovada em Plenário estendeu a desoneração ao transporte aquaviário. A expectativa é que a medida contribua para reduzir o valor das passagens de ônibus, trens e metrôs e de embarcações utilizadas no transporte aquaviário. 

O projeto estava apensado ao PL 2990/11, que limitava a redução das alíquotas ao período de cinco anos. O texto aprovado, no entanto, deixa em aberto o prazo de validade do benefício.

O deputado Milton Monti (PR-SP), relator do texto pela Comissão de Viação e Transportes, apresentou parecer favorável à matéria e à emenda. Segundo ele, a redução desses impostos federais contribui para melhorar a qualidade do transporte público e vai ao encontro do que vem sendo reivindicado nas recentes manifestações que ocorrem em todo o País.
Também apresentaram pareceres favoráveis os deputados Carlos Zarattini (PT-SP), pela Comissão de Finanças e Tributação, e Esperidião Amin (PP-SC), pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Segundo Zarattini, a estimativa de receita prevista no Orçamento deste ano já contempla a previsão de renúncia fiscal gerada pelas desonerações, que serão da ordem de R$ 1,2 bilhão em 2013.

Íntegra da proposta:

Reportagem - Murilo Souza
Edição - Natalia Doederlein

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Pronunciamento do Embaixador Bustami na abertura da exposição do Le Bourget

Importante pronunciamento do Embaixador do Brasil na França onde defende a parceria dos dois países no desenvolvimento de projetos de defesa e de transferência de tecnologia.

Seminário “Indústria aeronáutica e de defesa no Brasil: oportunidades para a Parceria Estratégica Brasil-França”

Embaixador José Maurício Bustani
18/6/2013

Ao introduzir este seminário sobre as oportunidades para a parceria Brasil-França no setor aeroespacial e de defesa, que a Embaixada do Brasil e o GIFAS têm o grande prazer de editar, pela segunda vez, a margem do salão LeBourget, queria compartilhar alguns elementos de análise e o meu testemunho.

Esse é um testemunho que me sinto especialmente autorizado a fazer, após ter completado cinco anos como Embaixador do Brasil em Paris e47anos no serviço exterior do Estado brasileiro, dos quais cinco na chefia da OPAQ, período no qual pude conhecer intimamente as entranhas do palco internacional e os instrumentos que seus grandes atores costumam utilizar na defesa egoísta dos seus interesses. Pude até conhecer a dolorosa experiência de ver minha imparcialidade injustamente punida. Darei, portanto, um testemunho político, de um servidor público apenas preocupado com o futuro do seu país.

O Brasil encontra-se em plena transformação. Nos últimos anos, conquistou avanços consideráveis em termos de crescimento econômico com justiça social e consolidação democrática. Emergiu como a sexta economia mundial e um dos polos de uma ordem multipolar em construção.

A emergência do Brasil trouxe, contudo, ao País o desafio de superar sua própria emergência e, assim, de construir-se como uma potência, dotada de todos os instrumentos militares, tecnológicos e industriais indispensáveis a essa condição.

Para tanto, a escolha de autonomia industrial em matéria de defesa, aeronáutica e espaço revela-se essencial. Uma indústria aeronáutica, espacial e de defesa independente, além de ser elemento motor do desenvolvimento nacional, permite autonomia de decisão e influência política no cenário internacional.

Para construir uma base industrial nesses setores, sólida e sustentável, a Estratégia Nacional de Defesa (END-2008) lançou a ideia de parcerias com países que possam contribuir para a transferência e o desenvolvimento de tecnologias de ponta de interesse nacional.

Vale a pena citar o que a END estipula a respeito:

“O Brasil não deseja ser mero comprador ou cliente de empresas estrangeiras, mas desenvolver cooperações estratégicas que alavanquem capacitações autóctones, o que requer a transferência para o território brasileiro de parte substancial dos esforços de P&D e de produção de plataformas, sistemas, equipamentos e componentes pretendidos [...]. Tais parcerias devem contemplar, em princípio, que parte substancial da pesquisa e da fabricação seja desenvolvida no Brasil, e ganharão relevo maior, quando forem expressão de associações estratégicas abrangentes.”


A importância de parcerias estratégias, tais como descritas pela END, reside no reconhecimento de que, nas condições atuais de avanço tecnológico do Brasil, a autonomia de tecnologias e a capacidade industrial não têm como ser alcançadas de modo autárquico. O objetivo é a autonomia estratégica, não a autossuficiência.

As parcerias representam, assim, a oportunidade de economizar décadas de trabalho, além de dezenas de bilhões de reais que seriam despendidos a mais, se o caminho da autarquiafosse escolhido.

Parcerias estruturantes que envolvem capacitação industrial, de alta tecnologia e de recursos humanos são, contudo, excepcionais.

Isto porque tais parcerias transcrevem ato político e diplomático fundado na mais profunda confiança recíproca e no compartilhamento de valores e de visões política e geopolítica.

Tais parcerias vinculam governos, Forças Armadas e empresas por décadas, em função do longo ciclo de produção de armamentos e de sistemas espaciais e aeronáuticos. Considerando a complexidade dos programas e a sua natureza sensível, tais parcerias exigem esforço de coordenação política permanente entre os governos.

O número de países interessados e dispostos a travar parcerias em alta tecnologia é consideravelmente restrito, uma vez que:

i)                   Pouquíssimos países detêm tecnologia avançada em todo o leque das indústrias estratégicas (aeronáutica, naval, espacial, mísseis, nuclear, eletrônica, computação de alto desempenho, sistemas avançados de transporte). De fato, só quatro potências no mundo adquiriram todo esse leque de competências: Estados Unidos, França, Rússia e, cada vez mais, China;
ii)                O acesso a tecnologias de ponta e tecnologias sensíveis altera a estratificação do poder no cenário internacional;
iii)              As tecnologias estratégicas na área de defesa são geralmente submetidas a restrições de comércio e certificações diversas;
iv)              As tecnologias encontram-se, muitas vezes, protegidas por sistemas de direitos de propriedade intelectual ou preservadas sob a forma de segredo industrial;
v)                As tecnologias de ponta e sensíveis foram, em geral, objeto de vultosos financiamentos governamentais, ao longo de décadas, que possibilitaram a consolidação de indústrias estratégicas (polos de excelência e de competitividade em seus países – o caso da França desde De Gaulle). Existe, muitas vezes, por parte da opinião pública e das empresas desses países, o temor de que, ao repassar essas tecnologias, estariam criando seus futuros competidores.

Das grandes potências dotadas autonomamente de todos os atributos tecnológicos, apenas uma identificou no Brasil o parceiro ideal para somar esforços e adquirir escala. Apenas uma ofereceu condições máximas de acesso a tecnologias avançadas. Apenas uma,ao apoiar inequivocamente a concessão ao Brasil de assento permanente no Conselho de Segurança, sinalizou considerar a ascensão brasileira à condição de grande potência como algo que atende a seus próprios interesses.

Essa potência é a França.

A França é uma potência tecnologicamente avançada, dotada de uma indústria de defesa completa. É proprietária de sua tecnologia, sendo, por isso, capaz de e independente para transferi-la,

A França está disposta a transferir tecnologia e o tem feito com o Brasil, projetando e fabricando em conjunto, o que é a melhor forma de transferência de tecnologia. Os nossos interesses e necessidades são complementares: o Brasil quer ganhar capacitação tecnológica e industrial e a França busca escala e margem para competir no cada vez mais aguerrido mercado mundial.


A cooperação Brasil-França é, de fato, um caso emblemático de parceria estratégica e, por enquanto, um caso único, em termos de real capacitação industrial e tecnológica nacional, tendo no Prosub seu principal “garoto-propaganda”.

O Prosub, em cuja negociação estive profundamente envolvido, é umprograma complexo do ponto de vista tecnológico, de longo prazo do ponto de vista de sua execução e de alta sensibilidade política, tendo em vista as tecnologias implicadas (interface nuclear, sistemas de combate etc).

O Prosub é o maior empreendimento de cooperação internacional, tanto do Brasil como da França, na área de defesa e talvez o único dessa natureza no mundo.

Sua execução está sendo um sucesso. É a prova de que, com confiança e respeito, é possível cooperar em domínios sensíveis. A transferência de tecnologia está efetivamente ocorrendo, assim como o esforço de nacionalização da produção. Mais de 210 engenheiros e técnicos da Marinha do Brasil já foram treinados na França, além de pessoal de empresas brasileiras envolvidas no projeto, em áreas sensíveis como concepção de submarinos e sistemas de combate. 

As oportunidades no campo da aeronáutica e do espaço são imensas. Nesses setores também existe o compromisso francês de transferência de tecnologia, capacitação de pessoal, adensamento da malha industrial e formação de empresas brasileiras sólidas.

Causa-me constrangimento ver que países menos desenvolvidos que o Brasil já desenvolveram foguetes lançadores e colocaram satélites em órbita.

Se o potencial salta aos olhos, é inegável, por outro lado, que a concretização da parceria ainda depende de certo grau de visão política dos dois lados.

O começo do século 21, com o fim da secular hegemonia ocidental e o delineamento de um mundo verdadeiramente multipolar, coloca, tanto para o Brasil, quanto para a França, a questão de quais parcerias deverão ser priorizadas para que cada um se mantenha competitivo em relação aos dois gigantes, Estados Unidos e China, e aos demais pólos de poder.

Por isso é que, dentre as parcerias possíveis, estou convencido de que a parceria Brasil-França é a única que se pode qualificar de verdadeiramente autêntica. Muito além da complementariedade industrial e econômica, a parceria se funda na proximidade cultural, no regime político democrático, no intercâmbio humano frequente e na semelhança de visão de mundo.


Muito obrigado pela atenção.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Projetos do Dep. Zarattini fazem parte do pacote do Planalto para dar resposta às manifestações ocorridas no país

Dentre os Projetos apresentados pela Presidenta Dilma para dar resposta às manifestações populares ocorridas nos últimos dias em todo o país, alguns têm sido objeto do trabalho do Dep. Zarattini na Câmara.

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São temas que tratam de mais investimentos em Educação, da redução das tarifas dos transportes públicos e do combate à corrupção.
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Esses Projetos estão em tramitação, seja na Câmara ou no Senado, e com possibilidades reais de, muito em breve, se tornarem leis. Acompanhe, clicando em cada link.



Bilhete Único Metropolitano e desoneração dos transportes: http://www.mediafire.com/view/ddllaa2idd2la8y/jornal-3.pdf



Destacamos aqui o PL 6826/2010, conhecido como Projeto de Lei Anticorrupção que define a responsabilização administrativa e civil de pessoas jurídicas (empresas) que pratiquem atos contra a administração pública. Deputado Zarattini reitera que a aprovação desse projeto é muito importante porque aí passarão a ser punidas as duas partes envolvidas no ato de corrupção porque “Não existe corrupto sem corruptor”.

Leia a entrevista do Deputado concedida a Rede Brasil Atual na segunda feira (24-06) acerca do assunto: http://www.redebrasilatual.com.br/politica/2013/06/nao-existe-corrupto-sem-corruptor-diz-zaratini-9107.html

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Câmara aprova redução a zero do PIS e da Cofins do transporte coletivo.

O Plenário aprovou nesta quarta-feira (26) proposta que reduz a zero as alíquotas das contribuições sociais para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre os serviços de transporte público coletivo municipal rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros. O texto aprovado é uma emenda de Plenário apresentada em substituição ao Projeto de Lei 2729/11, do deputado Mendonça Filho (DEM-PE).

Pelo texto, que segue agora para o Senado, o benefício fiscal alcança também os serviços públicos prestados em regiões metropolitanas regularmente constituídas.

A redução a zero das referidas alíquotas para os serviços de transporte coletivo já está em vigor por conta da edição da Medida Provisória 617/13. No entanto, a comissão mista do Congresso que deverá analisar a MP ainda não foi instalada. A principal inovação da proposta aprovada hoje refere-se à redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e da Cofins também do transporte aquaviário.

O projeto


Inicialmente, o Projeto de Lei 2729/11 previa o benefício fiscal apenas para o transporte público coletivo municipal terrestre. Mas a emenda substitutiva aprovada em Plenário estendeu a desoneração ao transporte aquaviário. A expectativa é que a medida contribua para reduzir o valor das passagens de ônibus, trens e metrôs e de embarcações utilizadas no transporte aquaviário. 

O projeto estava apensado ao PL 2990/11, que limitava a redução das alíquotas ao período de cinco anos. O texto aprovado, no entanto, deixa em aberto o prazo de validade do benefício.

O deputado Milton Monti (PR-SP), relator do texto pela Comissão de Viação e Transportes, apresentou parecer favorável à matéria e à emenda. Segundo ele, a redução desses impostos federais contribui para melhorar a qualidade do transporte público e vai ao encontro do que vem sendo reivindicado nas recentes manifestações que ocorrem em todo o País.
Também apresentaram pareceres favoráveis os deputados Carlos Zarattini (PT-SP), pela Comissão de Finanças e Tributação, e Esperidião Amin (PP-SC), pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Segundo Zarattini, a estimativa de receita prevista no Orçamento deste ano já contempla a previsão de renúncia fiscal gerada pelas desonerações, que serão da ordem de R$ 1,2 bilhão em 2013.

Royalties: relator altera proposta original; novo texto prevê mais recursos para educação

São cinco as mudanças apresentadas ao projeto de lei do Executivo que destina royalties do petróleo para educação. As principais apontam um aumento do número de campos de exploração do óleo e o crescimento do repasse reservado para o ensino básico.
A proposta original destinava para a educação 100% dos royalties do petróleo extraído de campos licitados a partir de dezembro do ano passado. O texto alternativo do relator, deputado André Figueiredo, do PDT do Ceará, inclui os royalties de todos os campos que começaram a operar a partir de dezembro do ano passado. Essa diferença de operação inclui campos licitados há anos, mas que ainda não funcionam. Eles também vão gerar recursos para educação.
Outra mudança feita pelo relator diz respeito aos recursos do Fundo Social do Pré-Sal. O projeto original do Governo previa que o dinheiro dessa espécie de poupança seria aplicado no exterior, e metade dos rendimentos iria para educação. O texto de André Figueiredo quer que 50% do saldo propriamente dito do Fundo Social, e não só dos lucros, sejam direcionados para o ensino público.
As demais alterações ao texto original destinam todo o dinheiro para a educação básica e inserem mudanças que ampliam a arrecadação dos royalties e do Fundo Social.
O relator explica que as alterações foram necessárias porque o dinheiro que viria seria insuficiente para melhorar a educação do país. André Figueiredo explica o impacto do substitutivo na prática.
“O projeto que o governo nos encaminhou vai representar, ao final de 2022, em torno de R$ 25,8 bilhões nos dez anos. Da forma como nós apresentamos, vai extrapolar os R$ 300 bilhões.” 
O presidente da comissão especial que discutiu a proposta, deputado Carlos Zarattini, do PT paulista, concorda com as mudanças.

“Está muito bom, é um substitutivo que avança em relação ao projeto original e eu acredito que nós temos que fazer um esforço para tentar aprová-lo.”
Mas vários parlamentares já apontaram que mudanças devem ser feitas durante a discussão do projeto no Plenário da Câmara. Entre elas, a repartição do dinheiro com a saúde. Outro ponto de discordância, como aponta o deputado Marcelo Castro, do PMDB do Piauí, é o uso imediato do dinheiro do Fundo Social do Pré Sal.
“Eu discordo. Porque se nós tirarmos o dinheiro do Fundo Social agora, não vamos constituir essa poupança. E é fundamental para o país, para as gerações futuras, que tenhamos essa geração [de recursos] para atender as áreas prioritárias como educação.”
A proposta que destina royalties do petróleo para a educação está prevista para ser votada ainda nesta terça-feira no Plenário. O projeto de lei tranca a pauta da Câmara. Ele é apontado pela presidente Dilma Rousseff como uma das respostas às manifestações das últimas semanas.

terça-feira, 25 de junho de 2013

Projeto contra corrupção esbarra em empresários no Congresso

São Paulo – Uma das respostas da presidenta Dilma Rousseff às reivindicações contra a corrupção que aparecem difusamente nas manifestações pelo Brasil deverá acelerar a tramitação da Lei Anticorrupção. Enviada pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Congresso em 2010, a proposta ataca uma das pontas mais escondidas das denúncias de corrupção: as empresas. O projeto permite punir pessoas jurídicas envolvidas em crimes contra a administração pública, e não apenas seus funcionários, como normalmente ocorre hoje.
Se aprovado, o projeto corrigirá uma lacuna histórica na legislação brasileira, pois pela primeira vez o país terá meios mais efetivos para punir diretamente as empresas – e seus proprietários – envolvidas em atos de corrupção ou outras práticas criminosas. Se transformado em lei, o texto permitirá a responsabilização das empresas e não apenas de seus funcionários ou de políticos envolvidos em casos de corrupção. Assim, prevê a aplicação de multas e o ressarcimento de recursos desviados pelas pessoas jurídicas, muitas vezes as maiores beneficiárias de processos de corrupção. “Não existe corrupto sem corruptor. A lei coloca o Brasil no patamar dos países mais desenvolvidos em termos de combate à corrupção”, lembra o deputado Carlos Zarattini, relator da proposta na Câmara e responsável por apresentar um substitutivo ao texto original.
Ele explica a demora em sua aprovação na Câmara pela resistência de parlamentares ligados a setores empresariais. “Tudo aquilo que mexe com interesses empresariais é de difícil aprovação no Brasil. Sempre tem problema, porque os empresários nunca gostam de ver sua liberdade de ação controlada”, afirma. Segundo estudos do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), dos 513 deputados federais, 273 são empresários – 53% do total.
Zarattini considera a questão um “problema na representação da nossa sociedade” no Congresso. “Talvez uma reforma política com financiamento público de campanha modifique essa desproporção. É uma questão importante, mas não sei se o clima no Congresso mudou depois das manifestações. Muitos setores são contra, porque o financiamento privado torna boa parte dos deputados dependentes do poder econômico”, avalia.
“Na verdade, esse problema não se resolve com nenhuma lei, mas na política. É necessário que nosso povo faça com que os partidos populares cresçam, isso é fundamental. Não existe nenhuma lei que diga que temos que ter mais operários, agricultores no Congresso”, sustenta Zarattini.
Aprovada na Câmara no final de abril, a proposta ficou três anos em discussão entre os deputados. Agora, está na Comissão de Relações Exteriores e Defesa (CRE) do Senado, de onde seguirá para a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e daí para apreciação no plenário.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

Nota do PT sobre o transposrte público


As manifestações realizadas em todo o País comprovam os avanços democráticos conquistados pela população. São manifestações legítimas e as reivindicações e os métodos para expressá-las integram o sistema democrático.
É papel dos partidos, do Congresso e dos Governos em todos os níveis dialogar com estas aspirações.

As transformações promovidas no Brasil nos últimos 10 anos, pelos Governos Lula e Dilma - com a ascensão social de 40 milhões de pessoas, a redução das desigualdades sociais, a geração de mais de 20 milhões de empregados com carteira assinada, o ingresso de milhões de jovens nas universidades, a ampliação de oportunidades para todos, enfim o surgimento de um novo País - colocam na ordem do dia uma nova agenda. 

Avançamos e podemos avançar ainda mais. Na área de mobilidade urbana, que agora catalisa manifestações em centenas de cidades, várias conquistas ocorreram em governos do PT, como o Bilhete Único, pelo Governo Marta em São Paulo, que resultou na redução de 30% no custo do sistema. Bilhete este que será agora ampliado pelo prefeito Fernando Haddad, com validade mensal e novos ganhos para os usuários que ainda serão beneficiados com a decisão da abertura de corredores e duplicação de importantes vias de acesso à periferia.

O Governo Dilma, que destinou R$ 33 bilhões para o PAC da Mobilidade Urbana, editou Medida Provisória que zerou as alíquotas de PIS/PASEP e Cofins incidentes sobre as empresas operadoras de transporte coletivo municipal rodoviário, metroviário e ferroviário de passageiros, possibilitando a redução das tarifas.

O PT saúda, pois, as manifestações da juventude e de outros setores sociais que ocupam as ruas em defesa de um transporte público de qualidade e barato.

Estamos certos de que o movimento saberá lidar com atos isolados de vandalismo e violência, de modo que não sirvam de pretexto para tentativas de criminalização por parte da direita. Nesse sentido, repudiamos a violência policial que marcou a repressão aos movimentos em várias praças do País, sobretudo em São Paulo, onde cenas de truculência, inclusive contra jornalistas no exercício da profissão, chocaram o País. 

A presença de filiados do PT, com nossas cores e bandeiras neste e em todos os movimentos sociais, tem sido um fator positivo não só para o fortalecimento, mas, inclusive, para impedir que a mídia conservadora e a direita possam influenciar, com suas pautas, as manifestações legítimas.

A insatisfação de parcelas da juventude em relação às instituições e aos partidos políticos revela a necessidade de uma ampla reforma do sistema político e eleitoral em defesa do que vêm se batendo o PT e outras organizações da sociedade. 

Do mesmo modo, as manifestações têm mobilizado sua inconformidade contra o tratamento dado pelo mídia conservadora aos movimentos, inclusive pelo fato de, num primeiro momento, ter criticado a passividade da polícia. 
Diante das demandas por transporte de melhor qualidade e barato, o Diretório Nacional do PT recomenda aos nossos governos que encontrem uma resposta necessária, que, no curto prazo, reduza as tarifas de transporte e, num médio prazo, em conjunto com os governos estadual e federal e com ampla participação popular, discuta soluções para um novo financiamento público da mobilidade urbana. 

A direção do PT conclama a militância a continuar presente e atuante nas manifestações lado a lado com outros partidos e movimentos do campo democrático e popular. 


São Paulo, 19 de junho de 2013. 

Rui Falcão Presidente Nacional do PT 


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Declaração do Dep. Zarattini sobre as manifestações em São Paulo.


As manifestações contra o aumento das tarifas de transporte exigem de nós petistas uma reflexão. 
Por um lado relembrar que o programa de governo do nosso prefeito Haddad no transporte vem sendo cumprido:reajustou as tarifas abaixo da inflação, prepara as obras de novos corredores e a implantação do bilhete único mensal. 
Em segundo lugar, demonstrar que o governo federal ao desonerar em parte as tarifas colaborou para que o reajuste fosse menor e ainda garantiu que as tarifas do metro e trens do governo estadual também tivessem um reajuste abaixo da inflação.
Em terceiro lugar, nós nunca apoiamos medidas repressivas e violentas como as que foram adotadas pela tropa da PM de Alckimin. Ao contrario, a tradição dos governos petistas, e em particular nos dez anos do governo federal, é a do dialogo e da negociação.
Em quarto lugar, diante do engajamento de uma parte expressiva da juventude nas manifestações e logicamente da repercussão social que elas tem, temos que admitir que a prefeitura não comunicou bem os motivos do reajuste e os limites do orçamento para ter tomado tal decisão.
Portanto, é correta a decisão do prefeito de abrir o debate no Conselho da Cidade. Ela dá transparência para as informações e permite que surjam outras propostas. Mas, se esse debate não for suficiente para resolver a situação, devemos aprofundar a democracia e utilizar um instrumento previsto na lei municipal: a convocação de um plebiscito onde a população vai decidir entre o congelamento das tarifas ou o investimento em melhorias de infra estrutura que melhorem a qualidade do transporte.
O PT não pode abrir mão de decisões democráticas mesmo agora quando acabamos de sair de um processo eleitoral e nosso governo não completou nem seis meses.
Devemos esgotar o debate. Foi assim que fizemos quando, no governo Marta, fomos aos bairros explicar o que ia ser o bilhete único e as transformações no transporte de Sâo Paulo. 
É hora de voltar aos bairros e debater com a população!

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Haddad diz que violência policial nos protestos contra aumento é 'lamentável'

São Paulo – O prefeito Fernando Haddad (PT) condenou hoje (14) a violência da Polícia Militar contra os manifestantes do quarto ato pela redução das tarifas no transporte público em São Paulo. Ele disse que cidade convive bem com manifestações e protestos, mas “não convive e repudia qualquer tipo de violência”.
O prefeito afirmou que, na terça-feira (11), em que um protesto contra o aumento da passagem também foi marcado por confronto, foram vistas “cenas de violência contra policias e ontem (13) o Brasil conheceu cenas de violência que também ensejaram abertura de investigação por parte da Secretaria da Segurança Pública. São cenas lamentáveis e que não condizem com São Paulo”.
As declarações foram feitas no programa Bom Dia SP, da TV Globo.
A manifestação de ontem (13) foram marcadas por forte repressão e violência policial. Já na concentração dos manifestantes, em frente ao Teatro Municipal, ao menos 40 pessoas foram detidas e levadas para o 78º Distrito Policial, nos Jardins, na zona sul. Segundo a polícia, ao final dos confrontos, ao menos 235 pessoas foram presas, das quais 231 foram liberadas após prestar depoimentos.
As quatro pessoas que continuam presas não têm direito a fiança e estão sendo indiciadas por formação de quadrilha. Eles estão detidos na carceragem do 2º DP, no Bom Retiro, e devem ser transferidos para um Centro de Detenção Provisória (CDP) ainda hoje (14).
Entre os agredidos pela polícia na manifestação de ontem estão jornalistas que cobriam o ato. A repórter da RBAGisele Brito, acompanhada por dois jornalistas do portal Terra, foi surpreendida por um grupo de policiais militares que os agrediu com golpes de cassetetes sem motivação alguma.
O repórter Piero Locatelli, da revista semanal Carta Capital, esteve entre o grupo de detidos antes mesmo do início da manifestação, por “porte de vinagre”. Ele foi levado para o 78º Distrito Policial, na região dos Jardins, de onde foi liberado horas depois. Em nota, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) repudiou a postura da corporação.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Brasil está entre países que alcançaram metas internacionais contra a fome


De acordo com a FAO, vinte países já cumpriram o Objetivo de Desenvolvimento do Milênio número 1 (ODM-1), reduzindo pela metade a proporção de pessoas que sofrem de fome, segundo critério estabelecido pela comunidade internacional na Assembleia Geral da ONU em 2000.

Os países que já alcançaram o ODM-1 foram: Brasil, Angola, Argélia, Bangladesh, Benim, Camboja, Camarões, Chile, República Dominicana, Ilhas Fiji, Honduras, Indonésia, Jordânia, Malaui, Maldivas, Níger, Nigéria, Panamá, Togo e Uruguai.

Mais 18 países foram felicitados por alcançarem o ODM-1 e também a meta mais exigente da Cimeira Mundial sobre a Alimentação (CMA) de reduzir pela metade o número total de pessoas desnutridas.

O objetivo da CMA foi estabelecido em 1996, quando 180 nações se reuniram na sede da FAO, em Roma, para debater as formas de acabar com a fome.

Os países que alcançaram tanto o ODM-1 como as metas da CMA são Armênia, Azerbaijão, Cuba, Djibuti, Geórgia, Gana, Guiana, Kuwait, Quirguistão, Nicarágua, Peru, São Vicente e Granadinas, Samoa, São Tomé e Príncipe, Tailândia, Turcomenistão, Venezuela e Vietnã.

“Estes países estão abrindo caminho para um futuro melhor. São a prova de que com uma forte vontade política, coordenação e cooperação, é possível conseguir reduções rápidas e duradouras para a fome”, disse o diretor-geral da FAO, o brasileiro José Graziano da Silva.

Graziano da Silva apelou a todos os países para manter a dinâmica e, assim, alcançar a erradicação da fome, de acordo com o Desafio Fome Zero, lançado em 2012, pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

“Globalmente, a fome diminuiu na última década, mas 870 milhões de pessoas estão desnutridas e outros milhões de seres humanos sofrem com as consequências das deficiências de vitaminas e sais minerais, incluindo a falta de crescimento entre as crianças”, disse o responsável da FAO.

“Temos de manter nossos esforços”, disse, reforçando que isso deve ocorrer “até que o mundo possa viver uma vida saudável e produtiva”.

Segundo um estudo da FAO, “O estado da insegurança alimentar no mundo - 2012”, a grande maioria das vítimas de fome, 852 milhões, vive em países em desenvolvimento – cerca de 15% da sua população – e 16 milhões de pessoas estão desnutridas nos países desenvolvidos.